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o livro de poesias

O meu sobrinho pequenito quase me preenche o coração por cpompleto, não morassem cá outras pessoas também. sou apaixonada pelas suas doçuras e até travessuras. Pergunto-lhe primeiro se  lhe posso dar um beijinho de olá, e ele estende-me a bochecha rosácea da euforia que vive com a minha chegada. Pergunto-lhe depois, se me quer dar um beijo; agora, ele nunca me nega nenhum. Assim, sem obrigações entramos num consentimento mútuo de dar beijinhos, já que ambos somos pessoas de beijoquice selectiva.

Sei que tem uma panóplia de livros, muitos dados por mim, alguns já não estão no seu melhor estado de tanto serem folheados e transportados. Não resisto ao vício e a vontade de lhe oferecer mais um. Contrario a maioria que teima em oferecer-lhe doces. Tem tempo para os comer quando crescer. Sou contra dádivas dessas.

Sei que gosta de rimas, sabe o que são. Encontro o livro perfeito, com muitas para lhe ler. Pequenas poesias engraçadas a par com ilustrações bem giras. Leio lhe umas quantas mas ele, apesar de atento, pisca e esfrega os olhos de sono. Diz que não, que não tem sono, que estava só a tirar uma remela. Pede que continue, que não quer ir ainda para a cama . Mas tem de ser, as outras rimas ficarão para outro dia. Sussurra: neste livro tem alguma rima André chimpanzé? digo-lhe que acho que não.
Fica um pouco decepcionado: todos os livros de rimas deviam trazer essa.

não posso deixar de sorrir porque ainda ecoa na minha memória, o seu riso infantil e doce ao ouvir aquelas rimas todas. Creio também que dei uma pequena desilusão ao pequeno, por lhe dar um livro com uma falha tão grande, aquela do André que rima com chimpanzé.

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