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Pessoas prioritárias

hoje, sem ter dado conta, coloquei as compras numa daquelas caixas prioritárias a velhinhos, pessoas com crianças ao colo e grávidas. Ainda não tinha chegado a minha vez mas já me tinha apercebido que havia algo de estranho porque a menina da caixa olhava constantemente para a fila. Ainda pensei que poderia estar numa caixa com número de artigos limitado. Ao mesmo tempo que ela avisava que o casal que estava atrás de mim- que tinha uma criança- devia passar à frente, apercebi-me do placard de caixa prioritária. Não vi mal algum que me passassem à frente. Antes que eles expressassem que não pretendiam dar uso à sua prioridade surge uma grávida sabe-se lá de onde ( e de que ninguém tinha dado conta) para passar à frente do casal, também prioritário. Se as prioridades se cumprissem, a grávida seria a segunda a ser atendida logo atrás do casal com a criança, sendo eu a última a ser atendida. No entanto, ela não fez caso do casal e tomou logo a posição na dianteira da fila. Curioso de tudo isto, é que a grávida de oito meses- segundo fez questão que a fila inteira soubesse- se baixou por diversas vezes, para tirar as coisas do cesto (não era um carrinho!) das compras, enquanto o marido e o filho de cerca de oito anos a olhavam de braços cruzados. E não bastando, carregou as compras sozinha. Pareceria-me mais coerente que ela nada fizesse, já que estando grávida também tinha o direito de passar à frente de toda a gente na fila.

A menina da caixa acabou por dizer que estar neste tipo de caixas eram um lugar ingrato, porque existiam pessoas que não comprendiam estas prioridades e outras que armavam confusão, porque estando grávidas não podiam estar à espera. acabou por ir dizendo que a dita grávida armava sempre confusão [daí o olhar que lhe notei no ínicio desta história - era medo!].

Não acho mal que hajam prioridades, mas acho que, se uma grávida não pode esperar na fila então também não deve carregar com meia dúzia de sacos, que não seriam  leves certamente. A gravidez não é nenhuma doença, as prioridades devem ser respeitadas, mas também se exige coerência de quem quer usufruir delas. Ou passamos a achar que estão a gozar com a nossa cara e nós temos de nos calar.

Comentários

  1. Antigamente, as prioridades eram feitas por delicadeza das pessoas e era tudo bem melhor. Hoje em dia há tanta coisa a promover a prioridade ou a dar lugares especiais para essas pessoas que há sempre alguém que abusa disso.

    Beijinho e bom início de semana.

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  2. Já usei caixas prioritárias, quando tal como tu me "vi" numa delas e acabei por não sair. Na minha gravidez nunca a usei para fazer uso da minha prioridade, para mim as caixas prioritárias são para quem tem efectivamente necessidade delas.
    Nunca foi, felizmente, o meu caso, tive uma gravidez boa, algumas pessoas não têm e necessitam...

    Acho que está na consciência e no bom senso de cada um...

    Beijinho

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  3. Sofia,

    também sou dessa educação. Não é necessário existir um placard para eu dar pioridade. Desde que me aperceba, sou a primeira a ceder o meu lugar.

    Sim, passa a ser abuso quando as pessoas podem perfeitamente esperar já que também se acham com capacidade para carregar um montão de sacos.

    Boa semana para ti.

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  4. S.o.l,

    Agora é que tu me surpreendeste. Não sabia que já eras mãe! E fico muito contente que tenhas tido uma boa gravidez.

    Considero que as pessoas que efectivamente necessitem devam usufruir do direito. Assim como acho que as pessoas nem deveriam ter nenhum placard para as obrigar a ceder o lugar. A gentileza e bom senso deveria fazer parte de cada um.

    Beijinho

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  5. :))

    Tenho vários post´s sobre os meus filhos, embora não cite que é sobre eles. Eu sei, isso normalmente basta-me.
    Sou mãe biológica e adoptiva. Já conto por isso com 2 filhos na minha bagagem :))

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  6. S.o.l,

    nem tens obrigação de os citar.

    Achei curiosos, eu que normalmente consigo ler nas entrelinhs - embora também falhe- nunca dei conta contigo.

    também não pretendo abordar a tua intimidade. Gosto de respeitar as pessoas.Independentemente do que lhes possa ler, nas entrelinhas ou não.

    Beijinho

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  7. Infelizmente ainda são necessárias as prioridades 'instituidas' porque a delicadeza e educação ainda não fazem parte dos hábitos de todos...

    Neste momento estou grávida (de 8 meses como essa senhora) mas uso da minha prioridade consoante a necessidade. Se estiver uma fila imensa de gente à minha frente e as costas se queixarem ou as contracções apertarem, peço licença e passo, se me sentir bem espero pela minha vez, recusando a prioridade muitas vezes oferecida.

    Há uns dias fui praticamente 'atropelada' por uma familia a caminho da caixa prioritária. A senhora disse a medo ao marido que me deixasse passar porque eu estava grávida ao que ele me respondeu com um 'Então vá!' meio grunhido... nesse dia até podia esperar, mas não o fiz! Só tive vontade de lhe dizer que não me estava a fazer nenhum favor, mas há pessoas que é mesmo melhor ignorar...

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  8. Francamente eu sou do tipo envergonhada, e mesmo estando mal (não tenho tido das gravidezes mais fácil), é difícil pedir que me cedam prioridade (só o fiz uma vez e porque acho que desfalecia se ficasse de pé no metro). Temos que ser coerente. Mas também te digo que quando estás deste lado, vês muito pouco civismo das pessoas. Pessoas que fingem não te ver, pessoas que não te dão prioridade, pessoas que empurram e te levam a frente se for preciso. E há casos que irritam mesmo.

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