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o cuidado que tenho

Não sei se, por naturalidade ou por aprendizagem a partir das nossas mães, temos a inclinação para cuidar dos nossos maridos. Possivelmente eles não precisarão, mas nós vamos sempre achar que sim. Como se fossem crianças grandes. Eu, pelo menos, nunca vou conseguir contrariar estes cuidados que vi a minha mãe tantas vezes repetir com o meu pai. Mas, ao contrário da minha mãe, que estabelecia esse ritual quase como uma submissão, eu sempre estabeleci isso como um acto de amor.
Até há pouco tempo atrás, o pequeno-almoço era a refeição com mais ênfase. Tinha de ser tomada em conjunto, já que não sabia o que o dia reservaria. Sempre fui pessoa para me ocupar das tarefas de casa, mas sempre que foi necessário, os papéis inverteram-se, Nunca nenhum dos dois viu problemas nisso, e sinceramente toda a gente tem de saber fazer um pouco de tudo.
Agora, esta limitação de não poder sair de casa, impede-me  de exercer outra tarefa que costuma ser mais minha que dele: as compras cá para casa.
Ontem, muito a contragosto, lá fiz a lista de compras. Com nomes das coisas de marca e as que não eram, a cor das embalagens, as notas para ter em atenção a relação qualidade/preço, as latas e a validade.  A lista tinha mais de recomendações do que  produtos. Sim, lá tratei o marido como se tratasse de um moço de recados, que se esquece das recomendações. Lá volta aquele velho hábito de os tratarmos assim.

Sim, espantei-me quando chegou a casa. na verdade, seguiu todas as recomendações à risca e não se esqueceu de nada. Bem, houve uma coisa. O chocolate não tinha avelãs inteiras. Também ninguém é perfeito.

Às vezes, assumo que sou demasiado proteccionista relativamente aos que mais amo. Isso não os impede de ter asas, mas impede-os de voar.

Comentários

  1. Querida Alice, também eu trato o maridão, como se fosse uma criança grande! E é tal como tu dizes por amor, porque sei que ele não gosta de certos afazeres ou não o sabe mesmo o que fazer.
    E ele gosta, tal como o teu. :)

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