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Sou (estou) estranha

Ontem conseguiram ler nos meus olhos as tormentas da alma dos últimos dias. Como se tivessem uma bola de cristal e me adivinhassem os pensamentos. É certo que ando aqui um pouco à deriva, desnorteada. Nestas fases isolo-me, digo que não se passa nada. No fundo, o meu verdadeiro problema é exactamente esse: não se passa nada.
Estou em fase de balanço e é isso que me deixa estranhamente inquieta. No final do ano passado escrevi isto:

"Acima de tudo, tinha deixado a vontade que tentássemos ser felizes sem sacrificar a felicidade de ninguém. Esta deve ser a parte mais difícil. Mas o trabalho é compensado pelo resultado.
Mudar de ano não implica mudar. Entre o dia 31 de Dezembro e o dia 1 de Janeiro, não se passa nada que não se passe  no restante do ano - um dia que dá seguimento a outro. No início, depositamos mais esperanças na mudança, temos mais motivação para mudar, queremos fechar um ciclo que não se pode encerrar, porque existirão sempre pastas por fechar, e contas que transitam de um ano para o ano.
A mudança tem de se operar dentro de nós; a mudança do ano é só um marco.
Não depositemos esperanças no novo ano- os dias vão seguir-se uns atrás dos outros. Depositemos esperanças em nós próprios. Somos nós que temos de operar a mudança.
E como diria Fernando Pessoa:
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
A felicidade não se pode guardar em frasquinhos. Mas tem a facilidade de poder nascer em qualquer lugar, num qualquer momento do ano."

E um ano depois,a necessidade de mudança continua a manter-se. Tive um ano para fazer a mudança, e não consegui mudar-me. será falta de fé? (dizem que move montanhas). Talvez não tenha feito esforço suficiente. Fiz muito pelos outros. Fiz muito pouco por mim. É este resultado do balanço que me preocupa.

Comentários

  1. O ser humano está em constante mudança. As mudanças aconteceram, tu é que não te recordas de tudo o que te mudou. Pode sobrar aquela sensação de insatisfação no final... de que poderiamos ter feito mais e melhor, mas porque não começar hoje a fazê-lo?

    És tão estranha quanto qualquer um de nós.

    Beijinho e bom fim-de-semana.

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  2. Querida Alice, mas o que fizeste pelos outros, não te deixa feliz? Este ano, é tempo de fazer algo por ti, sim?

    ResponderEliminar
  3. 2linhas,

    Sim, mudei alguma coisa. Talvez viva a fase mais calma da minha vida dos últimos seis, sete anos. talvez tenha conquistado isso. Mas podia ter mudado mais. Podia ter ido à luta por mim, tanto como fiz pelos outros nestes anos todos...

    Beijinho e bom fim-de-semana

    ResponderEliminar
  4. Turista,

    acredita que não há nada mais compensador que estar do lado dos outros nos maus momentos; fazer tudo por tudo que os outros consigam manter a força que a morte nos tira. fazer das tripas coração. Sei ser forte para os outros o que não sou para mim. As necessidades dos outros foram e ainda são colocadas em primeiro lugar.

    Sou feliz por os outros saberem que podem e contam comigo. cada vez menos posso contar com os outros.

    Beijinho e bom fim-de-semana

    ResponderEliminar

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