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Já me disseram que não sei nada da vida porque não sou mãe

Acabei de ler o post da Constança Cabral [Parabéns!] e não pude deixar de me emocionar. É magnífica a sua descrição do nascimento de mais um filho.
O assunto filhos voltou à baila em meu redor nestes últimos dias, semanas. Um martírio, portanto. Ler aquelas palavras, o seu registo, para que não se esqueça remeteu-me a toda a minha lista mental que em tempos fiz, de tudo o que gostaria de fazer desde o primeiro dia da gravidez. Os registos, músicas, arquivos. Nem é possível enumerar todos os meus sonhos relativos a este assunto. As coisas que guardei para, um dia mais tarde, mostrar e das quais me vou desfazendo... Acho, cada vez mais, que já não haverá oportunidades de acontecer, porque o meu relógio biológico está cada vez mais perto de cessar funções procriadoras.

Nas minhas arrumações mais recentes, encontrei os primeiros exames que fiz, por não conseguir engravidar. Já passaram mais de seis anos [nunca me tinha confrontado verdadeiramente coma  data certa]. Se nestes seis anos nada aconteceu, a  probabilidade de acontecer nos próximos seis é mais escassa ainda. 

Não me preocupo de a idade me trazer rugas, ou que a gravidade comece a ter os seus efeitos; preocupo-me com a validade do meu útero para a sua principal função. E há dias em que me atormentam com isso de uma maneira cruel.

Sei que haverá quem possa ter vontade de me dizer que eu já devia estar conformada. Há dias de difícil convivência com o pensamento que não vou ser mãe. Há dias em que é difícil sentir que somos diferentes da maioria das mulheres.


Comentários

  1. Nunca estamos preparados e muito menos conformadas com um facto desses, de não conseguir ter filhos, a esperança é sempre o que fica minha querida.... Força sim, fazia tempo que não passava aqui e mais uma vez li o quanto o mundo não é justo.... Merecias ter esse gosto, esse privilégio de ser mãe...


    Beijo enorme

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  2. Minha querida, deixas-me de lágrimas nos olhos. És uma lutadora, uma corajosa, é preciso muita coragem para mostrar de forma tão verdadeira o que se sente, não deixes de acreditar, ninguém sabe o que o futuro nos reserva.

    Um abraço

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  3. Acredito que nunca nos conformamos. Nunca. Mas não percas a esperança. Os milagres acontecem. E outras vias, já ponderaste?

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  4. Olá! Estou na mesma situação.... É muito difícil mas é fundamental avançar. Continua a tentar, deves conhecer o caso da Susana no seu blog "Sonho ter um filho" e que acabou por conseguir. Força!

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  5. Não te martirizes Alice. No dia em que puseres o coração ao largo vai acontecer, já vi isso acontecer montes de vezes. Beijinhos

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  6. Não te conformes. Continua a acreditar no milagre da vida, quem sabe, quando menos esperares.
    Estou a torcer por ti.

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