quinta-feira, 21 de junho de 2012

Do que cada um (quer) pode dar

Entendo que as pessoas não consigam estar sempre disponíveis. Outra coisa é as pessoas não quererem estar disponíveis nem fazerem por estar.

Ainda antes de casar tinha a plena consciência que a distância podia ser problemática. Viver a 160 km dos sogros pode ser o alívio para muitas noras, mas para mim trata-se de um número, uma viagem de ida e volta. os meus sogros sempre foram carinhosos comigo (ao ponto da própria filha ter ciúmes), portanto nunca existiram motivos para deixar de os visitar.

Faz parte do bom senso, dividir natais ora nos sogros, ora nos pais. Também para mim fez sentido - e depois da minha sogra falecer, ainda mais sentido faz- que as visitas se façam amiudadas vezes. por decisão conjunta, que só faltou papel assinado, intercalamos os fins de semana com a minha cunhada, que mora a 40km do pai. Se eu estou perto dos meus pais, entendo que o meu marido também queira estar perto dos dele. É um direito do qual eu não posso - nem quero - privar.

Portanto, com 52 semanas que o ano tem, 26 fins de semana são de visita ao sogro. Equivalem a fazer 8320 km num ano ( de grosso modo), nas visitas à terra do marido.

o que eu não entendo é, estando a minha cunhada a tão curta distância do pai, não quer pode trocar algum fim-de-semana que nós não possamos ir. Precisando o pai de qualquer assunto tratado, a minha cunhada não quer pode tratar.
Quando o meu sogro teve um avc e lhe ligou, por ela estar mais perto, ela em lugar de ligar o 117, liga ao meu marido para ele tratar da situação. Faz o meu marido 180km para assinar um termo de responsabilidade para uma intervenção cirúrgica, porque ela nem lá pôs os pés. O meu marido passou uma semana sem ir trabalhar até o meu sogro poder sair do hospital. A minha cunhada foi visitá-lo uma vez. Felizmente foi tudo tratado a tempo, e não houve sequelas de maior.
Agora é a segunda consulta que o meu sogro tem de ir sem qualquer acompanhamento, porque a minha cunhada (que tem um horário reduzido de trabalho) já arranjou todas e mais alguma desculpa para dizer que não quer pode ir. Para quem tenta ela empurrar? Para os do costume. Se o meu marido aceitar tem que tirar um dia do trabalho e obriga-o a ir um fim-semana extra, o que acarreta mais despesas, e menos um fim-de-semana para nós, para as nossas coisas, para a nossa vida (já condicionada por outras obrigações)

É certo que o meu sogro, no alto dos seus 82 anos tem uma autonomia que tomara muitos mais novos terem. No entanto, parece-nos importante conhecer o real estado das coisas e, uma pessoa de idade por muito autónoma que seja, requer tanto mimo e atenção como uma criança de tenra idade. Afinal quem não gosta disso?

Esta é uma das muitas coisas da minha vida que me deixam esgotada. Fui educada com sentido de justiça, e sei que não saberia comportar-me como uma cabra egoísta. Mas ao fim de tantos anos nisto, as doses de paciência que vou adquirindo esgotam-se mais rápido. este é um dos motivos porque entro em deficit emocional. Esgadanhamo-nos todos (eu e marido) para que tudo corra bem, mas há sempre quem não esteja nem aí para isso.

Não aprecio particularmente este apontar de dedo que hoje aqui deixo, mas há dias que tenho de deitar para fora antes que expluda.

20 comentários:

  1. Força e calma querida.... Algumas pessoas nunca irão ser metade daquilo que uma pessoa de coração bom e sincero é.... Beijinhos***

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  2. Só me ocorre uma palavra: lamentável.
    Beijinho e força!

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  3. AnaBrito,

    começa a ser complicado ter calma. Depois de tantas coisas passadas. Não aceito que uns se esforcem tanto- e prescindam da vida pessoal, e outros nada são capazes de fzer a não ser dar trabalho aos outros.

    Sabes que ela acha que os outros é que têm obrigações e ela não?

    Obrigada pelo apoio.

    Bjs

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  4. Dear Daisy,

    Acho que já ultrapassa o lamentável; é lamentável e intolerável.

    Mas isto é só umaa pontinha do iceberg. E eu encho-me de uma paciência pouco comum em mim e vou enchendo.

    bjs e obrigada

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  5. Tenho uma amiga que está a passar exatamente o que descreves aqui. Não tivesse eu a certeza que não (até porque é sogra no lugar de sogro), diria que eram a mesma pessoa. E percebo perfeitamente o porquê da vossa paciência infinita. Porque envolve pessoas de quem gostam muito e que seriam prejudicadas se vocês pusessem travão nas injustiças.

    Pergunto: será que as pessoas não têm consciência dos seus actos? É tão difícil para mim compreender isto...

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  6. Carla,

    Obrigada pela tua compreensão.

    Para a minha cunhada está sempre tudo bem, e ainda tem a distinta lata de dizer que mais não pode fazer. Mas eu tenho de fazer, certo?

    Se te contasse as tropelias que ela me fez quando a minha sogra esteve doente, acharias que eu estaria a mentir, tal é o absurdo da situação.

    Um dia a casa vem abaixo. vamos ver até quando durará.

