Avançar para o conteúdo principal

ainda não sei se é um compromisso [ou o medo de não ser capaz]: mudar de rota

já não me lembrava bem do que era alhear-me desta forma. e nem quando fiz o tratamento em 2011 e fui obrigada a estar na cama, me senti tão desligada das preocupações ao ponto de por aqui ficar até tão tarde. há muitos anos a viver em piloto automático, com uma sequência de actos que me escuso a escrever na agenda por os saber de cor, deixei-me dos desvarios de outros tempos. A lei da minha sobrevivência tem ditado as coisas assim. Ou isso, ou a sensação de um conforto algo desconfortável a que me fui agarrando por me parecer melhor ter um pássaro na mão do que dois a voar. esse desconforto que me inquieta, de vez em quanto tira-me o sono, mas logo mergulho na minhas rotineiras tarefas, e deixo isso para segundo plano. Surge muitas vezes a frustração, que afecta tudo em meu redor, e me obriga a uma terapia mais introspectiva  e algum custo ao bolso.
Não estou doente. Felizmente. Li numas quantas horas um livro de mais de quinhentas páginas- não leio um livro deste envergadura há muito tempo. não leio qualquer livro há demasiado tempo- perdi o hábito e o gosto pela leitura após ter accionado o piloto automático. eu, fervorosa devoradora de livros, que não passava sem eles, deixo-os, amonto-os sem interesse à espera que a vontade e a cabeça menos cheia me permitam sentir prazer em ler..
há pouco mais de um mês, voltei a despertar para coisas que já considerava extintas; surgiu a vontade de deixar estar em piloto automático  e começar a pensar as novas rotas. ainda tudo isto é demasiado novo para eu dizer que tenho uma posição consistente, da qual não vou desistir. o conforto chama-me.  a incomodidade que me tem levado à vigília indesejada das noites desafia-me para arriscar a instalar novas fronteiras.  a renascer, a dar azo ao que fui esquecendo, a ser mais informal, mais desinibida e a acreditar que tenho direito de querer mais e melhor. E lembrar sempre que, os outros que vivem com e na nossa vida, um dia também se fartam da rotina instalada e também eles procuram seguir novas rotas, mais desafiantes.
Sei que vou querer voltar muitas vezes ao conforto do piloto automático; mas de cada vez que me lembrar da frustração que isso acarreta, espero conseguir mudar a rota.

Comentários

  1. Muitas vezes é preciso mudar de rota ou quando muito acertar o ponto Norte, ou mesmo o sul, talvez tenha chegado o momento. Força :)

    ResponderEliminar
  2. Devagarinho vais deixando esse piloto automático de lado, um dia de cada vez*
    Beijinhos

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Tens alguma coisa para dizer? Obrigada por partilhares! ;)

Mensagens populares deste blogue

nada que consiga com palavras simples

A ideia de sair do emprego não era nova. Era uma ideia adiada. Viver agarrada à ideia que precisava do emprego para concretizar sonho(s) era só forma de me ancorar ao certo, ao fácil, ao controle, caso algo corresse mal. Afinal, ter um filho a quem se pensaria dar tudo era, para mim, condição suficiente e necessária, para manter o sustento sem solavancos nem travagens bruscas.
Já há demasiadas coisas simples a subtraírem minutos ao meu sono todos os dias. Se pensava em trazer alguém ao mundo então tudo deveria ser bem calculado, medido, pensado ao mais ínfimo pormenor. Preocupei-me demasiado em aconchegar um sonho em camas de algodão fofo e sedoso, que tudo o resto foi descuidado. Os outros [sonhos] foram sendo descuidados, apagados da memória, subnutridos até serem deixados morrer por incúria de mim mesma. Esta semana comecei a enviar CV e até tive uma proposta de entrevista no mesmo dia. Retraio-me em candidatar-me a umas quantas coisas, em dar conhecimento a conhecidos do meio so…

Jardim de Chuva Prateada

hoje em dia, as pessoas têm muitos amigos no facebook. é onde têm mais amigos. Se,de repente, essa pessoa deixar de colocar posts ou likes, não mostrar as suas selfies, os amigos vão preocupar-se com isso? se calhar não. acho que impera por lá a inveja, não a preocupação... Acho que os blogues são bem mais que isso. As pessoas não são sempre felizes; quando querem, mostram a vida que realmente vivem. E, às vezes, a amizade nasce, quando nos identificamos com essa pessoa. [Bem sei que há por aí gente com mais imaginação do que vida própria.] Há cerca de dois anos, uma pessoa frequente no meu blogue, deixou de escrever no blogue dela e nunca respondeu a emails que varias pessoas "chegadas" lhe haviam enviado, inclusive eu. tinha-me deixado um apelo no seu blogue, a que depois respondi e nunca mais tive resposta. ainda hoje tenho o seu blogue na minha de lista de leituras, para o caso dela voltar. mantenho a esperança que nada tenha acontecido. Agora volto a preocupar-me com a…

ironias

O meu marido conseguiu saber/sentir primeiro que eu o que e uma epidural...
(ouvimos sempre falar de epidural aquando dos partos mas afinal, não serve apenas nesses casos)