segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Não sei bem o que querem as pessoas

Não sou das pessoas mais afectuosas deste mundo. Já disse que dispenso beijocar pessoas por tudo e por nada. Confesso que evito esse tipo de contacto, vá lá saber-se porquê. As pessoas podem chamar-me de snob, mas preocupo-me pouco com isso, porque são elas que estão enganadas a meu respeito. Se me quiserem conhecer melhor, vão perceber que tudo não passa de insegurança, sei lá...

Pondo de parte esta minha degenerescência afectuosa, sou muito de palavras. às vezes, acho que devia estar calada, não me armar em ama protectora. As palavras saem sem que eu dê conta, não estão ensaiadas e não são simplesmente para agradar. São de coração; na expectativa de apaziguar dores, ansiedades, medos, necessidades. A vulnerabiliadade das pessoas afecta-me de uma maneira estranha, que não sou capaz de ficar indiferente. Não posso deixar as pessoas cairem num poço sem fundo, se as puder convencer a manterem-se à tona até que consigam ter força suficiente para sairem pelo seu próprio pé.

Não sei se do outro lado percebem isto de ser de coração e não somente de circunstância. Vou pensando cada vez mais, que as pessoas não precisam de palavras conciliadoras porque o mundo não deverá melhorar só porque tentei dourar a pílula. Acho que frequentemente as pessoas não precisam que lhes digam nada, porque só querem ouvir-se a si mesmas, mas precisam de dizer a alguém para a sua própria voz sair.

Nos últimos tempos, sinto-me tão errada em abrir a boca e confortar, dar a conhecer o lado menos escuro do problema, o reverso da moeda. Não me sinto a melhorar o mundo dos outros por cuidar da sua fragilidade. Por isso, acho que também vou obrigar-me a calar palavras.

 

5 comentários:

  1. Pois eu acho que o mundo pode melhorar se houver sempre alguém que tenha uma palavra "de coração". Já houve alturas da minha vida em que precisei dessas palavras e ainda bem que existia esse alguém.

    Um beijo

    (pensei muito em ti e no teu marido estas férias)

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  2. Compreendo palavra por palavra deste teu post. Acredita que sim, vivo-o demasiadas vezes, e cansa ao ponto de não querer sequer saber nada, porque olhos que não veem coração que não sente.

    Uma coisa aprendi, as pessoas precisam cair, para depois se levantar e poder seguir. Não adianta amparar antes da queda, porque a aprendizagem de saber se levantar é algo muito pessoal, e tem de ser feito pelo próprio, só assim se consegue ver o lado bom, daquilo que era à partida, negativo.

    Beijinho

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  3. Acho que cada vez que tentas fazer algo por alguém estás a fazer a tua parte naquele objetivo que parece impossível de alcançar...melhorar o mundo...Sim há quem fale porque apenas se quer ouvir...mas também há quem fale por precisar de ajuda...vais saber decidir...o que fazer conforme a ocasião o importante é não desistir...!
    Ótima semana!
    Bjs
    Maria

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  4. Bem, estando do outro lado de quem já ouviu/leu palavras de conforto tuas, devo dizer que ajudaram sim e que por isso não foram em vão. Mas percebo o que queres dizer, já tive essa sensação de confortar à toa, porque na realidade não querem um conselho, mas sim um ouvido.

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  5. Eu gosto se palavras de conforto, mas por todas as razoes que enumeras, tenho optado por manter-me calada . Bjinhos

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