segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

não é fé, é desespero

Sempre ouvi dizer que, por desespero as pessoas fazem tudo.

Esta manhã, tal como muitas outras do último ano, me questionei se algum dia poderei ser mãe. Se algum dia o conseguirei ser. A ampulheta do tempo parece agora trabalhar mais rápido. Todo o tempo parece curto.
A maior parte do tempo vivo resignada e abandono-me à ideia que não é possível que seja mãe. Escondo a minha vontade atrás das tentativas falhadas.
Outros dias há, que esquecemos as promessas de não pensar no assunto, e pensamos se já fizémos tudo o que havia a fazer.
Já nem sei bem o que fazer. Hoje,  dei por mim a contradizer-me na certeza de que nunca faria promessas a entidades divinas. Daquelas promessas de ir a Fátima a pé, ou oferecer velas seja lá de que tamanho for, ou percorrer altares de joelhos. 
Sempre acreditei que o Universo nos devolve na medida do que fazemos. Nunca acreditei em negociações com entidades divinas, do género" eu faço isto, se me deres aquilo". Não acredito que sendo Maria mãe,  gostasse de ver um dos seus filhos a sofrer joelhado a pagar promessas. Continuo a acreditar que só fazendo boas acções, o universo nos trará boas energias. Acho que primeiro devemos dar, para depois podermos receber.

Sei que não penso como uma pessoa de fé. Que acredita que basta pedir e ser-nos-á concedido. Eu continuo a acreditar que podemos fazer muito mais pela Humanidade do que promessas que, ao se concretizarem apenas nos beneficiem a nós.

Hoje dei por mim, e confesso, mais por desespero que por fé, a pensar numa dessas promessas egoístas. Em que entraria numa negociação com uma entidade divina. Porque, por desespero, começo a pensar em tudo até naquilo que sempre fui contra.
Estou numa espécie de problema de consciência. Aquilo porque sempre acreditei contra o desespero de querer ser mãe.

8 comentários:

  1. Não quero dizer que "vale tudo", mas a verdade é que penso que devemos apelar ao que achamos que nos pode ajudar. O desespero tem destas coisas! Se és uma pessoa de fé, não será um pedido vazio nem egoísta.

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    1. Não sei se sou uma pessoa de fé, mas sou certamente uma pessoa desesperada.

      E continuo a achar que ter fé não nos dá o direito de fazer "contratos" com entidades divinas. Posso estar errada, mas é esta a minha forma de pensar. :)

      Beijinho

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  2. Bem sei minha linda há dias assim, mas haverá dias em que teremos mais "paciência" (e se calhar já te começo a irritar com esta palavra que deixo em cada comentário, desculpa) mas é o que experiência me tem ensinado há que saber esperar, cada coisa nesta vida tem o seu tempo.
    Um exemplo que conheço, a minha sogra esperou uns longos 16 anos, e teve o seu filhote, eu quando comecei a ver que estava a demorar tempo disse "mas eu casei bastante mais velha, não tenho 16 anos para esperar" se calhar devia ter mordido a língua ;) Deus é que sabe todas as coisas, e tenho Fé que com ou sem ajuda extra tudo será no tempo dele, e eu tenho de esperar e enquanto isso tentar ser o mais Feliz possível.

    Desejo-te o mesmo que sejas muito Feliz enquanto esperas, e já imagino os posts maravilhosos que iremos fazer sobre os nossos rebentos :)

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    1. Mar,

      Não irritaste nada em falar em paciência. Não precisas pedir desculpa. A vida é mesmo assim, há que saber esperar.

      Deveria ser muito engraçado que nos acontecesse Às duas em simultâneo.

      Tu és uma pessoa de fé; sei o quanto isso te aconchega o coração.

      beijinho

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  3. Oh pá!
    Eu ao contrário de ti, começo a acreditar que Ele não existe.
    De vez em quando dou comigo a pensar, como é que é possível eu ter duvidas em relação a isso. Mas, o que é certo, é que sempre na minha vida me tentei reger por o que essas entidades divinas e, se ele existisse, saberia, que o meu desejo maior é ser mãe. Se ele soubesse, não iria dificultar-me assim tanto esse meu desejo.
    Hoje em dia, acredito com toda a minha força, que se alguma vez engravidar, não será graças a ele mas sim, graças à ciência, à medicina. E ele não terá nada a ver com isso.
    Por isso, duvido. Não é legítimo?
    Talvez, um dia, consiga novamente acreditar nele, como até há algum tempo acreditava.
    Bjo*

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    1. ladybug,

      às vezes os acontecimentos fazem-nos deixar de acreditar. Sei que sim.

      Sinceramente, nem sei bem em que acreditar. Seique a medicina tem um papel fundamental aqui, mas enquanto não recomeço tudo, que muito custa, gostaria de evitar que a medicina interviesse.

      Gostaria que tudo fosse mais fácil e o tempo a passar não ajuda nada.

      Beijinho

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  4. Mais uma forma de pensar na qual me revejo. E sim, na hora do desespero, seja lá pelo que for, apelamos até àquilo que conscientemente e na posse de toda a razão não acreditamos. Já dei por mim "a rezar" por um trabalho nos longos meses de desemprego.
    Porque há momentos em que a teoria do retorno nos parece demasiado irreal, porque sabemos o que damos e quanto damos e tão pouco retorno temos...
    Com entendo, ainda que despoletada por motivos diferentes, essa angústia e desespero. E só espero e continuo a desejar que chegue o dia da boa nova. E pode ser 2013 o ano de sorte ;)Acreditar até ao fim...
    Bjinhos

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    1. É complicado este assunto.muitas vezes nem sabemos bem em que acreditar. fazer por nós algo que não está nas nossas mãos é complicado. Comparada com outras pessoas sei que não sou pessoa de fé. A minha rege-se nos princípios religiosos como a de quase toda a gente. É daí que vêm os nossos princípios éticos e morais, mas fé como a que vejo em muitas pessoas, não acredito tê-la. Não posso, não devo, confundir fé com desespero.

      E 2013 irá ter coisas boas. Vou fazer por isso.

      Beijinho

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