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acidente

Já me deparei com episódios estranhos nas  auto-estradas. Pessoas que fazem marcha atrás em plena auto-estrada, gente que circula com um carrinho de bebé na berma, matilhas de cães à solta, raposas a saltitar em plena via. Eu sei lá que mais. Porém, e felizmente, nunca sofri nenhum acidente a propósito destes incidentes. Até hoje. Já relativamente perto de casa, embora ainda na auto-estrada, enquanto fazia uma ultrapassagem, a poucos metros do carro avisto um obstáculo móvel, do qual não tive oportunidade de desviar ou corria o risco de embater nas viaturas que circulavam na minha direita. Ainda tentei desacelerar, mas havia gente atrás de mim. Possivelmente terei fechado os olhos com o embate. Entrei em choque. Não podia parar em plena auto-estrada, na faixa de rodagem, para ver o que se tinha passado. Não conseguia pensar; limitei-me  a tentar controlar o choro, o stress. Acabei por ligar par a assistência, para removerem o obstáculo. A lateral direita do carro está estilhaçada do embate. e eu não estou nada menos. Nem a hidroginástica a que me obriguei a ir, ainda em estado de choque, me fez libertar esta tensão que ainda agora sinto.
Como se não bastasse, descobri ao entrar na garagem de casa, que tinha um gato junto ao motor do carro. Possivelmente, deve ter-se empoleirado no carro quando estive a ligar à assistência na auto-estrada. Só ouvia miar. Isto foi a pinga de água que fez transbordar o copo. O pânico tomou conta de mim, e eu, pessoa habitualmente desembaraçada, fiquei inerte, paralisada com a sucessão de acontecimentos.  Caramba, não morreu ninguém! Nunca pensei que tivesse de chamar os bombeiros por causa de um gato, mas foi o que sucedeu. Veio o marido - que está o serviço nos bombeiros -, com luvas contra fogo e arranhões de gato, e lá conseguiu que o animal saísse de dentro das entranhas do carro. O bicho é assustador, tem uns olhos vermelhos. uma cor estranha e não pára de miar. Estou mais assustada que ele, me parece.
Estou enfiada na cama ainda mal refeita dos acontecimentos. Amanhã tenho de preencher uma declaração amigável. Agora como é que provo que o acidente foi provocado por um obstáculo existente na auto-estrada? Quanto ao gato, vou ter de arranjar dono para ele. Só ralações, portanto. O pior que aconteceu foi mesmo o menor dos males, mas nem isso me sossega o stress provocado pela situação.

Comentários

  1. Felizmente não te aconteceu nada de mal. Saíste ilesa. Mas compreendo toda essa tensão. Tive dois acidentes, sempre por culpa dos outros e hoje o segundo que tive ainda representa um trauma para mim. Mudei com ele. O medo chega, sempre que conduzo para longe.

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    1. Jardim de Algodão Doce,

      Sim, felizmnete saí ilesa e penso que mais nenhum dos outros condutores terá sofrido também. Contudo, creio que foi bastante difícil não só a situação em si, como o facto de, eventualmente, se tratar de um animal. MAs não consegui evitar, embora o tivesse tentado.

      Felizmente em muitos quilometros de estrada a conduzir sozinha, nunca tive acidentes verdadeiramente graves. Foram chatos mas não graves. este terá sido o que mais me assustou e deixou sem reacção. Em pânico, de tal forma que me pus a gritar com o meu marido ao telefone, a explicar a situação.

      Já só queria ir para casa e esquecer, mas obriguei-me a reagir. Ainda sinto a tensão de ontem.

      Espero que consigas ultrapassar esse teu medo. Compreendo a dificuldade em o contornar.

