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Histórias de família

Consigo lembrar-me do meu avô paterno como um grande contador de histórias. Já era bem crescida quando o perdi. Ainda me lembro do aviso que fez ao meu marido caso ele não estivesse o namoro a sério.Contou-lhe uma pequena história que ele ainda se lembra.
Acho que, tanto o meu pai como eu herdámos essa inclinação para as histórias. Não falo de histórias ficcionadas, mas das verdadeiras com o seu quê de piada, na maioria das vezes.
O meu pai conta algumas histórias que já ouviu o seu pai contar. Talvez por isso, consiga relacionar entre si pessoas de diversas gerações. Lá nisso tem uma memória fabulosa.

Foi por causa das histórias e de mais uma que se passou há uns dias  a propósito de um parente de 90 anos que veio agora do Brasil, para visitar a terra, que descobri uma história de família que desconhecia.

Ao que parece tive um tetravô [avô da minha avó paterna] que teve uma vida longa; faleceu com 117 anos. Casou pela terceira vez tinha 113 anos - o homem deve ter sido sempre feliz nos casamentos! Com esta idade não resistiu a experimentar pela terceira vez. Ainda dizem os homens que não estão para aturar as mulheres, que elas são chatas. Podem ser, mas os homens continuam a querer casar com elas... Adiante.

Dizem que, os seus últimos anos de vida viveu mergulhado na escuridão de uma cegueira. Ainda assim, reconhecia cada um dos seus netos pelo tacto, passando-lhes a mão pela cara, esmiuçando os detalhes das feições.
Querendo assegurar-se que a sua terceira mulher não ficasse sem sustento quando ele morresse, colocou um pinhal no seu nome, para que vivesse dos dividendos conseguidos pela venda de resina. Como os filhos do meu tetravô tomaram conta da madrasta na sua velhice, ela, sentindo-se grata, deixou em herança a sua única propriedade aos enteados. Quatro gerações passaram e a propriedade mantêm-se na família. E agora que penso, na minha família paterna há várias madrastas e nunca ouvi dizer que nenhuma fosse má.

Confesso que estas histórias de família me deixam deliciada e esta achei-a digna de registo. Não imaginava que tivesse tido um tetravô cheio de fôlego para um casamento tão tardio. E se a longevidade também se herdar, é coisa para me deixar contente.
Acho que todas as famílias têm histórias assim. Deviam ter um livro de memórias, para que estas pequeninas histórias se continuassem a perpetuar por gerações.




Comentários

  1. Adoro mas simplesmente adoro estas histórias de família...tão importante ter tempo para ouvi-las dos mais velhos e depois para repeti-las aos mais novos ....fazem parte do património da família e não devem perder-se!!
    Beijinhos
    Maria

    ResponderEliminar
  2. E que tal tu começares a escrevê-las?! ;)

    ResponderEliminar
  3. A minha mãe é madrasta e eu nunca senti diferença... Aliás apenas quando tinha uns 6/7 anos é que percebi que a minha irmã mais velha era minha irmã apenas de parte do meu pai :D
    A minha mãe sempre a considerou sua filha, afinal criou-a desde os 3 anos...
    ;)

    ResponderEliminar

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