quinta-feira, 12 de março de 2015

O bom e o mau. eu faço de vilã, para muitos.

Há dois anos, quando estive em Madrid em trabalho, tive oportunidade de ir ao Museu Reina Sofia. Uma das colegas com quem estava morria de amores por ir ver o Gernika de Picasso. Emocionou-se e tentou tirar uma foto para a posterioridade. Durante algum tempo foi possível ouvi-la falar, de voz embargada, sobre a sua experiência de estar defronte de um quadro emblemático.

Eu não senti isso. Embora tivesse visto o quadro "ao vivo e a cores" pela primeira vez, sei o que ele representa, mas não me desfiz em lágrimas. Não me encanta o Cubismo de Picasso, embora sempre mantivesse algum interesse na sua biografia. Tenho outros pintores que aprecio muito mais, que me regalam a vista.

Isto tudo a propósito daquilo que se gosta não ser igual para todos. A Arte toca-nos de modo diferente a cada um de nós e as pessoas, nesta era de uso tão exacerbado de redes sociais, querem fazer-se valer do que gostam ou não gostam para manipular a arte que vinga e a que não vinga.

O que é que distingue um livro bom de um mau? Ter tido um Nobel da literatura?
E o que distingue um bom filme de um mau filme? Um Óscar?
E uma música de outra? Um grammy?
E por aí adiante.

Aceito que as pessoas não gostem daquele livro porque está mal escrito, ou do filme que não está assim tão bem realizado, ou da música que é demasiado pimba, etc. Mas não achincalhem ou impeçam os outros de poder apreciar, seja a arte qual for.
Antes de a Arte ser uma competição nos seus diferentes ramos, era recreativa.  E eu continuo a vê-la assim. E é assim que ela me dá prazer. Há algum mal nisso?

Queremos que tudo seja tão perfeito [no óptica de cada um], que se perde a essência das coisas, o que nos chega às emoções que acumulamos todos os dias.

1 comentário:

  1. O respeito pelo outro, em todas as suas diferenças, abrange também a arte, a literatura, o desporto, etc. Gostar mais disto ou daquilo, não nos faz nem melhores nem piores do que ninguém, faz-nos diferentes e, portanto iguais na diversidade. O mundo, a vida, é mais bela havendo diversidade :).
    Achincalhar é uma imensa pobreza de espírito, para não dizer, uma miséria!

    Beijinhos

    ResponderEliminar

Tens alguma coisa para dizer? Obrigada por partilhares! ;)