quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Vou conspurcar este blogue, infelizmente

Raramente apresento aqui de tomadas de posição acerca de política, religião e futebol.  Porque são assuntos em que, cada vez, mais prefiro estar na ignorância, e são demasiado radicalizados por todos para ter cá conflitos. Porque não me apetece.

Tenho duas coisas a dizer - teria mais, mas não quero desenvolver muito - sobre o que se anda a passar:

- enquanto não paguei as dívidas que tinha, não me meti noutras; não investi em projectos que não me traziam mais valias e medindo as consequências do passo. Após os tempos menos bons, continuo a ter uma postura de ponderação sem deixar de apostar em investimentos a longo prazo que não acarretem prejuízo ou beneficiem uns em prol de outros (sou adepta de que todos podemos ser ganhadores). Foram estes passos que me permitiram manter e fazer crescer financeiramente a empresa a que chamo família. Podia ter muitas coisas e ter feito outras que me teriam dado prazer? Podia, mas não vou deixar de as fazer ou ter. Não é hoje, mas está no meu orçamento contemplado de quando tiver possibilidade- sem me endividar- de o fazer. Possivelmente nunca estarei na moda, de ter coisas quando elas são lançadas para o mercado, de quando o meu vizinho tiver. Se me preocupo com o que os outros têm? não, nem um pouco! O vizinho tem? Fico muito contente que o tenha conseguido. Não censuro a vida de ninguém mas também ninguém me pode impedir de gerir dinheiro sem contrair dívidas desnecessárias para coisas desnecessárias.
Infelizmente o Estado nunca pensou assim, e depois de tudo isto, vai continuar criar dívidas atrás de dívidas. Tantos séculos de História com tanto esbanjamento evidente, e continuamos a ter tão maus gestores do erário público. Diria que sofrem de megalomania;

- Se já estamos numa fase em que há alguns Todo-Poderosos se darem ao trabalho criarem alíneas na legislação para  roubar umas cuecas rotas aos moribundos, sugiro-lhes que eliminem o Natal. Evitam outras medidas de austeridade tão cheias de conteúdos legislativos incompreensíveis para a maioria do povo. Deixa de ser feriado. Passam a ter um bom argumento para deixarem de pagar o subsídio de Natal e os privados seguirem o caminho. A autoridade que demonstram para retirarem tudo e nos carregarem de deveres e com tão poucos direitos - porque não acrescentam mais-valias com o que nos tiram - deve dar para suprimir o Natal. Se calhar, o pedido ao Papa vai a caminho.

Estou de acordo que todos tenhamos de pagar impostos. Se falam de equidade, então não lixem sempre os mesmos. Os impostos não deveriam servir para tapar buracos com a  má gestão desta empresa que é o Estado, mas sim para criar mais valias.

7 comentários:

  1. Alice,

    eu também não ando na moda, também não tenho as últimas novidades que surgem no mercado, também não faço viagens todas as férias, também não tenho um carro último modelo (o meu carro tem dez anos e espero que dure outros tantos), também apenas assumi compromissos que tinha a certeza que poderia pagar (a casa). O nosso problema é que lá em casa já não sabemos o que são aumentos de ordenados há.... perdi a conta de anos, e de há 4 anos para cá que esses mesmos ordenados são cortados a torto e a direito. Com os preços de tudo a aumentar, com os impostos a aumentar (o ano passado então...), com os miúdos na escola e a respectiva despesa (que aumentam todos os anos) que isso acarreta e no oposto com os ordenados a diminuir (enm é estagnar é diminuri), a pergunta é: como viver assim?

    (ponderei muito se publicaria este comentário, porque sei perfeitamente que há quem esteja bem pior, mas são muitos anos a "levar pancada" e depois de ter tido uma adolescência muito semelhante, custa-me voltar ao mesmo sem ter feito por isso, mais uma vez).

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  2. O povo sempre pagou a factura. Sempre!
    E sempre será assim.

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  3. concordo contigo em tudo! sigo na minha vida a mesma contenção e como se diz teimo em "não dar os passos maiores que as pernas". às vezes ninguém entende, mas continuo o meu caminho :)
    ***

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  4. Custa ver como todos temos vindo a perder qualidade de vida e alguns, muitos, estão já no ponto limite ou para além do limite! E o pior é que acho que ainda vai piorar. Esta situação deixa-nos sem saber o que fazer...mas temos de lutar pela mudança por mais que seja desânimo!

    Beijinhos
    Maria

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  5. O que mais me custa é perceber que todos estes sacrifícios não estão a dar frutos! Eu até percebo que os cortes tenham de ser feitos, no fim de contas andou-se muitos anos a usar dinheiro que não era nosso (o governo bem entendido!) e agora há que apertar o cinto. Até aí a lógica percebo-a, o que não percebo é que cada vez se corta mais em tudo e não há melhorias visíveis. Até a troika já veio dizer que se calhar a austeridade é demais e não beneficia em nada o crescimento do país.
    Como é que se quer crescer se as pessoas, as famílias e as empresas têm cada vez menos dinheiro! Eu sei que a minha situação é um bocadinho esquizofrénica, mas caramba a culpa não é do governo, por isso porque é que tem de ser o contribuinte a pagar a fatura (cada vez maior) com o seu salário (cada vez mais pequeno) e isto para quem tem a sorte de ter emprego. Quem não tem vê os subsídios de desemprego, de invalidez ou a reforma cada vez mais pequenos ou até a deixarem de existir. É um país muito triste este!

    Eu não acho nada mal publicares as tuas indignações. Até porque este é o teu blogue e tu escreves o que quiseres. Lá por ser um blog mais intimista e nada politizado, este assunto está cada vez mais cravado no íntimo de cada um de nós e é difícil de deixar de o associar ao nosso dia a dia.

    Beijos

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  6. Concordo plenamente contigo e chateia-me bastante andar a pagar dívidas que não fiz e de pessoas loucas.... Isto já e roubar!

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