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Crenças e mezinhas

A minha mãe acha que, quando não há medicina convencional que trate, pode ser que as mezinhas e rezas de algumas idosas mal também não façam. Felizmente fica-se por aí, e não se põe com aventuras de experimentar medicamentos milagrosos, embora seja adepta (estou contra a ideia) de beber chá de cacto Aloé.

Agora, na aldeia já há pouco quem saiba rezar o Responso a Santo António - para quando alguém perde alguma coisa;  curar do esbandalhado - quando alguém dá um mau jeito (está desarranjado) ou sofre de mau olhado; quebrar o quebranto, para libertar de males de inveja;  ou curar do aro  e do retorcido para mau jeito. Quando era miúda havia muito quem sabia de rezas para tudo. As pessoas foram morrendo e os mais novos nunca quiseram saber.

Hoje em dia, com tanta gente a consultar videntes, cartomantes e afins, e a acreditarem em tudo era capaz de ter dado jeito ter aprendido com os mais idosos.

A propósitos destas coisas posso contar uma história.

A três dias do casamento, o meu marido foi-se abaixo das canetas; estava tão magro (os nervos podem dar para isto!) que os joelhos entraram em falência, recusando-se a fazer uma caminhada sem vergarem.

Esperou que isso passasse, mas estava cada vez pior. Na véspera do casamento, entra a minha mãe na história; foi falar com a vizinha, que sempre me lembro de ser viúva e vestir de preto, para curar o futuro genro do aro e do retorcido. O meu marido lá foi, sentou-se, e iniciou-se a ladaínha quase inaudível. Tinha posto uma chaleira ao lume, a água fervia, esterilizou uma faca [suponho que fosse essa a ideia, eu não vi...] ; voltou a dizer umas rezas e passou a lâmina da faca pelo joelho. Tornou à ladaínha e mandou-o ir para casa, descansar. 

Assim que ele se levantou sentiu-se logo melhor. No dia do casamento, conseguiu pegar-me ao colo para entrarmos em casa.

Quem ficou com mau olhar (e não olhado, acho) fui eu. Na véspera do casamento fui presenteada com uma conjuntivite, que durou o casamento e no dia seguinte desapareceu.

Comentários

  1. Lá diz o ditado de nuestros hermanos: no lo creo en brujas pero que las hay las hay!

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    Respostas
    1. Pandora,

      talvez eles tenham razão: bruxas, fadas e anjos, quase me atrevo a comentar...

      Eliminar
  2. Estou com a Pandora. Não acredito muito nessas coisas mas posso dizer que quando o meu MaisVelho era pequeno recorri algumas vezes a essas pessoas para o esbandalhado, o aguado, os pesadelos e o mau olhado. Sempre a medo mas o que é certo é que ele sempre melhorava...

    ResponderEliminar
  3. Eu não acredito muito nessas coisas, mas conta a minha mãe que chegou a ir comigo e com a minha irmã, quando éramos pequenas, a uma senhora lá da aldeia que nos ajudava quando tínhamos virado o bucho, qualquer coisa como males do estômago...
    o que interessa é que o homem ficou melhor :)

    Beijos*

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  4. Apesar de ter nascido numa cidade, vivia num local mais rural dessa mesma cidade e era comum essas rezas. O responso de Santo António vim procurá-lo à net aqui há dias que perdi o cartão das vacinas da minha filha e depois tive uma visão e encontrei-o. Mas lembro-me de ter um pé torcido e ir uma senhora lá a casa fazer-me umas rezas, já eu andava na faculdade, ao fim de semana. E olha, ajudou.

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