sábado, 17 de janeiro de 2015

ainda não sei se é um compromisso [ou o medo de não ser capaz]: mudar de rota

já não me lembrava bem do que era alhear-me desta forma. e nem quando fiz o tratamento em 2011 e fui obrigada a estar na cama, me senti tão desligada das preocupações ao ponto de por aqui ficar até tão tarde. há muitos anos a viver em piloto automático, com uma sequência de actos que me escuso a escrever na agenda por os saber de cor, deixei-me dos desvarios de outros tempos. A lei da minha sobrevivência tem ditado as coisas assim. Ou isso, ou a sensação de um conforto algo desconfortável a que me fui agarrando por me parecer melhor ter um pássaro na mão do que dois a voar. esse desconforto que me inquieta, de vez em quanto tira-me o sono, mas logo mergulho na minhas rotineiras tarefas, e deixo isso para segundo plano. Surge muitas vezes a frustração, que afecta tudo em meu redor, e me obriga a uma terapia mais introspectiva  e algum custo ao bolso.
Não estou doente. Felizmente. Li numas quantas horas um livro de mais de quinhentas páginas- não leio um livro deste envergadura há muito tempo. não leio qualquer livro há demasiado tempo- perdi o hábito e o gosto pela leitura após ter accionado o piloto automático. eu, fervorosa devoradora de livros, que não passava sem eles, deixo-os, amonto-os sem interesse à espera que a vontade e a cabeça menos cheia me permitam sentir prazer em ler..
há pouco mais de um mês, voltei a despertar para coisas que já considerava extintas; surgiu a vontade de deixar estar em piloto automático  e começar a pensar as novas rotas. ainda tudo isto é demasiado novo para eu dizer que tenho uma posição consistente, da qual não vou desistir. o conforto chama-me.  a incomodidade que me tem levado à vigília indesejada das noites desafia-me para arriscar a instalar novas fronteiras.  a renascer, a dar azo ao que fui esquecendo, a ser mais informal, mais desinibida e a acreditar que tenho direito de querer mais e melhor. E lembrar sempre que, os outros que vivem com e na nossa vida, um dia também se fartam da rotina instalada e também eles procuram seguir novas rotas, mais desafiantes.
Sei que vou querer voltar muitas vezes ao conforto do piloto automático; mas de cada vez que me lembrar da frustração que isso acarreta, espero conseguir mudar a rota.

2 comentários:

  1. Muitas vezes é preciso mudar de rota ou quando muito acertar o ponto Norte, ou mesmo o sul, talvez tenha chegado o momento. Força :)

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  2. Devagarinho vais deixando esse piloto automático de lado, um dia de cada vez*
    Beijinhos

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