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Ontem e hoje... e amanhã?

Quando cozinhar não era moda mas uma necessidade, lembro-me de folhear um calhamaço de culinária que tinha sido presente de casamento da minha mãe. Recebeu-o há quase 38 anos.
O livro é vermelho, as páginas sempre me lembro de estarem amarelecidas- portanto, creio que o tempo só agudizou o aspecto de raiz. O título é, se não me falha a memória , O Mestre Cozinheiro - Colecção "Laura Santos" (hei-de tirar uma foto quando fôr à minha mãe). Nele constam ensinamentos como os de bem receber à francesa, algumas sugestões para pessoas com diversas maleitas relacionadas com alimentação, ensina preparar lanches ajantarados, sugestões de vinhos, e algumas regras de etiqueta. Digamos que era a enciclopédia da culinária. Aquele livro seduzia-me. Ainda não havia Bimbys, os robots de cozinha eram rudimentares, e as mulheres estavam em casa, ao dispor da família.
Lembro-me de tentar fazer umas bolachas desse livro, e chorar no regaço da minha mãe, pois tinha feito tudo bem, mas se tinham colado ao tabuleiro. Hoje entendo que me faltava o saber, e que há passos que não se podem improvisar, porque não há improvisos que salvem uma receita.
Quando fui morar para a minha casa, fui adicionando alguns livros de culinária por gostar de fazer receitas diferentes . Sempre gostei, não foi pela moda. Agora faço-o muito esporadicamente. de que me valem os livros se eu mal tenho tempo para cozinhar? quanto mais tempo para experimentar...
Cozinhar, para mim, é sempre melhor que seja sem pressas ou obrigações. Torna-se um fardo quando é imperativo fazer muito em pouco tempo. O pior da cozinha não é lavar ou secar loiça, é pensar o que fazer para as refeições..
Em casa da minha mãe, sempre houve - e ainda há- comida fresca e variada a todas as refeições (sou uma sortuda, eu). Ao longo destes anos de casada, tentei ser uma cozinheira prendada, tal como indica o livro que falei acima, mas começo a não ter disposição para me dedicar à cozinha. Quando chego a casa tenho as baterias no vermelho. Ultimamente acontece muito. Confesso que não me está a apetecer fazer comida e congelar, para toda a semana. Primeiro porque não sabe ao mesmo, depois porque não dá para variar tanto, já que nem tudo se pode congelar. È um desconsolo.
Não sei a Laura Santos se, sendo viva (que não sei se é), goza de saúde para escrever um livro para ajudar as donas-de-casa (palavra que já não faz muito sentido) modernas. Tinha, pelo menos, uma devota leitora.

Comentários

  1. É o sinal dos tempos... se há coisas que evoluíram para melhor, também há coias que infelizmente regrediram...

    Beijinhos :3

    ResponderEliminar
  2. Concordo plenamente que cozinhar deve ser um prazer ( como comer) e não uma obrigação. E também sofro um pouco do que diz no texto. Eu adoro cozinhar, principalmente pastelaria, também influenciada por uma familia de cozinheiros de mão cheia que viveram 18 anos em França com um livro vermelho, pesadão, em Françês. E sendo uma coisa que me sabe bem, não tenho tempo para nada. Nem me sabe estar a fazer as coisas com o tempo contado que sai mal, e também acontece que muitas vezes esqueço me do que tenho de deixar adiantado. E depois, o que me acontece frequentemente, andar à imenso tempo a planear qualquer coisa, comprar ingredientes mas falta sempre kk um essencial... Perco logo a vontade.


    Boa quarta feira

    http://thedailymiacis.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  3. Eu adoro cozinhar doces e bolos, isso sim. E geralmente consigo a proeza de fazer um bolo e deitá-lo abaixo sozinha numa tarde. Não sou um espanto?

    ResponderEliminar

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