terça-feira, 9 de outubro de 2012

Piadas de mau gosto

Há coisas que acho proibido gracejar numa relação entre duas pessoas. Principalmente quando ela está no início.
Namorava com o meu marido há poucos meses, quando um desses gracejos (proibidos) aconteceu. Não conhecíamos a família de cada um, onde vivíamos, com quem nos relacionávamos fora do meio académico. Numa ida ao cinema fomos abordados por um amigo dele lá da terra, afirmando de uma forma bastante séria e convicta, que ele tinha uma namorada lá e outra na universidade. Juntou mais uns gracejos de mau gosto e o que ele queria resultou bem: uma noite estragada e repleta de desconfianças. Certo é que, passados quase vinte anos, continuo a ter muita dificuldade em me dar com o tal "amigo", que vejo frequentemente nas idas ao meu sogro. 
Quando a relação se fomenta, nem sempre fazemos ouvidos moucos ao que nos dizem, não conseguimos destrinçar a maldade nas palavras. Quando nos sentimos inseguros, é impossível alhearmo-nos do que nos dizem.
Nunca percebi a necessidade que os outros têm de minar relações com bocas foleiras e pingas de veneno. Depois deste episódio, não me lembro que tenha havido nenhum com tanta maldade com o dessa vez. Até esta semana. Estávamos sentados numa tasquinha prontos para jantar, aborda-nos um elemento dos Bombeiros  com quem raramente falo, e começa com a insinuação do género: Da última vez que te vi, não foi com ela que estavas. Oferecemos o nosso sorriso amarelo ao fulano e continuámos a petiscar as azeitonas, ignorando-o. Ainda tentou uma segunda abordagem, mas não lhe cedemos qualquer hipótese de avançar. Existiu um pormenor diferente da outra vez em que isto aconteceu: confiança. Acredito que se me sentisse vacilar- tinha os olhos postos em mim a observar-me a reacção- atacaria até nos estragar a noite.

Só não consigo perceber onde é que as pessoas querem chegar com estas abordagens, principalmente, quando nós não os conhecemos de lado nenhum nem eles nos conhecem. Às vezes, acho que as pessoas vivem numa relação de desconfiança e querem que os outros vivam no mesmo sufoco. Só pode ser isto.



6 comentários:

  1. Não tinha ainda lido o teu último parágrafo e era exactamente isso que estava a pensar. Esse tipo de pessoas tenta descarregar as suas frustações nos outros, talvez para não se sentirem tão sózinhos. Também não compreendo. E acho que a base dos mexericos (seja no trabalho, seja no meio onde vivemos) é também essa.

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  2. Uma falta de senso desgraçada é o que têm essas pessoas e uma murro nas fuças é o que mereciam!

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  3. Armados em engraçadinhos esses pseudo-machões!

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  4. Também vivi umas situações parecidas e sabes o que disse ao tipo? Tu alimentas-te das tristezas e inseguranças das outras pessoas, não é? ARRANJA UMA VIDA PARA TE ENTRETERES! Foi remédio santo! :)

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  5. realmente MUITO desagradavel. Eu acho que respondia torto ao bombeiro

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  6. Que atitude tão estúpida. Não sei o que passa na cabeça de alguém para fazer piadas dessas.

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