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A vida é assim ou sou eu...

O corpo teima em contrariar os meus desejos. Após cinco dias com o injectável, sai o veredicto que os resultados estão longe do satisfatório. Lá para o Verão - ou sei lá eu quando- voltamos a tentar. Não vale a pena andar a arrastar o tratamento, correndo o risco de me comprometer a saúde. Sensato, sem dúvida que foi assim que julguei a decisão médica.
Primeiro conformei-me, depois indignei-me, por fim, revoltei-me e chorei. Hoje resolvi escrever para pôr um ponto final parágrafo. Escrevi e apaguei tantas vezes, e só isso denota a minha desorientação do pensamento.
Hoje, fico com a sensação que devia ter sido capaz de apanhar o comboio da primeira vez. Quando tudo correu sem problemas. Não sei se ele torna a parar na minha paragem.
Mas como disse a enfermeira-parteira franzina, que ontem me contou mais uma história das muitas que fui ouvindo ao longo da minha odisseia: Acreditar. acreditar. acreditar. Mesmo que ninguém mais acredite.
Talvez devesse ter acreditado mais, que foi a única coisa que talvez tenha ficado por fazer.

Fiquei fora da corrida, ainda antes da primeira volta. No dia da Mãe.

[não quero a pena de ninguém. quero apenas livrar-me deste peso que trago dentro do coração]

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