terça-feira, 24 de abril de 2012

As exigências dos outros

Aquele que já foi , um dia, o meu melhor amigo fez anos em Março.

Quando lhe telefonei (já o dia ia longo), disse-lhe que talvez pensasse que me teria esquecido (na verdade, antes que tivesse oportunidade de lhe telefonar, mandei-lhe um mail a desejar os Parabéns).

Ontem não deu sinal de vida. Não daria qualquer importância a esse facto - porque o esquecimento é uma coisa perfeitamente natural - se ele não me tivesse dado uma resposta parva, quando lhe telefonei em Março: Eu estava à espera de ver se tu te esquecias; é assim que verificamos se somos importantes na vida de alguém. Estava a avaliar-me, portanto.

Limitei-me a responder-lhe na altura que, estando ele sempre de mail aberto, já deveria ter dado conta que o tinha felicitado. Aborreci-me um pouco pela cobrança, mas não o quis demonstrar.

Se fosse olho por olho (já que passo a vida a ser cobrada pelas dívidas que não tenho), o mundo acabaria cego, como disse Gandhi.

A importância que dei a este facto vai mesmo resumir-se a este texto. Tem um sentido muito mais geral que um simples voto de Parabéns. Contudo sou incapaz de renegar os meus próprios valores.




8 comentários:

  1. As pessoas conseguem ser sempre tão invejosas e rancorosas. Juro que não entendo.

    Nunca faço isso, mesmo quando me "calcam". Quando vejo que me "calcam" demais, aí sim, corto relações. Vejo que nunca fui importante para essa pessoa.
    Curiosamente, acontece-me sempre estes episódios no meu aniversário.

    Um beijinho*

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  2. Já nem ligo por não se lembrarem que faço anos, mas eu não ligo aos aniversários,daí a minha pouca importância a estas coisas mas deve ser assim para o chato para não chamar outra coisa.
    Besito

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  3. Entendo que tu própria estejas a sentir algo ambíguo. Por um lado tentas não dar demasiada importância, por outro e pela cobrança que te foi feita numa situação semelhante, dá vontade de dizer alguma para ele se ver bem ao espelho antes de apontar o que quer que seja aos outros. Infelizmente as pessoas no geral até sabem que a amizade é uma relação recíproca, embora a perspetiva seja muito unilateral. Eu sempre fui das que dei muito e pouco recebia. Raramente me queixei. Porque há coisas que não se cobram. As pessoas dão se querem ou têm para dar. E foi então que percebi que não sou egoísta se depois de tanto ter dado a alguém que pouco ou nada me deu quando precisei pura e simplesmente me afastar dessa pseudo amizade. E uma das coisas que me magoou muito no simples comentário que me fizeram no domingo foi por eu ter sido a única pessoa há uns anos atrás a apoiar, a acreditar, a dar força e apoio (literalmente) quando essa pessoa quis mudar radicalmente o rumo da sua vida e ninguém acreditava. E hoje é essa mesma pessoa que mostra não acreditar em mim. No momento sensível que atravesso doeu. E escusado será dizer que a dita pessoa para mim arrumou. Que seja muito feliz, mas não conte comigo para mais nada. Se isto é ser rancorosa e má? Que seja. Para mim é só proteger-me de quem não merece o que quer que seja de mim.
    Desculpa o testamento e desabafo e tudo... estas situações entristecem-me.
    Bjinhos grandes

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  4. Sofia,

    Somos duas que não entendemos. Não sei onde esses sentimentos as levam.

    Talvez sejamos nós a dar mais importância a estas pequenas coisas na altura do aniversário.Ou estejamos mais sensíveis e conseguimos ver melhor,e "perdoar" menos. Nem sei.

    Bjs

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  5. Lemon,

    Eu realmente só fiz este registo pela quase-exigência que me fez em Março. Nunca sabemos quando cusoimos para o ar e nos cai em cima.

    As pessoas exigem tudo, mas depois esquecem-se que a amizade tem reciprocidade.

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  6. Raiozinho,

    Entendo-te perfeitamente. Infelizmente, pessoas como nós não têm a memória curta. Continuo a achar que quando estamos mal, não estaremos a ser egoístas. Raramente queremos que os outros se importunem com os nossos infortúnios. Se o fazemos é porque chegámos ao nosso limite.
    Somos de pensar e agir, considerando o que gostaríamos que nos fizessem se estivéssemos naquela posição. Mas, lamentavelmente, os outros não conseguem pôr-se no nosso papel,e ajudar. è mais fácil ignorarem-nos ou reduzirem-nos à insignificância.
    Acho que devemos conformar-nos que a maioria das pessoas é tão relativista com os problemas,desde que não sejam deles.

    E com tanta gente asssim, creio que hão-de vir mais oportunidades para nos demonstrarem que as pessoas não se preocupam com outras, mas com o seu umbigo.

    Tem coragem, e tenta tu relativizar a atitude da outra. è mesmo aquilo que está ao teu alcance, já que do outro lado, não veio qualquer conforto.

    Beijinho

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