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dois modos diferentes de ver as coisas

Sei que há coisas que me custam um bocadinho a esquecer, por muito que pareçam não ter importância. Ao longo do tempo, tenho tentado dar mais importância ao que vale realmente a pena e esquecer o que é acessório. Isto é a propósito de uma conversa que se passou entre mim e a minha cunhada- a mulher do meu irmão- de quem gosto muito.

Só voltei a casa na segunda, por causa da Páscoa na casa do meu sogro. Apenas pude receber o meu afilhado lá em casa, na segunda à noite. É tradição a visita dos afilhados aos padrinhos.
Já passaram dois dias e este assunto já não devia pairar aqui. De vez em quando, os mecanismos cerebrais fazem a memória  trazer isto à tona. Talvez porque nas últimas semanas tenho tido conhecimento de casais que tentam engravidar e não conseguem.

O deleite do meu sobrinhito - que ainda não tem 3 anos - é brincar com uns gatos de madeira que tenho na mesa da sala. Mal entra, senta-se no tapete, e posiciona os gatos e cria conversas entre eles. A mãe diz-lhe que ele tem de pedir licença para mexer naquilo que é da madrinha. Docemente pergunta, e eu dou-lhe o meu consentimento. Adoro tê-lo por ali e travo o meu pensamento para que não vá mais longe, porque não quero que siga a linha que evito a todo o custo. Mas a tarefa torna-se mais difícil com o mini-diálogo que se segue.

Cunhada: Tens sempre tudo arranjado, nada fora do sítio, que até parece que não mora cá ninguém. Já eu...
Eu, para não ir mais longe: Infelizmente não tenho [criança] que desarrume.
Cunhada, a encolher os ombros: Pois...

Sei que ela não trocaria a arrumação por um filho. Sei bem o quanto eles o desejaram e o quanto é amado. Felizmente, não sabem o que é a vida sem ter filhos. Eu também não concederia essa ideia mas, vou aprendendo, todos os dias.

[o meu irmão e a minha cunhada foram os primeiros a dar apoio nesta questão; julgam que um dia acontece o milagre. Eu, todos os dias, penso que se outras pessoas conseguem viver com essa realidade, eu também saberei viver. Já decidi há algum tempo que não deixarei de ser  feliz por isso. não podemos ir contra o que a natureza quer. se nem "à força" foi possível, mais vale não remar contra a maré.]

Comentários

  1. Respostas
    1. Mel,

      Obrigada. um dia destes habituo-me a estes contratempos.

      Beijinhos

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  2. Beijo grande !!
    E olha que por vezes os milagres acontece quando menos esperamos :)

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    1. Ângela,

      Obrigada. Não vou negar que gostaria que o milagre acontecesse, mas a probabilidade começa a ser cada vez menor.

      Bjs

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  3. Pensa no que te faria realmente feliz...

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    1. Opinante,

      E é isso que tenho andado a fazer. Este episódio foi uma espécie de pontapé numa pedra do caminho.

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  4. Olá Alice
    estou exatamente no mesmo barco. A aprender a viver com esta realidade e a ser feliz. Porque acredito que desta forma será bem mais fácil seguir em frente.
    Muita força.

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    1. Anónimo/a

      Acho que saberás tão bem como eu que, umas vezes conseguir em frente outras tropeçamos, mas vamos vivendo com o que temos; se é assim que tem de ser, não fiquemos a olhar para o ontem que esse já passou.

      Bjs e força também

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  5. Há situações para as quais apenas posso oferecer o meu ombro para conforto. Esta é uma delas. Está sempre disponível.

    Um beijo muito grande Alice

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    Respostas
    1. Carla,

      Obrigada pelo teu ombro. Sabes como diz o ditado: Água mole em pedra dura, tanto dá até que fura.Um dia destes deixarei de ser afectada por coisas como esta. O melhor é continuar a andar, que para a frente é o caminho. Isto foi só um tropeção, mas já me levantei. Tem de ser.A vida continua.

      Beijinho grande

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  6. A felicidade virá sempre sobre outras formas

    Beijos Grandes

    Sofia G

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    Respostas
    1. Sofia,

      É nisso que tenho trabalhado e tem dado frutos.

      Obrigada. Bjs

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  7. um abracinho e um beijo enorme.
    e os milagres por vezes acontecem, e espero do fundo do coração, que o teu se concretize.

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    1. Anita,

      Obrigada pelo teu carinho. tenho andado conformada coma situação. Infelizmente situação como a minha começam a ver-se com maior frequência e é triste que assim seja. No entanto, questionamo-nos do porquê de nos acontecer a nós.

      Bjs

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  8. A vida tem muitas coisas boas e temos de pensar em aproveitá-las.
    E olha que os milagres por vezes acontecem quando menos esperamos. Quando a cabeça está livre de pressões as coisas acontecem. Um abraço apertado. :-)

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    1. Gaja Maria,

      É nisso que tenho trabalhado: aproveitar a vida e tentar ser feliz. E tenho sido muito feliz. Sou feliz! Como já disse, nem sempre é possível ficar indiferente ao facto de realmente o sonho não se concretizar, mas há que seguir em frente. Já estou conformada.

      Apesar de não haver uma explicação porque não consigo engravidar, já não espero um milagre. Realmente a natureza parece que não quer que aconteça; em cinco anos já podia ter acontecido. Estou a começar a habituar-me que será mesmo assim.

      Beijinho e obrigada

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