terça-feira, 10 de março de 2015

não me lixem

Todas as ideologias - políticas, religiosas, sociológicas, etc - têm adeptos. Até aquelas que nos parecem recheadas de requintes de malvadez, vão recrutando adeptos para as suas fileiras. Há em tudo isto meio de intervir com resultados mais ou menos visíveis. É notório que os esforços são maiores se quisermos fazer nascer um jardim no deserto do que ali ao lado de casa. No entanto, não deixa de ser possível.

Onde quero chegar? As coisas que vamos fazendo, acreditando, incitando,  mais perto de nós é natural que tenha também repercussões sobre a nossa vida - mais ou menos- mas vão tendo. Também vamos tentando recolher votos para as causas que achamos acreditar.

Mesmo que haja quem acredite que um criminoso com crime confessado, ou provas dadas seja inocente, também haverá o contrário. Aquilo em que as pessoas acreditam fá-las ter forças para defenderem o que acreditam.

Esta manhã na rádio, ouvi dizer que há, cerca de 17000 assinaturas, para que um ex-primeiro-ministro deixe de estar preso. Dizem já haver assinaturas suficientes para que isso seja discutido na Assembleia da República. Se o homem está preso ou não injustamente, não sei. Não me quero debruçar sobre isso [não me apetecem esgrimir argumentos], não sou juíza.O meu lado humano chocaria com o o lado legislativo, e eu não sei se não teria de ser como o Rei David. Só não acho que seja uma questão assim tão premente, para que se debata na AR.  (Embora entenda os propósitos de quem acha injusta a sua prisão).

E o que é que faz com que eu me sinta, de certa forma, insultada? Já há algum tempo tenho ali ao lado o link para uma petição que me diz muito e ainda nem às cinco mil assinaturas chegou. Um país que tem a natalidade em declínio, com uma série de problemas inerentes ao futuro deste país, que nos afecta a todos de uma forma directa ou indirecta - a curto e longo prazo-, nem sequer conseguiu atingir um número razoável de assinaturas para que alguma coisa mude.

Sim, estou talvez a ser juíza em causa própria. O que deturpa a minha decisão. Mas podia falar desta causa como de outras que têm o seu valor e merecem o empenhamento de todos, enquanto cidadãos com voz activa.

Às vezes, não percebo as pessoas e o tipo de causas que se empenham e o tipo de valores que defendem. Respeito que tenham direito à sua tomada de posição, não aceito que me façam ser acérrima defensora da sua importância.

Tento ser o mais impacial que consigo mas, desta vez, perdoem-me. Não consigo ser.

3 comentários:

  1. Tens muitas razões para isso! Fica-se verdadeiramente apalermada, escandalizada, chocada, indignada sei lá eu que mais, com o que realmente move as consciências. Sim, tens muita razão Alice.
    Estou solidária contigo :)

    Beijinhos

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  2. Sabes... Há pessoas que gostam de ser enganadas... Só pode...

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  3. Tens toda a razão. Acho que as prioridades de muita gente estão trocadas e são geridas pelos "lobbies" de pessoas que querem ver e ser vistas em determinadas coisas. Triste!

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