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  2. Querida Alice, sustos desses deixam-nos quase sem pingo de sangue no corpo... imagino o teu estado pois já passei por situações parecidas. É mais uma prova que a continuidade das nossas vidas não depende somente de nós e da nossa conduta mas também pelos obstáculos que encontramos pelo caminho. O gatinho deve de estar assustado e nunca na vida imaginei ser possível um gato meter-se num sitio desses...
    Tudo há-de-se compôr e tu poderás sentir novamente calma perante coisas tão simples como andar de carro...
    Beijinhos

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    1. Susana,

      Fiquei sem pinga de sangue, e ainda estou a tentar refazer-me. Estas situações não deviam acontecer na auto-estrada; deviam acautelar-se mais.
      Creio que o atingido possa ter sido um animal, infelizmente, mas desta vez não consegui mesmo evitar; ou punha em risco uma séreie de pessoas na auto-estrada, inclusive a minha própria vida ou tentava manobrar o carro evitando o menor possível o impacto. Acreditas que, por segundos, clamei intervenção divina?

      Quanto ao gato, já arranjámos um dono. Os nervos ficaram em frangalhos de tal forma que o marido nem fez qualquer tentativa para ficarmos com ele. Já arranjámos um local confortável para ele.

      Vamos ver se começo a sentir-me mais calma. Hoje não tive medo de andar de carro, mas agora ainda estou mais cautelosa.

      Beijinho

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  3. Não costumo comentar , mas hoje não consigo não fazê-lo. Entendo tudo o que disse, e acredito que tenha passado por maus momentos. Não gostei do " não morreu ninguém", uma vez que EU ( e atenção que isto não ´+e para ser lido como crítica, apenas se trata da forma como vejo as coisas) vejo os animais da mesma forma que vejo um ser humano. Não sei se obstáculo era um animal, pela descrição diria que sim. Esse foi quem sofreu mais no final de tudo. Era ele que estava no sitio errado à hora errada. E de quem é a culpa? De quem faz as auto-estradas que deveriam estar mais "barradas" de forma a que os animais não conseguissem ir lá parar.
    Enfim, desejo que o gato arranje dono, e que este episódio seja guardado naquelas caixas que só se abrem no dia de são nunca à tarde.
    Abraço.

    Já agora...eu gosto muito do seu blog.Sou assídua na sua leitura :). Continue!

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    1. Chris,

      Apesar de estar ainda bastante perturbada quando escrevi isto, tive a noção que, muito provavelmente as pessoas que amam os animais - não estou a dizer que não gosto deles - me iriam censurar. No entanto, é fácil falarmos qunado estamos fora dop cenário "entre espada e parede". Vou ser sincera,ponderei apagar a expressão que acima cita. Contudo, resolvi mantê-la, por achar que a palavra "ninguém" estaria a referir-se ao género humano. Se tivesse escrito, "não morreram pessoas", iriam dizer: "não são pessoas, mas são animais que merecem o nosso respeito!".(Concordo) Não há maneira de conseguir ter escrito esta realidade de forma mais suave do que a que escrevi. Ou punha em risco, pelo menos, seis ou sete pessoas e a minha vida, ou desviava-me - com condução segura- do obstáculo esperando que nada acontecesse. Acredita que tenho tanto ou mais respeito pelos animais que tu, e não levei o teu comentário como uma crítica, mas como uma observação, um ponto de vista que aceito perfeitamente. Não te posso dizer com certeza que era um animal (podia ser um pneu, via-se muito mal), mas também não te posso dizer que não era. Foi tudo tão rápido e inesperado. Assim que me refiz, liguei para a assistência para tentar minimizar a situação. E já fiz uma reclamação para evitar que situações destas voltem a acontecer. Se ninguém reclamar, nunca o assunto vai ser resolvido (não quer dizer que o seja). A reclamação tem a força que tem, mas é alguma coisa. Acredita que lamento tudo isto.

      Já evitei colisões com animais, destas vez não consegui e só posso lamentar por isso. Mas tenho de admitir, que a situação podia ter sido bem mais desastrosa e eu não estaria aqui para contar este desabafo.

