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Bom dia Alegria!

Sei que parece estranho à maioria das pessoas algumas das coisas que, tanto eu como o meu senhor marido, temos o hábito de cultivar. Não o fazemos para nos vangloriarmos mas porque a nossa consciência e educação não nos permitem passar ao lado.

Hoje vinha no caminho para o trabalho - uma hora dá muito que pensar - que, hoje em dia, são poucas as pessoas que emprestam dinheiro a alguém. Nos fazemo-lo com a consciência de que podemos não o voltar a ver. Até agora não tem acontecido. Também não temos muito para emprestar. Obviamente que nos perturba a ambos a possibilidade de alguém precisar de comida para comer e não ter dinheiro para o fazer. Para mim, a fome entristece-me, traça marcas profundas na alma.
Também não somos capazes de ficar indiferentes às pessoas mais velhas, que no fim da vida,são desprezadas, abandonadas,deixadas à míngua. Somos incapazes de conceber que alguém passe o Natal sozinho. A solidão é tão dura como a fome.
Os dias cá no trabalho não têm sido fáceis; facilmente esmorecemos e perdemos a motivação. Às vezes, precisamos de alegrar ou adoçar a vida. Talvez por isso, e as outras pessoas acham estranho, tenho trazido pequenos bolinhos para o trabalho, sem que haja um motivo aparente.
As pessoas acham sempre que há motivos por detrás de actos desinteressados. Pouco me importa que o digam, que o pensem. Certo é que, hoje, depois de uma fornada de queques ( ainda estão quentes) me senti muito bem a partilhá-los.

Verdade que há coisas da minha vida que partilho com pouca gente, mas o que posso partilhar faço-o de coração. Sei que perco muitas vezes com isso. Mas hoje ganhei alegria. E sso basta-me agora. Digam o que disserem.

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