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A cigana e a minha sina

A cigana apareceu do nada, enquanto eu colocava um novo ticket do parquímetro junto ao vidro frontal do carro.
Ela olhou para mim e disse-me.: Deus a abençoe. 
Eu, pensando que ela me vinha vender pensos disse lhe: Não sei se Deus quer alguma coisa comigo... E não tenho dinheiro, escusa de pedir-me o que quer que seja!

Ela: saiba a menina que anda a correr médicos e hospitais mas lançaram-lhe a si e o seu marido, um mal de inveja. Eu fiquei a olhar a tentar perceber o que me estava a dizer ela e a que propósito.
Ela volta a repetir e ainda disse: Foi um casal que lhes lançou esse mau olhado no dia do vosso casamento! Deixe ler-lhe as mãos que hei-de explicar lhe.
Eu disse lhe que não. Que não queria que me lesse o futuro. Que era supersticiosa.
Ela disse-me: Não lhe quero ler o futuro, só mostrar-lhe o que dizem as suas mãos. Provar-lhe o que disse do mau olhado. [Isso não me iria provar nada]. Sorriu-me, não de escárnio, mas de uma gentileza estranha. não sei... Voltei costas e a mulher desapareceu. 
Eu tinha deixado o carro bastante longe do hospital. Estávamos apenas eu e ela naquele estacionamento. Quando voltei do hospital, já não a tornei a ver...

Ultimamente andam a acontecer-me coisas mesmo estranhas. Ou a minha mente anda a tentar ludibriar-me. Ou eu estou mesmo louca.


Quando cheguei para estacionar,logo pela manhã, nunca me tinha acontecido alguém me querer dar um ticket já usado mas ainda na validade. Aceitei-o.  Mais tarde, tive de avisar a enfermeira e voltar ao estacionamento para por dinheiro no parquímetro [porque tinha deixado o carro bastante longe do hospital e podiam chamar-me]. Foi quando encontrei a cigana...

A primeira vez que eu ouvi dizer que alguém podia ler-nos o futuro nas mãos foi quando era pequenita, na Estufa Fria. Nunca quis que me lançassem cartas mesmo que fosse brincadeira; evito acreditar nos signos, embora ache que cada signo tem características que os demarcam dos restantes.. Talvez porque não seja somente supersticiosa. Acho que prefiro que o futuro seja mesmo uma incógnita; pensar nele sem saber se acontece já me dá preocupações que cheguem.

[a minha mãe - depois de eu lhe contar a história - achou que eu devia tê-la deixado ler-me a sina.]

Comentários

  1. Há coisas que nos deixam a pensar...

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    1. S.o.l.,

      Também ficarias a pensar, não era?

      coisa mais estranha... Se não houvesse ninguém a oferecer-me um ticket de estacionamento, eu não teria voltado lá tão cedo e nunca veria a cigana, possivelmente.

      E sabes que ela não foi a primeira pessoa que me diz que há um casal que nos quer muito mal? Coincidência? sei lá...

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  2. Sim Alice, há coisas que me deixam a pensar... Nada acontece por acaso é a vida já me tem dado provas disso.. Vale apena procurar a cigana e ouvir o que ela te tem para dizer. Beijinho

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    1. Mara,

      Pode ser que realmente nada aconteça por acaso, mas onde será que este encontro me pode levar? Tem me feito pensar nisto mas a única coisa que consigo sentir e medo; medo de realmente haver alguém que me/nos queira tanto mal. E a acreditar nisso, ter ate uma ideia de quem possa ser, por comportamentos passados. Mas tudo isto pode estar a ser amplificado pela nossa mente.

      Bjs

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  3. Por vezes custa-nos saber certas verdades, preferimos ficar na ignorância. Pessoalmente acho que ia ficar tão curiosa, que deixaria ler a mão. Beijinho Alice

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    1. Gaja Maria,

      Sim, há verdades que é preferível ignorar. Eu fiquei apreensiva. Sou um bocado como disse hoje a Vanda Miranda - hoje é dia do Ocultismo ;) - não quero saber. é deixar rolar.

      Sabes que, por coincidência ou não, temos uns vizinhos, paredes mais com a nossa casa, que já fizeram umas quantas coisas para nos prejudicar sem que algum dia lhes tivéssemos feito mal algum. tento ser uma boa vizinha, sei que as miúdas deles adoram diospiros e na altura deles costumava-lhs levar muitos. dava-me dó deixá-los estragar e as miúdas lambuzavam-se todas por adorarem. Sempre que tinha alguma coisa que gostassem lá no quintal, partilhava com eles. Até que um dia, descobri que eles andavampor lá a meter-nos em mal com outros vizinhos, a inventar histórias, a criar mentiras. Fiquei desolada.

      Já várias pessoas nos disseram que eles são muito invejosos e que nos invejam, e eu olho para nós e não vejo nada que pudessem invejar, muito pelo contrário.
      Vivem bem, têm saúde, têm duas miúdas. Não é isso um privilégio?
      Por isso, coincidência ou não, o melhor é distância...

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  4. Também não acredito nessas (coisas) mas o teu marido ta doente? Há coincidências sim, mas essa relamente dá que pensar. Gostei do que escreves, Parabens :)

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    1. Nina,

      Prazer em receber-te por aqui e obrigada pelas tuas palavras.

      qandamos a passar por alguns problemas de vária ordem, inclusivamente de saúde.è óbvio que isto mexeu, mesmo não acreditando, dado as coincidências da história... A sensibilidade com que ando também me levou a sentir-me mais permeável.

      beijinho e volta sempre.

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  5. Alice,

    Na minha opinião, a vida é uma sorte (não encontro outra explicação para tanta injustiça), e por muito bons seres humanos que sejamos nem sempre a sorte nos sorri. Não acredito em mau olhado, se as pessoas más conseguissem prejudicar os outros só por lhe desejarem mal, então o mundo seria um lugar ainda pior.
    A cigana estaria possivelmente a tentar a sua sorte, todos precisamos sobreviver. ;)

    Um abraço

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    1. Canca,

      Nem sei se é sorte. Acho que é uma conjunção de opções que vamos tomando durante a vida.

      Quanto ao mau olhado, há muito quem acredite. O meu pai tem uma história, que agora que falaste nisso recordei. Desde miúdo, sempre que uma mulher lá da terra se cruzava com ele, fosse onde fosse, ele tinha uma tremenda dor de cabeça capaz de o fazer deitar no chão. Pasava horas com aquilo até que alguém lhe tirasse o quebranto (era muito normal nas aldeias encontrar pessoas que o faziam). Até que a mulher morreu, ele tinha sempre a terrível dor de cabeça. Voincidência? Mau olhado? sei lá...

      Quanto à cigana, acredito que fosse uma questão de dinheiro, embora a abordagem dela nada fosse de agressiva, bajuladora ou persistente. Diria que foi quase contemplativa...

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  6. Eu também sou tão esquisita com isso... já me leram a sina uma vez nos jardins do Mosteiro dos Jerónimos e eu não achei piada nenhuma...

    Beijos

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  7. Uma cigana, há coisa de 20 anos, tentou ler-me a sina, dizendo-me que o meu marido me traía, enquanto eu fugia dela. Nessa altura não era verdade, não era casada. Mas, cinco anos depois, o meu namorado de 11 anos, traíu-me... Quanto aos signos, eu sou chapada o meu signo.

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