quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Perspectivas e expectativas



Nunca me tinha apercebido que não via como as outras pessoas; nunca tinha entendido que não era normal não reconhecer as pessoas do outro lado da rua.
Eu nunca me pude colocar no corpo de outra pessoa e testar se a sua visão era igual à minha. Portanto, na MINHA PERSPECTIVA sempre vi bem.
Aos dezanove anos, comecei a usar óculos - possivelmente sempre teria visto mal - e passei a ver o mundo de outra maneira. Mais feia, diga-se de passagem.
Não é por estar ao lado de outra pessoa, que vou saber se vejo bem ou não, ainda mais se a outra pessoa vê pior que eu.  Passa-se o mesmo com as emoções.
Quando uma noiva está prestes a casar - e se o deseja realmente fazer - toda a gente sente o seu entusiasmo, acredito que o partilhe também, mas nunca o sentirá como a noiva. Porque têm perspectivas diferentes sobre o mesmo acontecimento.

Isto reproduz-se em todas as emoções da nossa vida. Não poderemos querer que as pessoas sintam o mesmo que nós, quando isso não é possível. Ninguém é capaz- porque tão pouco isso é possível fisicamente- de sentir e viver uma emoção da forma exacta que a estamos a viver. Temos de compreender que os outros vivem o nosso facto sobre outras perspectivas e estão a gerir as suas próprias emoções, caso isso interfira nas suas vidas.
Podemos ser solidários com as emoções dos outros, mas não as podemos viver a não ser quando são nossas, e vamos geri-las segundo as nossas vivências, crenças, culturas. Basicamente, isto é como a minha história de ver os outros do outro lado da rua, com ou sem óculos.  

Sei que nem sempre é fácil entender que os outros não comunguem da nossa alegria ou partilhem da nossa dor da mesma forma que nós mas temos de saber mudar de perspectiva. Os nossos olhos e os nossos óculos não servem a mais ninguém. Não podemos censurar os outros por isso. nem fazer crescer em nós alguma revolta ou sentirmo-nos desiludidos por os outros não acompanharem as nossas EXPECTATIVAS.

3 comentários:

  1. É verdade! cada um vive a sua realidade como única. Depois existem pessoas com mais ou menos empatia. Que se conseguem colocar no lugar do outro mais facilmente ou que só dão importância ao seu próprio umbigo. cada vez oiço mais "com o mal dos outros posso eu bem". E eu não sou assim...não fico nada bem com o mal dos outros.
    E sim, também tenho pessoas que não gosto, e esses são-me simplesmente indiferentes.
    Se calhar estou do outro lado da rua a ver tudo tão diferente de como vês a vida.
    Não te conheço e só sei o que leio daqui.Mas por vezes, penso que viver a tua vida deve ser tudo menos fácil!!! A minha vida é perfeita para mim. Mas não vejo muitas pessoas com a vida perfeitas para elas. Será que preciso de óculos???
    Abraço

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  2. Eu cá acho sempre que a minha perspectiva é de outro planeta, vejo sempre diferente dos outros e muitas vezes pior.
    Ahhhh espera, isso é porque sou míope :)

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  3. Concordo, foi algo que, o crescimento me foi ensinando, pena que haja muito que não sejam capazes de tirar os "seus óculos".

    Beijos

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