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Costumes e tradições

Acho que as tradições e costumes fazem parte do património de um povo, de uma nação. E o património cultural é algo que nunca perde nem se vende, há só que preservá-lo.
Considero fantásticas muitas das tradições que povoam o nosso país, e todas elas tiveram algum fundamento ou deram, em tempos, um grande valor às coisas que hoje descuramos, que julgamos como um direito.
Há uma tradição na minha vida que se tornou irónica, contudo, ficaria triste se não tivesse sido cumprida.  Acho que toda a gente sabe que o arroz é um dos símbolos de fertilidade e, por isso, se atira aos noivos, no dia do seu casamento. Pois bem, no dia do meu casamento devem ter chovido sobre nós mais de dez quilos de arroz. Ironicamente ainda não tive filhos e não é porque não os queira ter. Mas adiante.
Outra das tradições deste país é a de, neste dia, as famílias rumarem aos campos, fazerem piqueniques, e colherem o ramo. No concelho vizinho ao de onde  moro, a tradição não é tanto da colheita da espiga, mas dos piqueniques em família, onde é refeição obrigatória o coelho estufado com ervilhas. [nos tempos (de governantes) que correm também isto é irónico, oh se é]. No concelho onde trabalho, também é feriado - não gozo o feriado, mas adiciono outro dia às férias - e aqui leva-se muito a sério a colheita do ramo.  
Ontem ao final do dia estiveram os trabalhadores daqui a  explicar-me a simbologia, e fiquei com muita vontade de inciar esta tradição lá por casa. Hoje sei que foram fazer os piqueniques e colher a espiga. Já lá vai o tempo em que eu ia colher a espiga. Na escola primária era um dia para contacto com a natureza. Vivendo eu na província, o que não faltam são campos. Estou tentada a colher a papoila, o malmequer, o trigo- esta tenho mesmo de perguntar à minha mãe onde arranjar-, o alecrim, a oliveira, e a videira. Vou colocar num saquinho de organza e pendurar na porta onde já tenho um ganchinho onde ficará pendurado o ano inteiro. tem de se começar por algum lado e comprar feito é coisa que, a mim me faz perder toda a essência da tradição. Que cada um faça como lhe aprouver. Entendo que ninguém consegue apanhar a espiga num campo repleto de arranha-céus.
Não o farei tanto pela crença que isso vá ser um bom augúrio (isto não dá nada mas traz esperança); quero fazê-lo para cultivar uma tradição tão nossa, praticada num dia que já foi feriado santo e não apenas regional, com uma simbologia que mais do que dar pão, amor e vida, ouro e prata, vinho e alegria, saúde e força nos faz  lembrar que há coisas essenciais na vida que deveremos sempre agradecer.

Damos tanto ênfase a coisas como o dia das Bruxas - que, pessoalmente, não aprecio e é uma tradição importada - e desdenhamos as nossas, que vulgarmente vejo apelidadas de medíocres e sem jeito nenhum. Respeito quem possa pensar assim, mas eu continuo a preferir manter a tradição. Eu gostaria de fazer parte dos que preservam o nosso património cultural. Não gostaria que um dia, isso fizesse somente parte dos livros, ou das histórias contadas por velhotes, eu lembro-me que...

Comentários

  1. Eu também acho importante preservarmos as nossas tradições. Não tendo aqui a possibilidade de apanhar todos os elementos que constituem o ramo, gosto de comprar um todos os anos. Claro que não é a mesma coisa, mas não sendo de todo possível, fica o espírito dessa mesma tradição.

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    Respostas
    1. carla,

      Obviamente que a intenção é que conta. foi o teu comentário que me alertou que deveria fazer uma edição a este post. Afinal, nem toda a gente mora no campo como eu. O meu pedido de desculpas se, por acaso, passei agora por arrogante. Sei que não me apontaste, eu é que me denuncio pela falta de sensilidade.

      Beijinho

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    2. Alice,

      quando deixei o meu comentário, não tive nunca a intenção de criticar o que disseste! Quando comentei foi mesmo pelo facto de achar as nossas tradições tão importantes e por achar o teu post tão pertinente quanto à preservação das mesmas. Não vi arrogância nenhuma nas tuas palavras, nem sequer pensei nisso! Eu é que peço desculpa por te levar a pensar que era essa a minha intenção...

      Um beijo

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    3. carla,


      o teu comentário não foi crítica nenhuma; foi um comentário normalíssimo.
      O teu comentário só me fez repensar um parágrafo que não estava suficientemente claro; não foi ofensivo nem nada disso. é como se pensasse: caramba, não salvaguardei isto e devia tê-lo feito. ideia que deu origem a outra. não foi o comentário em si, mas sim, algo que incialmente não estava presente na minha mente quando escrevi o post, por lapso. foi uma espécie de brain storm. as ideias surgem de outras.

      Não precisas pedir desculpa. eu é que não me julguei suficientemente clara no texto, e nem quis por vez alguma que me julgasses ofendida por um pensamento teu ter despoletado outro.

      Eh pá, o meu problema é ter sempre dúvidas, se suscito sentimentos estranhos nas pessoas, quando pretendo exactamente o contrário. que imbróglio agora... :)

      creio que nos entendemos as duas, certo?


      Beijinho (e já compraste o teu raminho?) :)



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    4. Claro que nos entendemos, eu tenho sempre essas dúvidas também ;)

      Vou comprá-lo quando sair daqui. Lá onde moro há duas floristas onde há sempre neste dia um raminho à minha espera :)

      Um beijinho

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  2. Já não comemoro o dia da espiga há tanto tempo...tenho saudades!!!
    Sabes Alice sei por experiência que às vezes essas tradições como a do arroz demoram...mas não falham!!!!
    Bjs
    Maria

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  3. Boa-noite!
    Partilho da tua opinião sobre tradições e curiosamente não conheço bem esta tradição (problema de se nascer e viver em meio citadino, penso eu:-)
    Beijinho

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  4. é tudo uma questao de publicidade... os americanos divulgam as festividades deles em todos os filmes, séries, musicas etc... qualquer dia estaremos a festejar também a acção de graças.
    entretanto vai-se perdendo as nossas tradições, infelizmente

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