terça-feira, 8 de janeiro de 2013

os cães, o chefe e o medo

Um dia destes, uma das colegas cá do trabalho fez uma analogia entre os superiores hierárquicos e os cães. Os cães, se demonstrarmos medo, mais depressa nos lançam o dente do que se mantivermos um comportamento indiferente à sua presença. Nas empresas, acontece o mesmo com os superiores hierárquicos. Se demostrarmos medo, o mais certo é que nos estejam sempre a ferrar (acredito que haja excepções, felizmente). Portanto, nada como nos sentirmos seguros e manter uma postura firme. Para isso, precisamos de estarmos confiantes daquilo do que somos capazes.

No fim-de-semana, voltei a lembrar-me desta analogia, por ter encontrado um antigo colega de trabalho da outra empresa, onde trabalhei há dez anos. É impossível não chamar à conversa os nossos elos em comum; entre eles, falámos de pessoas que já partiram, das que mudaram de emprego e das que continuam com os piores hábitos. Inevitavelmente falámos de um dos chefes, pelo mau ambiente que continua a fomentar na empresa. O medo é uma das suas armas.Ao ponto, de haver quem não regresse ao posto de trabalho, ou simplesmente desista de comparecer sem avisar.

A empresa é constituída ainda hoje por noventa e cinco por cento de homens. É normal que as mulheres sobressaiam neste ambiente. Sejam elas bonitas ou não, casadas ou solteiras, novas ou velhas, os homens comentam. [ não raras vezes assisto a conversas deste género]. No entanto, a maior parte deles passa apenas por ter "muita garganta". Ouvi, durante o tempo que lá trabalhei, elas queixarem-se. O chefe gostava muito de passar as mãos em locais menos apropriados, quando elas subiam as escadas para as misturadoras, por exemplo. Mas também sei de pedidos de comparência ao gabinete para conversas muito dúbias. Deixava-lhes também o aviso, quando elas o empurravam ou chamavam a atenção, que podiam perder o posto de trabalho ou enfernizava-lhes a vida. Algumas das vezes, assisti de perto à fúria de quem o ousou desafiar, não lhe permitindo aquele constante assédio. Nessas, em que o medo não surtiu o efeito, a situação cessou. Mas nem todas as mulheres conseguem evitar que a situação continue a acontecer, porque o temem e necessitam do emprego como de pão para a boca.

Depois da conversa que tive com o antigo colega, não pude deixar de pensar na analogia da A.. Sei que muitas pessoas podem pensar que, se elas não gostassem, o impediriam. Não é bem assim; conheço-lhes algumas das histórias de vida. Quem vive constantemente sob o jugo do medo, dificilmente consegue sair da fase do acanhamento. Quando o faz, toma posições muito radicais.

Nota: Não sou feminista. Nada disso. Acredito que também aconteça a situação inversa. Os homens é que raramente a relatam. Eu limitei-me apenas a falar do que conheço.


1 comentário:

  1. Eu perdi um emprego à custa de uma situação parecida. E porque abri a boca fui colocada na rua... mas não me calei.Não suporto injustiças e muito menos pessoas más formadas (sejam elas homens ou mulheres pois esta siuação aconteceu com uma mulher).

    Haja força de vontade para encarar o medo e não desistir do que está certo!

    Beijo bom xxx

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