Avançar para o conteúdo principal

Anda isto aqui a moer-me...

Todos os dias mói, mas ontem foi mais fundo. [a inveja amplia este efeito]

Só me deu a notícia ontem, já vínhamos a descer  a serra, no regresso a casa. Sei que lhe custou dizê-lo; sei que ponderou se o havia de fazer pois percebi a sua hesitação.

Casámos um mês e meio depois deles. Somos praticamente todos da mesma idade. No ano passado, quando nos encontrámos num casamento de um amigo comum, falámos sobre a maternidade e o quanto as pessoas nos interpelavam por (ainda) não termos filhos. As frases populares do "não te guardes para velha" eram comuns. Percebi que ela pensava da mesma forma que eu: ninguém tem nada com isso. Na altura, estive quase a abrir uma excepção e contar-lhe. A prudência (ou a vergonha, nem sei) fez-me retroceder naquela decisão momentânea. De certa forma, confortei-me com o facto de não ser a única a não ter filhos embora, julgo, por motivos diferentes.
Ela está grávida. Sei que, quando voltar a estar com eles, vou felicitá-los e isso vai ser genuíno. Fui  tomada por uma certa inveja  [vergonhoso, bem sei] que depois deu lugar à tristeza que tentei esconder. Vejo o tempo esgotar-se e, às vezes, entra-me um desespero na alma mas não posso fazer nada. As análises para a foram feitas e entregues, o médico falou em segunda oportunidade já em Março; eu não acredito muito porque a lista de espera é enormíssima. Cada vez mais acredito que talvez não deva ser mãe.  Tento contrariar este pensamento. Mas se não aconteceu nos últimos quatro anos é porque não tinha mesmo que acontecer.
Tenho dias que perco a esperança. Hoje é um dias desses.

Comentários

  1. Um abraço...

    A esperança renova-se Alice. A minha (em vocês) mantêm-se.

    ResponderEliminar
  2. Vá, força. Claro que vai acontecer! :) A esperança é sempre a última a morrer.

    Um beijinho

    ResponderEliminar
  3. Nunca deves perder a esperança... Pode ser complicado, mas nunca se sabe, tenho uma sobrinha que foi considerada um milagre, quando já todos pensavamos que a minha irmã não ia ser mãe... Apareceu a pimpolha*

    ResponderEliminar
  4. Não desanimes querida. Beijinho no coração :)

    ResponderEliminar
  5. Não desanimes querida...
    Beijinho no coração :)

    ResponderEliminar
  6. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  7. Não esmoreças. Nunca. Sei que é difícil e que estás farta de ouvir conselhos destes, mas quando estiveres em dias como este, olha... lembra-te da Susana (do Blog Sonho ter um filho) e da sua luta que aos fim de tantos anos teve um final feliz.

    Beijinho e força.

    ResponderEliminar
  8. Beijinho, repleto de pozinhos multicolores, especial para dias enublados.

    ResponderEliminar
  9. Não sei o que é isso, porque não tenho filhos nem estamos a pensar nisso para já, apesar de já estarmos casados quase há 4, mas tenho um caso na família em que demorou 3 anos até conseguirem engravidar não havendo à primeira vista problema nenhum.
    Um abraço apertado e muitos mimos é o que te envio para ultrapassares este momento de maior sensibilidade.
    A fé é algum inquebrável, certo?
    Beijo enorme*

    ResponderEliminar
  10. Imagino como te deves sentir ... mas como já te disseram não percas as esperanças, os milagres acontecem quando menos esperamos.
    Muita força e esperança ... beijinho grande.

    ResponderEliminar
  11. Olá a todas,

    permitam-me um agradecimento muito grande a todas.

    Como sabem, as tentativas ou resultam ou não resultam. Conceber um ser acontece ou não acontece. Não se vê a evolução, a não ser que a gravidez aconteça. E isso ainda não aconteceu.
    Como alimentamos a esperança se não se vêem mudanças? não conseguimos saber se o nosso organismo está a dar melhor resposta ou não. se por um lado nos entristecemos quando julgamos não ser capazes do que os outros são, por outro são comentários como os vossos e ouvir histórias bem sucedidas que nos renovam ou fazem renascer a esperança.

