sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Coisas#4

Inveja é coisa de que habitualmente não padeço, já dos ciúmes não posso dizer o mesmo. [acho que já disse isto por aqui]
Não me venham com histórias da inveja boa e má, porque não há variedade - pode haver quantidade - mas será sempre má. Não me importuna habitualmente o que os outros têm, e muitas coisas francamente passam-me ao lado. Se porventura, as desejar, tenho bom remédio - comprá-las ou esquecê-las. Isto quando se trata de poder resolver com e somente dinheiro.

Quanto a terem inveja de mim, questiono-me porque raio hão-de ter inveja quando têm tantas ou mais  e melhores coisas que eu. Resumo-me a uma insignificância que não deveria ser alvo de inveja. Assusta-me a inveja que, às vezes, leio nos olhos dos outros por coisas tão pequeninoa e insignificantes.

Há quem diga que a inveja de terceiros nos pode fazer muito mal. 

A gravidez de outras mulheres não me causa nenhum tipo de inveja [evito-vos os paninhos quentes se me quiserem dar tamanha e fantástica notícia]. Mas causa tristeza por mim, não pelos outros.Pela minha incapacidade inexplicável de não poder conceber. Sei que isto pode ser incompreensível para muita gente, mas desde quando desejar que alguém não seja mãe nos pode trazer felicidade? Não me traz felicidade o mal dos outros. Não é porque eu não consigo, que devo desejar mal aos que estão felizes com a notícia. É sempre uma bênção para quem deseja ter filhos. Que nunca questionem os meus sentimentos relativamente à felicidade alheia. Entristece-me a minha condição, a resiliência que cá mora vai-me deixando aceitar esse facto, mas inveja? Esqueçam lá.

No outro dia, vi uma miúda, que não devia ter mais de 15 anos, com uma criança de colo, ambos andrajosos e sujos. Andava no supermercado a pedir. Chinelos de dedo nos pés sujos, unhas negras de sujidade e um novo bebé na barriga. Não senti inveja nenhuma. Senti revolta. 
Venham-me falar de Deus e do amor às criancinhas, que eu sou capaz de responder torto. Deus,a existir, tem mais que fazer do que preocupar-se com a vida de cada habitante da Terra. Talvez nos use no seu xadrez celeste. Deve ser mais isso.


2 comentários:

  1. Ainda agora ao almoçar refleti que há "pequenas coisas" que os outros têm e não valorizam, que seriam o suficiente para me fazerem muito feliz. Isso não me faz invejar ninguém, deixar-me (nos meus momentos menos bons) triste por não ter "direito" a elas. Desejar mal aos outros não resolve as nossas dores, pelo contrário só as aumenta, porque nos torna pessoas mais negras, focados no mau e esquecidas de apreciar o bom.
    Quanto a Deus, se ele existe e anda a jogar xadrez connosco é uma versão bastante macabra!

    Beijos

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  2. Invejar coisas apenas traz felicidade momentânea e é tempo perdido, já certas injustiças revoltam mas temos aprender a viver com elas, infelizmente. Havemos de encontrar forma de nos focarmos no que realmente é importante para nós. Beijinho

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