quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

coisas de pai

Podia falar muita coisa sobre o meu pai. Temos feitios idênticos e o cúmulo da perfeição capaz de infernizar a vida dos mais desleixados. Assumo que isso é um binómio defeito/qualidade.

O meu pai nunca teve oportunidade de estudar para além da quarta classe, mas sabe fazer contas como muito poucos ministros das finanças fazem. E sem a ajuda de calculadoras!

Foi com ele que comecei a fazer os algarismos e teimei com ele, vezes sem conta que a perna curta do 1 devia ser virada para a direita e não para a esquerda. Exasperou-se, não percebendo, que eu achava que o 1 não devia estar de costas para a direita. Quando comecei a ver que o 6 era um barrigudo para a direita ou que o 9 era o oposto com uma cabeça bem redonda para a esquerda, é que percebi que o 1 tinha o direito de ser feito como queria.
Obrigava-me a escrever as letras perfeitas e redondas em cima da linha; curiosamente, nunca escrevi num caderno de duas linhas. O meu mestre acharia que me safava bem na escrita.
Sei que gostava de apreciar a minha letra e raras não foram as vezes, já estava eu na universidade, em que me dava uma pequena reprimenda, dizendo que já escrevera melhor, com uma letra mais bonita. Hoje, acho que podia escrever melhor, mas escrevo tão pouco à mão... 
Os campeonatos de escrita que fazíamos baseavam-se em frases bonitas ; tínhamos de escrever a frase, em que cada palavra era desenhada sem levantar a caneta. Andávamos sempre a tentar descobrir se o outro tinha feito batota. era uma diversão e uma forma de treinar a caligrafia. A minha e a dele. No fim, soltávamos meia dúzia de gargalhadas e dávamos a coisa como empatada.

Voltei a experimentar por me ter lembrado destes episódios. Só para ver se ainda me saía bem [ e para me lembrar de coisas tão boas]

8 comentários:

  1. Sao poucas as recordações de infância com o meu pai, mas as que tenho são boasssss :)

    E viva o nosso papá right!

    Beijo risonho xxxx

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    1. Paulinha,

      Também não tenho muitas recordações, mas lembro-me bem disto.

      beijinho

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  2. A minha mãe também só tem a quarta classe e até ao dia do acidente, em que ficou semi-paralisada da mão direita, tinha uma letra de fazer inveja a qualquer um. Sempre admirei a sua caligrafia e dei por mim várias vezes a imitar a sua assinatura (sem qualquer má intenção, apenas por gostar muito da sua assinatura). E tal como o teu pai, faz contas melhor que muitos (dá lições aos netos :D).

    Um beijo

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    1. carla,

      Já tinha lido coisas que escreveste sobre a tua mãe. é uma grande mulher! e estes pormenores que aqui descreveste são bons momentos no meio dos maus que sei que já passou. Daqueles que ficarão sempre na tua recordação.

      Beijinho

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  3. Gostei tanto da ternura deste texto! Também tenho recordações óptimas da minha infância com o meu pai!

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    1. Mariposa Colorida,

      Sê bem-vinda! Obrigada pelas tuas palavras.

      é óptimo quando temos boas recordações da nossa infância, com os nossos pais.

      Obrigada pela visita

      beijinho

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  4. o meu pai é a minha grande referência. conseguiu a 4ª classe no ultramar e, à semelhança do teu pai, é uma calculadora ambulante. mas, mais do que isso é das pessoas mais justas e trabalhadoras que conheço ... um pilar essencial

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    1. brisa,

      sê bem-vinda

      Ora cá exemplo de outro grande homem. e nota-se que tens grande admiração por ele, e isso é maravilhoso. Tens um grande exemplo que te acompanhará pela vida fora.

      Obrigada pela visita.

      Beijinho

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