    Bjs

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  7. não é um apontar o dedo. é a realidade. sugam-nos a alma. vais ver na altura da herança, se ela não vai ter disponibilidade!

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  8. Acho que me «passava dos carretos»... Se não fosse estar em causa o bem-estar de uma terceira pessoa, a vontade seria pagar na mesma moeda.
    Como está, não há grande saída... deve ser uma situação angustiante.

    Um beijinho

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  9. belle,

    A questão da herança já se deu. Se numas situações não há nada a apontar (porque a situação lhe agradava) noutras haveria para contar. Mas nem vale a pena fazer nada. Sabes, quando formos desta vida fica cá tudo. e ela não é mais feliz que eu, tenho a certeza.

    beijinho

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  10. Eu,

    é uma situação mais para o desgastante. na altura que a minha sogra esteve doente, praticamente deixei de falar com ela para não lhe ir às trombas. Não gosto de descer a esse nível.

    Se não fosse pelo meu sogro e pelo meu marido, garanto-te que virava costas. ela gosta muito de se encostar, Pôr defeitos e virar as luzes para ela, para dar nas vistas.

    Como diz o meu marido, são irmãos mas nem parecem filhos do mesmo pai nem da mesma mãe.

    Bjs

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  11. Como te entendo, como te entendo!
    Paciência! E ignora a personagem. É que nem vale a pena, a sério.
    Bjinhos

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  12. No entanto, garanto-te que no dia que o teu sogro falecer, ela ficará irremediavelmente só... será essa a paga última, acredita!

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  13. Eu acho que para haver paz e sossego numa família todos têm de contribuir, mas há demasiada gente que só pena no seu umbigo e está-se marimbando para os sentimentos das outras pessoas. Dá demasiado trabalho e implica sacrifício, coisa que não consta no dicionário dessas pessoazinhas.
    Infelizmente também tenho umas quantas na família e só me dá vontade de as esbofetear!
    Espero que quando a paciência se esgotar, não sobre para ti, que tens dado tanto de ti e feito tanto pelos outros.
    Um grande, grande abraço! Força!

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  14. Raiozinho,

    Ignorar é coisa que não sou capaz de fazer. Chateio-me sempre. Gostava de ter calma, a sério que gostava, mas as injustiças são coisas que me fazem sair do sério.

    Bjs

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  15. Naná,

    Sê bem-vinda!

    Olha que, às vezes, julgo que a vida pode ensinar garndes coisas às pessoas; é pena que as pessoas não estejam dispostas a aprender.

    Não creio que algum dia ela reflicta sobre tudo isto. è a minha sina, que se vai fazer?

    Bjs

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  16. B. Cérise,

    Estoua ver que conheces bem este sentimento.

    Há que inspirar e experimentar e ver se não me passo da cabeça...

    Bjs e vê lá se descansas!

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  17. Pois, eu falo em ignorar como se fosse fácil e eu fizesse igual.
    A minha situação sogra já é tua conhecida. A ajudar à festa há uma cunhada que sim, está longe, mas não é noutro país ou planeta. Mas às vezes julgo que sim. A fulana vai para dois anos que não vem cá, que os avós não veêm os netos, enfim, fico também assim a pensar que apesar da peste que a mãe é, não merece, ainda para mais quando ela é e será sempre a menina linda que leva tudo e mais alguma coisa e o irmão é o escravo de serviço e nem um obrigada. E no entanto eu entendo-o quando ele me diz "não consigo fazer aos meus pais o que a minha irmã faz". E tem toda a razão e tem o meu apoio. Porque chatices e neuras à parte, sei que se o que aconteceu o ano passado voltasse a acontecer (um acidente, uma doença) eu não faltaria com ajuda, mesmo que seja coisa que ela não mereça.
    Fazemos o que a nossa consciência e coração ditam. Há situações e atitudes que nos revoltam e magoam, mas no fim de contas, estamos sempre lá quando é preciso, porque é assim que somos. Tristes dos que se aproveitam disso e nos tomam por parvas.
    Bjinhos e espero que esteja tudo bem

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  18. Raiozinho,

    é oq ue dizes no último parágrafo. Ainda que seja má esta situação com a minha cunhada, pior seria viver de mal com a minha consciência.

    Portanto, é melhor viver de consciência tranquila do que ignorar a siuação como a minha cunhada faz.

    Ela lá sabe, e eu também. Já que não posso fazer nada em relação a ela, peço a Deus que me dê muita paciência e calma.

    (vai estando tudo mais ou menos. A precisar muito de férias)

    Bjs

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  19. Bem, mas pelo menos o namorado dela também já se apercebeu disso e chama-a à atenção. Ao menos isso!

    Vou tentar descansar, mas parece que está difícil. Hoje vou dar um salto à praia para arejar as ideias.

    Beijinhos*

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  20. Quando falei em ignorar, não era a situação mas a tua cunhada. ignora, não ligues a provocações e coisas que tais.
    No entanto há uma coisa que tens e eu não tenho: reconhecimento. E isso vale os sacrifícios que se fazem. Porque é muito mau esforçarmo-nos e sacrificarmo-nos para cuspirem em cima, como me acontece.
    Bjinhos e as férias não devem tardar... já eu, nem vale a pena pensar na palavra férias ;)

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