quarta-feira, 22 de agosto de 2012

nós e os outros

Habitualmente as pessoas não me ouvem desabafos. Porque não quero. Apesar de me julgarem uma pessoa extrovertida - e consequentemente, sem problemas  (acham eles) - não o sou quando toca aos meus desabafos. As palavras ficam presas na garganta e não saem. Mas voam dentro do meu pensamento como se fossem um tornado.
 
Quando tenho a infeliz ideia de soltar algumas palavras sobre o que me apoquenta mais no íntimo, vejo espelhada na cara das pessoas a incredulidade. Não bastando isto, julgam que os meus problemas são muito mais fáceis de resolver do que qualquer pessoa à face da terra. Então, pegam em tudo o que lhes parece solução e tocam de debitar conselhos. Fico calada e aguardo o momento em que lhes direi que julgam que eu não pensei já nisso, que vi a inviabilidade do conselho. Por fim, acham que é má vontade minha em aceitar os conselhos que me dão. Talvez seja.
 
Como diria a sabedoria popular: se os conselhos fossem bons, ninguém os dava- vendia-os! Somos muito bons a solucionar a vida dos outros, mas demasiado maus a ver as soluções para os nossos problemas. E, às vezes, estão defronte do nosso nariz. Ali à beirinha de se resolverem. São soluções radicais que nem sempre são muito convenientes de tomar.
 
 
 

4 comentários:

  1. Essa história dos conselhos é muito boa quando não somos nós que estamos na situação. Muita gente não consegue 'calçar os sapatos dos outros', mas gosta de meter o bedelho onde não é chamado para dar a sua opinião. É verdade que me parece que a maioria das pessoas não o faça com má intenção, mas não resolvem nada e muitas vezes só chateiam...

    Beijinho*

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  2. B. Cérise,

    Muitas das pessoas não fazem por mal, mas as que nos conhecem bem já deveriam saber que nós já explorámos todas as ideias e verificamos que não servem. Ainda mais que não estamos sós neste "barco".

    resta ouvir, calar e seguir em frente.

    Bjs

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  3. Minha querida Alice, é sempre mais fácil dar soluções aos outros, do que as pensarmos, para nós próprios. Sempre foi assim e sempre assim será. Mas tal como dizes as pessoas nem fazem por mal, está na nossa essência de ser humano. E os nossos problemas são sempre muiiiito maiores e mais importantes que os dos outros, verdade? ;)
    Beijinhos grandes.

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  4. Querida Manuela,

    Estás certíssima no que dizes (como sempre).

    Não acho que tenha problemas maiores do que os outros, Acredito que há quem os tenha bem piores que os meus. Sinto-me feliz por ter o mínimo indispensável para viver, ao contrário do que está a acontecer a muita gente, infelizmente. MAs não posso deixar de ambicionar outras coisas já que tenho a felicidade de ter estas. É aí que está a minha luta. A vida não é feita de sonhos?O que me apoquenta é pensar exaustivamente numa solução, achar que já fiz tudo o que podia, e sentir que já não posso fazer mais nada. Deixar nas mãos da sorte é complicado.

    Mudar de vida ou mudar a vida exige soluções que temos de saber se nos servem ou não. É aí que sinto o peso dos problemas;
    na impotência de chegar onde quero, depois de pensar em todos os meus recursos.

    beijinho

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