quarta-feira, 30 de novembro de 2011

acredita-se tanta vez

Hoje faz um mês que podia ter começado a ser mãe. Se a tranferência tivesse corrido como desejado. O balde de água fria, quinze dias depois, fez-me mentalizar que há grandes hipóteses de nunca ser mãe. Porque se não se sabe qual é o problema- e será que o há realmente?- como poderei encontrar uma solução?
Foi difícil para mim a notícia embora me tivesse preparado para ela. Na altura, achei melhor curar as feridas dos outros e esquecer as minhas. Há poucos dias as minhas surgiram e atormentaram-me a mente.
Não desisti de nada. A desistência só toma lugar quando o amor acaba.  Podemos dar empurrões à natureza. Deixar de os dar não significa desistência.
Digamos que espero. Talvez um milagre.
Durante estes tempo de tentativas acreditei (acreditámos) numa espécie de compensação. No primeiro ano de tentativas, o meu marido vivia tempos negros de um ciclo que viria a terminar há pouco menos de um ano. O desemprego dele bate-nos à porta. achámos que ter um filho talvez não fosse boa ideia. Ou talvez fosse. Não pela nossa relação, mas pelo desejo grande de querermos ser pais. Não aconteceu. No segundo ano de tentativas, ele voltou ao emprego, ele saiu do emprego, a mãe fica doente. Dedicámo-nos à causa. Aos cuidados. Aos caprichos de um cancro. Quando a morte veio, sete meses depois, pensámos - e acreditámos na justiça divina - o que a vida nos tinha tiramos, certamente nos iria dar. Acreditávamos numa espécie de compensação divina. Nunca aconteceu. Desejámos essa compensação nos nossos aniversários, nos aniversários dos nossos pais, em cada Natal, nos nossos aniversários de namoro. Todos os dias desejámos. Nos dias especiais desejámos ainda mais. A esperança foi dissipando-se.
Não vou negar que mora cá dentro uma esperança que o tratamento possa ter deixado marcas para a natureza fazer o resto. Não vou negar que espero que a acunpuctura possa dar uma ajuda. Amanhã vou para o terceiro tratamento de acunpunctura. Fui muito directa com ela. Que me dissesse que não havia nada a fazer, se realmente não me pudesse ajudar. Alimentou-se a esperança. Volta a ideia de compensação divina, a de que gostaria que acontecesse neste Natal. Seria o presente perfeito.

A natureza é imune a datas especias, a perdas significativas. A natureza faz o que quer. No entanto, continua a ser difícil deixar de acreditar que a compensação divina existe. É isso também que me impede de baixar os braços.

3 comentários:

  1. Acreditar. Acreditar. Acreditar.

    E voltar a acreditar mesmo nos dias em que não se acredita tanto.

    Força.

    ResponderEliminar
  2. Acreditar. esperar. acreditar. esperar.

    É assim o ciclo.

    beijinho e obrigada pela força.

    ResponderEliminar
  3. Imagino como te sinto. Mas acredito cada vez mais de que tudo acontece quando menos se espera. Conheço uns quantos casais que desistiram e que simplesmente aconteceu... Não percas a esperança, porque o teu dia há-de chegar. Se vires que tal, vai ver outros médicos, procura outras soluções. Desejo do fundo do coração que 2012 te traga este presente

    ResponderEliminar

Tens alguma coisa para dizer? Obrigada por partilhares! ;)