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aturo cada coisa

Cada vez mais acredito que este novo termo de "segunda adolescência" se adequa muito bem aos tempos modernos, em lugar da chamada crise de meia idade. Os casamentos [ ou relações similares] estão a desfazer-se à velocidade da luz (exagero, eu sei). As mulheres estão cada vez mais soltas e oferecidas e os homens agradecem. Sexo sem compromisso parece aquilo que todos desejam. Quando o objectivo é o mesmo, para quê perder tempo, pensam todos. [já falei disso, algures aqui no blogue, mas confesso que a área comportamental me fascina. fica mais este registo.]

Ontem, nas aulas de dança, um dos meus pares habituais, que já perdeu qualquer réstia de timidez- e eu não contribuí absolutamente nada para isso -  estava ansioso por me contar as suas últimas aventuras. Estava embevecido pelos elogios recebidos nos seus últimos encontros com mulheres. Porém, assustava-se com as investidas delas; partir do primeiro encontro para a cama era rápido demais. Sentia-se nas nuvens pelos elogios rasgados que recebera. Sei que não me contou mais por decoro, mas já me tinha apercebido que anda muito mais arranjado. isto é um claro sinal que a sua auto-estima está a crescer. Quando tudo isto se tornar monótomo, como será?

Outro dos meus pares, tem um comportamento como o dos cães ao marcarem o seu território. Não quer deixar outros homens chegarem perto de algumas mulheres. Fala do amor, fala dele e depois - mesmo tendo um divórcio de oito anos-, continua a viver no passado, choramingando que a ex-mulher lhe fez isto e aquilo, além do grande peso que lhe pôs na cabeça. Depois de alguns minutos com ele, já se está à beira de um ataque de nervos. Nem toda a gente tem estofo para o aturar. Ontem estava desanimado, e só faltou chorar. No entanto, a sua auto-estima sofre oscilações para extremos opostos. Quando resolve armar-se em macho, acha-se o melhor homem do pedaço (não podia estar mais enganado; o mais giro que por lá anda, parece não querer nada com mulheres, para decepção de algumas- parece ter outras preferências).

Há ainda a quem faça confusão, o meu marido deixar-me ir ali sozinha (não percebo porquê, já que a confiança faz parte da nossa relação e faço tudo para que nunca venha a ser quebrada). Estou ali para aprender a dançar, não para jogos de engate. Demarco muito claramente a minha posição, já entendida pela maioria.

Do outro lado da barricada, há mulheres que vão marcando os homens que lhe interessam. Escrevem bilhetes com números de telefone e distribuem, convidam para um copo, vestem-se como as filhas adolescentes.

Mas será que anda tudo doido, com as hormonas aos saltos? Julgava eu que a idade da parvoíce era por volta dos catorze, quinze anos. Quanto tempo durará esta segunda adolescência?

Sim, aquilo é uma escola de dança, emboara não pareça. Temo quando vier o verão e o calor fizer tirar a roupa a algumas destas pessoas.

[pronto, eu confesso que me divirto a ver e ouvir estas histórias que também me vão servindo de exemplo]

Comentários

  1. É uma escola de dança que certamente daria inspiração para uma novela :D

    Gabo a tua paciência para os ouvir. Não sei qual seria a minha reacção se me fizessem esse tipo de confidências... pelo menos corar, corava.

    Um beijo

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    Respostas
    1. carla,

      Uma novela não sei, mas eu confesso que me vou divertindo desde que não sobeje para mim. às vezes, eles bem tentam, para demarco bem a minha posição.

      Quanto à paciência, acreditas que é estranho, mas as pessoas acabam por me contar a vida delas toda, ou quase, sem eu perguntar nada? Aqui na empresa há quem ache que devia ter ido para psicóloga já que consigo ver o outro lado da coisa e antever situações.

      Esta situação não é tão nova assim para mim; quando era adolescente os rapazes vinham contar-me os seus amores e desamores.era estranho. não me perguntes porquê, que eu não sei responder.

      tento manter-me serena e a maior parte das vezes não se nota o meu rubor, por ser morena. e ainda há os piropos que, às vezes sofro, e que nunca levo a sério, não dando abébias.

      beijinho

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  2. "o mais giro que por lá anda, parece não querer nada com mulheres, para decepção de algumas- parece ter outras preferências)." - e faz esse rapaz muito bem, ahahahaha! :P

    Tou a brincar, acho que cada sabe de si.Por vezes as aparências ludem e pode ser o caso.

    Mas concordo que as mulheres na actualidade estão tanto ou mais atiradiças que os homens! Creio que casamentos e relações similares se desafaçam rapidamente não porque antigamente as pessoas não o desejassem, mas porque agora existe muito maior abertura e aceitação por parte da maioria das pessoas. O casamento para toda a vida tornou-se uma utopia. E mesmo os casamentos que ainda resistem, muitos é por comodismo ou porque o sentimento evoluiu para outra forma bonita de amor, que não sendo amor de namorados/amantes, também é bonito e de louvar.

    Sexo sem compromisso? Que grande m****! :/
    Detesto isso e passo bem sem ele...! >/////<

    Beijinhos :3

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. João,

      Ia eu dar-te as boas vindas e afinal descobri que já te conheço. :) Já és comentador habitual embora com outro nome.

      O facto de o rapaz parecer ter outras preferências, é uma mera suposição e influenciada por comentários de outrém, tenho de admitir. Eu não sou nada contra que ele as tenha. Não costumo falar desse tema controverso, que é a homossexualidade, para a maioria das pessoas, mas perfeitamente normal para mim. Mas já que se falou nisso, posso afirmar aqui sem qualquer prurido ou constrangimento, que cada um pode adoptar a religião que quiser, o clube de futebol que gostar, o partido político que quiser e a maneira de viver o amor e a sexualidade como melhor se sentir. neste caso, em particular, não me interessa nada que um homem aprecie outro homem e queira viver com ele a vida, ou uma mulher com outra mulher. Eu optei por querer uma relação heterossexual e ninguém tem nada com isso. No entanto, a nossa liberdade começa onde acaba a dos outros. portanto, sejam casais hetero ou homossexuais devem saber comportar-se em sociedade. ninguém tem nada a ver com as nossas escolhas sexuais. Assim sendo, exigem-se comportamentos decentes em qualquer um dos casos. Não aprecio igualmente um homem e uma mulher em comportamentos indecentes e também não o aceito em casais homossexuais. O saber estar nada tem a ver com a nossa inclinação sexual.

      Todos devemos aceitar a diversidade. E todos devemos ter o nosso espaço na sociedade sem comportamentos alienáveis. Pensando eu assim, depois não esperem que aprove actos escandalosos em praça pública e me digam que tenho atitudes de discriminação: não aceito esses comportamentos seja a quem for. Saibamos todos comportar-se.

      em relação à segunda parte do teu comentário, concordo que as mulheres estão mais desinibidas e nem sempre os homens sabem lidar com isso. e sim, agora a abertura é outra e a emancipação da mulher torna isso muita mais fácil.
      Quero pensar que casamentos para toda a vida não são utopia. Todos os dia por estes lados se trabalha o casamento. Alimenta-se de pequenas coisas. Se foi sempre assim? Não, devido a algumas circunstâncias da vida. Mas voltámos a retomar a consolidação do amor e todos os dias é um renascer desse sentimento. estou casada há quase oito anos, e sinto que o amor está mais vivo que nunca.

      Também acho que sexo sem compromisso é como comida sem tempero. Mas cada um faz o que lhe aprouver. A alguns isto custa-lhes a alma.

      Beijinho

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