sábado, 27 de abril de 2013

uma boa companhia e um medo silencioso

Aprontei-me para tomar conta dele. Acho que também esse é o papel de madrinha. Ainda consegui ler umas quantas páginas do livro, antes de ele acordar. O berreiro anunciado pelo pai foi mais certeiro que a chave premiada do euromilhões. "eu quero a minha mãe". Tentei manter a calma - sentir-me segura-,optei por lhe explicar que a mãe não estava e que não podia falar ao telefone. Não foi fácil explicar-lhe o silêncio, mas ele foi acalmando com as minhas explicações e fazendo-me algumas perguntas pertinentes.
[No outro dia perguntou à minha cunhada quem morava no cemitério; hoje não lhe iria explicar a morte - algo ainda tão inexplicável para mim].

Bendita Ovelha Choné que lhe ofereci, que acabou de todo com as lágrimas  e deu lugar a gargalhadas e muitas histórias inventadas. Vimos um DVD da Disney; nota-se que o Mickey é o seu boneco favorito. Diz ele que o Donald  não sabe falar nada e a Margarida fala muito bem. A Minnie tem um vestido giro, parece uma princesa.
Só me apeteceu abraçá-lo muito, muito e beijocá-lo ainda mais. Quando os pais chegaram, estávamos os dois sossegados a comentar os pequenos filmes que tínhamos visto. Ele diz que a ficha técnica que passa no final parece o filme do casamento dos pai e da mãe [já perguntou ao pai porque é que ele casou com a  mãe; já perguntou à mãe porque é que ela casou com o pai].

Fiquei contente por ter conseguido fazer melhor do que os pais estavam à espera; esperavam encontrá-lo a chorar - porque é complicado quando  não vê a mãe- e estava ele todo risonho na conversa comigo.


às vezes pergunto-me se a natureza me impossibilita de ser mãe por eu não ter capacidade para tamanha responsabilidade. Hoje ganhei terreno a esse medo de que, se calhar, não saberei ser mãe. Possivelmente , ser mãe não é instintivo. Aprende-se.




Não resisto a deixar um vídeo da Ovelha Choné. Estou fã. Muito bom. [ isto já é tão velho mas é o que acontece não ter crianças: parar no tempo]






3 comentários:

  1. Aprende-se mas é 90% instinto. E desculpa contariar-te mas, na minha opinião, instinto maternal é o que não te falta. lLha bem para o que escreveste e vê lá se não agiste com esse instinto...

    Um beijinho e uma boa semana, Alice.

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  2. E como eu partilho desses teus medos...
    Sabes, acho que as mulheres que são mães também os tinham e ainda têm. Vão sendo camuflados com o tempo e com a experiência.

    Beijinho doce :)

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  3. Ser mãe é o maior desafio da minha vida. Nem sempre se acerta, mas também nem sempre se erra. Depois os miúdos têm personalidades diferentes e com cada um lidamos também de forma diferente. Lembro-me bem da ovelha Choné :) o meu mais velho adorava ver. O pequenino ainda não liga. ;)

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