      Este episódio não é para ficar fechado, mas sim para ser relembrado para incutir mais cuidado em todos nós. Lamento a violência com que possa ter descrito a situação, mas não consegui suavizar uma coisa que, por si só, é grave.

      Quanto ao gato, já vive confortável numa nova casa. Fiquei tão assustada quanto ele. Mas já está a ser bem tratado. Eu não poderia ficar com ele.

      Obrigada por seres leitora, obrigada pelo teu comentário e não foi minha intenção chocar ninguém. Precisava só de coordenar as ideias ao escrever o texto. O texto e a noite não formam suficiente para eliminar a perturbação.

      Abraço



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  4. Todos os acidentes, grandes ou pequenos, infelizmente deixam marcas. Fico muito, muito contente que tenhas saído ilesa (fisicamente). Quanto à recordação do que aconteceu, sei por experiência própria, que nunca se irá embora. Quanto mais não seja para lembrar que a vida pode mudar de um segundo para o outro.

    Um beijo grande, Alice. Espero que hoje estejas um pouco mais tranquila.

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  5. Como entendo a aflição. Ainda não tive anda demais mas dos sustos que já tive demorei a recuperar. Uma altura foi com um pneu que me rebentou em plena descida na auto estrada, com um camião atrás de mim, o carro a fumar e derrapar. Consegui por o carro na berma. Mas só dei pela coisa depois , quando finalmente chegou o meu pai (porque foi perto de casa) para me ajudar. Até me tremiam as pernas.

    No outro dia ia batendo num gato num cruzamento, e desde ai, como ano muito pela nacional desde as portagens, ando mais atenta e nas zonas de mais confusão desacelero. Mas imagino o peso que não será porque se eu com um "ia" fiquei a chorar que nem uma Madalena, preocupada com o animal, imagino se tivesse embatido. Os animais a mim custam-me mais que as pessoas. E já para não falar dos seus danos fisícos e psicológicos.
    Mas isto é seguir em frente, não podemos parar.

    Ainda bem que o gato arranjou dono. No fundo de tanto azar, fez-se uma boa acção que foi encontrar um canto a um gatinho abandonado.

    Beijos e muita calma

    Sofia G

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  6. Minha querida Alice,
    Estes susto mexem e muito connosco. Imagino como deves ter ficado :/
    Na estrada já apanhei muitos sustos ... mas gato no motor nunca me aconteceu ... coitadinho do bichinho deve ter ficado tão assustado ... mas eu não ia tb saber o que fazer se me acontecesse tal :/
    Beijinhos grandes

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  7. Realmente tiveste um azar do caraças, mas são coisas que às vezes não se pode evitar senão as consequências ainda eram piores. Por acaso nunca me aconteceu nenhum acidente e ainda bem porque ficaria exatamente como tu.

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  8. É mesmo de ficar em pânico, bolas... Eu adoro animais mas isso são situações que não se podem controlar e acontecem a a qualquer um. Imagino só o susto que apanhas-te. Mas bom, tu estás bem é o que interessa. Acalma-te mulher. Bjs

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  9. Caramba, andas muito em auto-estrada? Nunca vi um décimo das coisas com que já te cruzaste por lá.
    Isso de provar que o acidente foi provocado por um obstáculo é difícil. Nós pagamos à Brisa, mas eles nunca se responsabilizam por nada. Eu já tive dois despistes (sozinha) em auto-estradas: da primeira vez provocado pelo rebentamento de um pneu; da segunda vez por óleo na auto-estrada. Achas que se responsabilizaram pelo segundo? Ainda queriam que eu pagasse os danos nos rails.
    O que é que aconteceu ao gato? Arranjaste dono? Olhos vermelhos? Se calhar ficou doente... :-S

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  10. É o calor que os atrai coitadinhos... acontece a muitoooos!
    Pelo menos esse ficou bem :)

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