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diferente entre as outras, mesmo que eu não queira sentir-me assim

Em cinco quatro anos (já não sei a quantas ando...) de tentativas muito regulares, nunca aconteceu. Há um ano atrás, iniciava o primeiro tratamento que tinha tudo para dar certo, e não deu. Não vou dizer que desisti de querer ter um filho, mas deixei de acordar ou de me deitar  a pensar no assunto. Temo-nos um ao outro, e não sentimos que há menos amor por não haver um filho. Não me tornei obsessiva com isso, mas já me senti diminuída. Há dias que ainda sinto. Hoje foi um desses dias.
Numa festa de aniversário em que todos os casados eram pais, e impreterivelmente o tema passa pela escola, pelos problemas que os filhos dão, as coisas engraçadas. Estive sempre à margem da conversa, participando esporadicamente contando um ou outro exemplo dos filhos das colegas de trabalho. Não vou dizer que não senti dor, mas senti também dentro de mim uma certa resignação que antes era uma espécie de inferioridade. 
Estava uma mãe presente com uma criança que necessita de cuidados especiais. Sei o que as pessoas comentavam quando era ainda uma bebé. A ignorância das pessoas que não passam por isso é cruel. Acredito que aquela mãe ainda sofrerá um certo estigma por parte da sociedade, mas que lhe importa isso se é feliz. Ela disse-o. Ela demonstrou-o. 
A escolha de não ter filhos não é só nossa. Tal como a de ter filhos bons, maus, bonitos, feios, inteligentes ou com deficiência também não é. Há quem tenha maior ou menor facilidade em aceitar isso. 
O assunto dos filhos está mais ou menos bem resolvido na minha cabeça. Ainda não está na cabeça dos outros. É essa a parte que  torna o problema um pouco mais difícil de lidar, porque há sempre uma pergunta para a qual ainda não treinámos a resposta.



Comentários

  1. Há outras soluções. Pensem nisso com carinho.
    Beijos

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  2. O que importa é que vocês se sintam bem... o resto... é esquecer!
    Sejam Felizes!!!!
    Podem sempre adoptar, existem tantas crianças a precisarem de um lar e de muito amor...
    Kisses

    ResponderEliminar
  3. Não podendo mandar no destino (e que bom que seria...), devem aproveitar todos os momentos a dois. Isso é muito importante.

    Quanto à ignorância dos outros e às suas perguntas, não as podendo evitar, é dar-lhes a importância que merecem. É difícil, mas acredito que é possível.

    Um beijo grande

    ResponderEliminar
  4. Alice:
    Venho cá hoje dizer que sinta o que precisar sentir hoje! E faça o que precisar fazer!
    Borrife-se nos outros, e não é fácil, mas borrife-se.
    As pessoas continuam a não perceber que o facto de se sentir triste e desiludida um dia, que o seu humor seja alterado vários dias pela dose de hormonas que toma e que pode precisar de tempo, de parar e até se resignar não faz de si coitadinha.
    Concentre-se em si e nas batalhas que quer travar. Força!
    Sempre que poder virei apoiá-la!

    ResponderEliminar
  5. Sofro de infertilidade secundaria. Dizem-me que não é a mesma coisa, porque pelo menos já tenho uma filha. É verdade, mas isso não diminui o meu sofrimento.
    Aquilo que me ajudou em certos momentos foi pensar que se tivesse engravidado em certas alturas não tinha podido fazer certas escolhas profissionais. Nao sei se isto ajuda. A mim não me ajudou sempre, mas ajudou as vezes.
    É dificil... E eu sinto que nada do que me dizem ajuda. Bjs

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