segunda-feira, 2 de setembro de 2013

nem as amizades duram para sempre

Durante muitas anos e, apesar da distância, a nossa amizade manteve-se muito firme. Fomos partilhando muitos dos nossos problemas e demos conselhos uma à outra. Houve uma altura em que veio dar aulas para o meu concelho e de muito boa vontade me prontifiquei para que ficasse lá em casa.

Mais tarde, conheceu alguém que ansiosamente quis que eu conhecesse e aprovasse. Disse-lhe que não tinha nada que aprovar. Se ela gostava dele, que seguisse em frente. Aceitou isto como uma não resposta. Eu não podia dizer-lhe muito mais, pois não o conhecia, nem tinha o direito de interferir na vida deles, quer gostasse ou não do rapaz. 

Por diversas vezes, e de cabeça quente, desabafei com ela sobre alguns das dores e temores da minha vida, talvez denunciando o meu lado menos aprazível. Sou humana e as pessoas feridas dizem coisas descabidas. 

Um dia, ela de cabeça perdida, relatou-me o mau feitio do rapaz sobre o qual queria que eu, em tempos, opinasse. Depois de somar uns quantos capítulos da sua novela, já não tinha a melhor opinião do rapaz, e indiquei-lhe que possivelmente ele nunca a faria feliz. Se ele não era nada daquilo que ela desejava num homem, então mais valia deixarem-se [algo que frequentemente acontecia], de vez. 
Acho que, a partir desta altura, algo na nossa amizade mudou. Tive essa noção depois das respostas que me deu, a um desabafo que lhe fiz. Sempre tentámos ser o mais sinceras possível, uma com a outra, e nunca, de parte a parte, tentámos emitir juizos de valor sem conhecer todos os factos. Para evitar mágoas.  Na altura, ela emitiu uma série de opiniões com base em suposições conjecturadas na sua própria cabeça. Trouxe coisas ao assunto que nem imaginava algum dia poder ouvir da boca dela. parecia destilar toda a raiva que tinha do mundo contra mim.

Dei algum tempo e resolvi que aquilo tinha sido resultado de um momento de falta de lucidez, um grito de desespero por atenção. Tentei manter o contacto, para que algum dia não me acusasse de ser a culpada do afastamento. Os contactos telefónicos passaram de diários a semanais. Se me mandava uma sms e eu lhe respondia, de imediato, apenas recebia resposta posterior uma semana ou duas depois, sempre com uma desculpa pela falta de resposta.

Admito que já não sejamos as amigas mais intimas e também não mantenho a vontade de o voltar a ser. Quando alguém me manda uma sms a perguntar como estou, eu lhe respondo e pergunto como está, e ela só responde uma semana depois, não é porque tenha grande interesse em saber como estou, mas sim, por conversa de circunstância.

isto tudo porque há duas semanas nada dizemos uma à outra. Até hoje. Acabou de me enviar uma sms a dizer que ando muito caladinha. Acabei por lhe dizer que não tenho nada para dizer que não seja notícia de abertura dos telejornais nos últimos dias. Posso ter sido má, mas nestes últimos tempos em que tenho a certeza que ela sabia que eu ia estar mais frágil, não teve uma palavra só que fosse para me dar. Vivi sem as palavras dela, é certo. Mas é nas adversidades que se medem o interesse que os amigos têm por nós, ou não é? 
Tenho pensado no quanto tenho saudades de outros tempos. durante estas últimas semanas pensei em mandar-lhe uma sms, ao menos, a perguntar como estava. Mas não me apetecia receber a resposta apenas daqui a umas semanas, quando sei que usa tanta vez o telemóvel. 
Temos tínhamos feitios e maneiras de pensar tão semelhantes. Não precisávamos perguntar o que sentíamos por nos sabermos ler e compreender tão bem. Talvez tenhamos mudado. Deixámos, ambas, de ser o que éramos.    

Acho que esta amizade já acabou há muito tempo e não sei bem quem queremos enganar. Acho que nos estamos a enganar as duas.

Lamento por esta perda, de verdade. Mas quando as pessoas não estão na mesma sintonia, que cada uma siga a sua vida. Há menos estragos emocionais.

2 comentários:

  1. A vida é mesmo assim!
    Vamos conhecendo pessoas novas e afastando-nos de outras!
    Gostava de acreditar que quando uma amizade entre as pessoas é verdadeira, nada, nem ninguém, as separa, mas é-me cada vez mais difícil acreditar nisso! Às vezes penso que esse afastamento é involuntário e resultado das circunstâncias da vida (ingenuidade minha, talvez), mas outas vezes, parece-me que é por egoísmo das pessoas!
    Deixam de pensar nos outros e concentram-se só nelas próprias! Ultimamente tenho sentido mais isso, daí o meu comentário!

    Beijinhos

    http://avidaaostrintas.blogspot.pt/

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  2. Há amizades e amizades. As verdadeiras, as de corpo e alma, resistem a tudo. À distância, às opiniões diferentes, às divergências...a tudo. A verdadeira amizade é aquele que sobrevive a tudo! Tu mereces mais e melhor, por isso, não percas tempo com quem não merece.

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