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situações embaraçosas

Ontem saí da hidroginástica por volta das 22h, como habitualmente. Como vou directa a casa limito-me a vestir o essencial para ir composta. Entro no carro, mando uma sms antes de dar à chave. [Depois do acidente, em que ia de olhos bem abertos e postos na estrada, tento não facilitar com o telemóvel.] Arranquei,  um quilómetro mais à frente apanho uma operação stop um pouco  camuflada. Qual é  a primeira coisa que penso assim que o senhor agente me manda encostar? Não pensei na carta verde que podia não ter, nem nos meus documentos ou nos da viatura. Já cheia de vergonha, pensei  que não tinha soutien. Contava seguir directa a casa, sem parar no caminho. Tinha tirado o casaco quando cheguei ao carro; sem ele sentia-me mais exposta. O raio deste pormenor só se começou a desvanecer do pensamento quando o senhor agente da autoridade me pede a carta verde, e eu não encontrava a de 2013. Lembrei-me que a podia ter deixado no escritório, quando tive de tratar da declaração amigável para pôr os papéis ao seguro. O papel lá estava guardado dentro do envelope. O polícia até ajudou a procurar. Depois veio a estocada final. Saia da viatura, para fazer o teste do balão. Voltou o pensamento estúpido de não ter o soutien vestido. Ainda com o cabelo molhado, fingi que tinha frio e cruzei os braços à frente do peito. Estava mais tranquila com o teste do álcool do que da falta daquela peça de roupa interior. zero ponto zero. lá me dirigi ao meu carro, prontinha a sair dali, cheia de vergonha. Não sei se foi o nervosismo se foi a parvoíce do pensamento, mas desatei a rir-me à gargalhada no caminho para casa. Devia ter-me preocupado com os documentos, mas só me vinha aquilo ao pensamento.

Em dezoito anos de carta e mais de meio milhão de quilómetros ao volante, é a segunda vez que sou convidada a soprar no balão. A primeira foi no ano passado, em que quase estive para sair de casa de pijama porque só ia levar qualquer coisa urgente ao marido, nos bombeiros, já a noite ia alta. Em suma, os polícias têm cá um sentido de oportunidade. Só espero que nunca me apanhem com as calças na mão.



{isto só vem dar razão ao que sempre digo: sabemos como saímos de casa, não sabemos como entramos. desta vez não segui o meu  conselho.}

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