Avançar para o conteúdo principal

uma boa companhia e um medo silencioso

Aprontei-me para tomar conta dele. Acho que também esse é o papel de madrinha. Ainda consegui ler umas quantas páginas do livro, antes de ele acordar. O berreiro anunciado pelo pai foi mais certeiro que a chave premiada do euromilhões. "eu quero a minha mãe". Tentei manter a calma - sentir-me segura-,optei por lhe explicar que a mãe não estava e que não podia falar ao telefone. Não foi fácil explicar-lhe o silêncio, mas ele foi acalmando com as minhas explicações e fazendo-me algumas perguntas pertinentes.
[No outro dia perguntou à minha cunhada quem morava no cemitério; hoje não lhe iria explicar a morte - algo ainda tão inexplicável para mim].

Bendita Ovelha Choné que lhe ofereci, que acabou de todo com as lágrimas  e deu lugar a gargalhadas e muitas histórias inventadas. Vimos um DVD da Disney; nota-se que o Mickey é o seu boneco favorito. Diz ele que o Donald  não sabe falar nada e a Margarida fala muito bem. A Minnie tem um vestido giro, parece uma princesa.
Só me apeteceu abraçá-lo muito, muito e beijocá-lo ainda mais. Quando os pais chegaram, estávamos os dois sossegados a comentar os pequenos filmes que tínhamos visto. Ele diz que a ficha técnica que passa no final parece o filme do casamento dos pai e da mãe [já perguntou ao pai porque é que ele casou com a  mãe; já perguntou à mãe porque é que ela casou com o pai].

Fiquei contente por ter conseguido fazer melhor do que os pais estavam à espera; esperavam encontrá-lo a chorar - porque é complicado quando  não vê a mãe- e estava ele todo risonho na conversa comigo.


às vezes pergunto-me se a natureza me impossibilita de ser mãe por eu não ter capacidade para tamanha responsabilidade. Hoje ganhei terreno a esse medo de que, se calhar, não saberei ser mãe. Possivelmente , ser mãe não é instintivo. Aprende-se.




Não resisto a deixar um vídeo da Ovelha Choné. Estou fã. Muito bom. [ isto já é tão velho mas é o que acontece não ter crianças: parar no tempo]






Comentários

  1. Aprende-se mas é 90% instinto. E desculpa contariar-te mas, na minha opinião, instinto maternal é o que não te falta. lLha bem para o que escreveste e vê lá se não agiste com esse instinto...

    Um beijinho e uma boa semana, Alice.

    ResponderEliminar
  2. E como eu partilho desses teus medos...
    Sabes, acho que as mulheres que são mães também os tinham e ainda têm. Vão sendo camuflados com o tempo e com a experiência.

    Beijinho doce :)

    ResponderEliminar
  3. Ser mãe é o maior desafio da minha vida. Nem sempre se acerta, mas também nem sempre se erra. Depois os miúdos têm personalidades diferentes e com cada um lidamos também de forma diferente. Lembro-me bem da ovelha Choné :) o meu mais velho adorava ver. O pequenino ainda não liga. ;)

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Tens alguma coisa para dizer? Obrigada por partilhares! ;)

Mensagens populares deste blogue

Jardim de Chuva Prateada

hoje em dia, as pessoas têm muitos amigos no facebook. é onde têm mais amigos. Se,de repente, essa pessoa deixar de colocar posts ou likes, não mostrar as suas selfies, os amigos vão preocupar-se com isso? se calhar não. acho que impera por lá a inveja, não a preocupação... Acho que os blogues são bem mais que isso. As pessoas não são sempre felizes; quando querem, mostram a vida que realmente vivem. E, às vezes, a amizade nasce, quando nos identificamos com essa pessoa. [Bem sei que há por aí gente com mais imaginação do que vida própria.] Há cerca de dois anos, uma pessoa frequente no meu blogue, deixou de escrever no blogue dela e nunca respondeu a emails que varias pessoas "chegadas" lhe haviam enviado, inclusive eu. tinha-me deixado um apelo no seu blogue, a que depois respondi e nunca mais tive resposta. ainda hoje tenho o seu blogue na minha de lista de leituras, para o caso dela voltar. mantenho a esperança que nada tenha acontecido. Agora volto a preocupar-me com a…

ironias

O meu marido conseguiu saber/sentir primeiro que eu o que e uma epidural...
(ouvimos sempre falar de epidural aquando dos partos mas afinal, não serve apenas nesses casos)

das minhas fragilidades. tenho coisas para contar, mas hoje "roubo" palavras a outros

O momento de escrever o que Maio me trouxe e me levou, vai chegar. falarei sobre isso, quando me sentir com os pés mais perto da terra e menos de cabeça para baixo. Sem os dramatismos com que agora vejo os acontecimentos.Maio trouxe e levou. A minha vida continua um novelo com muitas pontas e poucos fins à vista. tenho de falar nisso. Porquê? porque preciso. só não sei por que ponta começar.

Enquanto as minhas palavras não saem, gostei das de outrem, que não hesitei em roubar, sem pedir licença, mas dando os devidos créditos.

Tantas palavras te disse hoje,
mas as mais frágeis reservo-as
para o dia em que te encontrar.[Deste blogue]