segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Anda isto aqui a moer-me...

Todos os dias mói, mas ontem foi mais fundo. [a inveja amplia este efeito]

Só me deu a notícia ontem, já vínhamos a descer  a serra, no regresso a casa. Sei que lhe custou dizê-lo; sei que ponderou se o havia de fazer pois percebi a sua hesitação.

Casámos um mês e meio depois deles. Somos praticamente todos da mesma idade. No ano passado, quando nos encontrámos num casamento de um amigo comum, falámos sobre a maternidade e o quanto as pessoas nos interpelavam por (ainda) não termos filhos. As frases populares do "não te guardes para velha" eram comuns. Percebi que ela pensava da mesma forma que eu: ninguém tem nada com isso. Na altura, estive quase a abrir uma excepção e contar-lhe. A prudência (ou a vergonha, nem sei) fez-me retroceder naquela decisão momentânea. De certa forma, confortei-me com o facto de não ser a única a não ter filhos embora, julgo, por motivos diferentes.
Ela está grávida. Sei que, quando voltar a estar com eles, vou felicitá-los e isso vai ser genuíno. Fui  tomada por uma certa inveja  [vergonhoso, bem sei] que depois deu lugar à tristeza que tentei esconder. Vejo o tempo esgotar-se e, às vezes, entra-me um desespero na alma mas não posso fazer nada. As análises para a foram feitas e entregues, o médico falou em segunda oportunidade já em Março; eu não acredito muito porque a lista de espera é enormíssima. Cada vez mais acredito que talvez não deva ser mãe.  Tento contrariar este pensamento. Mas se não aconteceu nos últimos quatro anos é porque não tinha mesmo que acontecer.
Tenho dias que perco a esperança. Hoje é um dias desses.

15 comentários:

  1. Um abraço...

    A esperança renova-se Alice. A minha (em vocês) mantêm-se.

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  2. Vá, força. Claro que vai acontecer! :) A esperança é sempre a última a morrer.

    Um beijinho

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  3. Nunca deves perder a esperança... Pode ser complicado, mas nunca se sabe, tenho uma sobrinha que foi considerada um milagre, quando já todos pensavamos que a minha irmã não ia ser mãe... Apareceu a pimpolha*

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  4. Não desanimes querida. Beijinho no coração :)

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  5. Não desanimes querida...
    Beijinho no coração :)

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Não esmoreças. Nunca. Sei que é difícil e que estás farta de ouvir conselhos destes, mas quando estiveres em dias como este, olha... lembra-te da Susana (do Blog Sonho ter um filho) e da sua luta que aos fim de tantos anos teve um final feliz.

    Beijinho e força.

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  8. Beijinho, repleto de pozinhos multicolores, especial para dias enublados.

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  9. Não sei o que é isso, porque não tenho filhos nem estamos a pensar nisso para já, apesar de já estarmos casados quase há 4, mas tenho um caso na família em que demorou 3 anos até conseguirem engravidar não havendo à primeira vista problema nenhum.
    Um abraço apertado e muitos mimos é o que te envio para ultrapassares este momento de maior sensibilidade.
    A fé é algum inquebrável, certo?
    Beijo enorme*

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  10. Imagino como te deves sentir ... mas como já te disseram não percas as esperanças, os milagres acontecem quando menos esperamos.
    Muita força e esperança ... beijinho grande.

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  11. Olá a todas,

    permitam-me um agradecimento muito grande a todas.

    Como sabem, as tentativas ou resultam ou não resultam. Conceber um ser acontece ou não acontece. Não se vê a evolução, a não ser que a gravidez aconteça. E isso ainda não aconteceu.
    Como alimentamos a esperança se não se vêem mudanças? não conseguimos saber se o nosso organismo está a dar melhor resposta ou não. se por um lado nos entristecemos quando julgamos não ser capazes do que os outros são, por outro são comentários como os vossos e ouvir histórias bem sucedidas que nos renovam ou fazem renascer a esperança.

    Hoje, de moral um bocadinho mais levantada, volto a ter alguma esperança. e aprendo a esperar a próxima oportunidade.

    Se o milagre acontecer prometo partilhar.

    Bem hajam.

    PS- e se alguém que também estiver a passar pelo mesmo e quiser partilhar e eu puder ajudar, tem o meu mail no perfil. às vezes, falar pode aliviar.

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  12. Não te recrimines pelo que sentes: é perfeitamente normal. E nunca percas a esperança: as coisas podem custar mais a uns do que a outros, mas elas hão-de chegar. Com ainda mais alegria. Não baixes os braços. Força!

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  13. Querida Alice, eu vou contrariar um pouco aos comentários aqui deixados pelas outras amigas.
    E se não tiver de acontecer? E se o teu/vosso futuro, não passar por serem pais biológicos?
    Tu sabes que eu não tenho filhos biológicos, mas tenho uma catrefada de filhos do coração que me enchem os dias e a alma.
    Um grande beijinho e não desesperes, sim?

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  14. Turista,

    Também já pensei nisso. è muito provável que não consigamos ser pais biológicos. Não vai acabar o mundo por isso. O desejo ficará por concretizar, mas o amor entre nós e o amor aos outros perpetuará certamente.

    Os filhos são uma extensão da nossa vida; se não existiresm a felicidade encontrar-se-á noutras formas.
    Por isso, vamos tentar mais uma única vez e a partir daí, se tiver de acontecer, acontece. Se não acontecer, a vida segue em frente.

    Obrigada por partilhares a tua opinião igualmente válida.

    Beijinho

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  15. Deve ser uma espera muito dura, mas o vosso dia há de chegar.

    Um abraço.

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