    Hoje, de moral um bocadinho mais levantada, volto a ter alguma esperança. e aprendo a esperar a próxima oportunidade.

    Se o milagre acontecer prometo partilhar.

    Bem hajam.

    PS- e se alguém que também estiver a passar pelo mesmo e quiser partilhar e eu puder ajudar, tem o meu mail no perfil. às vezes, falar pode aliviar.

    ResponderEliminar
  12. Não te recrimines pelo que sentes: é perfeitamente normal. E nunca percas a esperança: as coisas podem custar mais a uns do que a outros, mas elas hão-de chegar. Com ainda mais alegria. Não baixes os braços. Força!

    ResponderEliminar
  13. Querida Alice, eu vou contrariar um pouco aos comentários aqui deixados pelas outras amigas.
    E se não tiver de acontecer? E se o teu/vosso futuro, não passar por serem pais biológicos?
    Tu sabes que eu não tenho filhos biológicos, mas tenho uma catrefada de filhos do coração que me enchem os dias e a alma.
    Um grande beijinho e não desesperes, sim?

    ResponderEliminar
  14. Turista,

    Também já pensei nisso. è muito provável que não consigamos ser pais biológicos. Não vai acabar o mundo por isso. O desejo ficará por concretizar, mas o amor entre nós e o amor aos outros perpetuará certamente.

    Os filhos são uma extensão da nossa vida; se não existiresm a felicidade encontrar-se-á noutras formas.
    Por isso, vamos tentar mais uma única vez e a partir daí, se tiver de acontecer, acontece. Se não acontecer, a vida segue em frente.

    Obrigada por partilhares a tua opinião igualmente válida.

    Beijinho

    ResponderEliminar
  15. Deve ser uma espera muito dura, mas o vosso dia há de chegar.

    Um abraço.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Tens alguma coisa para dizer? Obrigada por partilhares! ;)

Mensagens populares deste blogue

Jardim de Chuva Prateada

hoje em dia, as pessoas têm muitos amigos no facebook. é onde têm mais amigos. Se,de repente, essa pessoa deixar de colocar posts ou likes, não mostrar as suas selfies, os amigos vão preocupar-se com isso? se calhar não. acho que impera por lá a inveja, não a preocupação... Acho que os blogues são bem mais que isso. As pessoas não são sempre felizes; quando querem, mostram a vida que realmente vivem. E, às vezes, a amizade nasce, quando nos identificamos com essa pessoa. [Bem sei que há por aí gente com mais imaginação do que vida própria.] Há cerca de dois anos, uma pessoa frequente no meu blogue, deixou de escrever no blogue dela e nunca respondeu a emails que varias pessoas "chegadas" lhe haviam enviado, inclusive eu. tinha-me deixado um apelo no seu blogue, a que depois respondi e nunca mais tive resposta. ainda hoje tenho o seu blogue na minha de lista de leituras, para o caso dela voltar. mantenho a esperança que nada tenha acontecido. Agora volto a preocupar-me com a…

ironias

O meu marido conseguiu saber/sentir primeiro que eu o que e uma epidural...
(ouvimos sempre falar de epidural aquando dos partos mas afinal, não serve apenas nesses casos)

das minhas fragilidades. tenho coisas para contar, mas hoje "roubo" palavras a outros

O momento de escrever o que Maio me trouxe e me levou, vai chegar. falarei sobre isso, quando me sentir com os pés mais perto da terra e menos de cabeça para baixo. Sem os dramatismos com que agora vejo os acontecimentos.Maio trouxe e levou. A minha vida continua um novelo com muitas pontas e poucos fins à vista. tenho de falar nisso. Porquê? porque preciso. só não sei por que ponta começar.

Enquanto as minhas palavras não saem, gostei das de outrem, que não hesitei em roubar, sem pedir licença, mas dando os devidos créditos.

Tantas palavras te disse hoje,
mas as mais frágeis reservo-as
para o dia em que te encontrar.[Deste blogue]