terça-feira, 6 de dezembro de 2011

não vale a pena correr

não sei quanto tempo ainda tenho para viver, nem me vou pôr a adivinhar. Da vida que já vivi, passei dois terços dela numa correria contra o tempo. O tempo existia cronometrado para tudo. Para fazer a escola primária, para acabar o secundário, para sair da faculdade. Nunca corri para o casamento, que fiz esperar durante nove anos, por achar que esse tinha tempo para acontecer.Um dia aconteceu mesmo, talvez porque tenha chegado a hora, porque esse era o seu tempo. Corri pelos outros, contra o tempo curto de uma vida prestes a findar. Aproveitei o tempo para as obrigações que achava (acho) que tenho. Começava cedo e terminava tarde no trabalho que dava luta e prazer. Perdi amigos, porque afinal não o eram. Afastei alguns pelo tempo que não tinha. Encontrei desculpas com as prioridades. Escondi-me quando a tristeza cá morava, porque a independência era algo que o tempo parecia ter trazido.

Nestes últimos dias, tenho-me questionado do que valeram a pena estes passos ao lado de um tictac de relógio. Sobeja pouco o que me faça feliz. Digamos que me apetece, independentemente do tempo que tenha, parar, enquanto outros comboios da vida possam seguir a alta velocidade. Preciso de parar, apesar do frenesim que vive dentro de mim, da adrenalina que me borbulha nos poros.

Acho que a culpa não é do tempo, sempre foi minha... julgava que assim, um dia seria mais feliz. A felicidade não corre como o tempo, constrói-se devagarinho, com fundações sólidas. Percebi tarde, agora que o tempo já me fez correr tanto, atrás de nada. Porque a minha vida está cheia de obrigações e tão poucos direitos.