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A vida é quilhada* [post pouco recomendado a gente com pressa]

Abril chegou e trouxe com ele uma esperança, um recomeço. Tive de mentir no trabalho porque, por lá a vida dos outros é um bom motivo para a coscuvilhice tão adorada pelo patronato. Tal como das outras vezes, e à hora que vinha no receituário, injetava-me na casa de banho. Dia sim, dia não, lá faltava ao trabalho - marcava férias, tinha tantas!- a minha colega com obrigação de me substituir fazia cara feia. Recebia recadinhos e maus humores dela porque não dizia ao que ia.
 Morria de medo de cada vez que era avaliada. Temia que me cessassem o tratamento por falta de resposta. Só queria chegar a punção, chegar bem, ter óvulos viáveis. E cheguei. A meio de Abril retirei 16 óvulos, oito deles maduros. Mas no dia seguinte recebi o balde de água fria. A técnica de reprodução medicamente assistida escolhida não tinha sido a adequada. Dada a qualidade óptima dos gâmetas julgava-se que a natureza faria o resto. Parece que os meus óvulos criaram uma espécie de imunidade e impediram a fecundação. Não soltei lágrimas. Não parti nada. Não disse palavrões. Resolvemos desistir. O meu marido disse que não queria sofrer mais. Não queria novo tratamento. Concordei com ele. Aceitei.

Este foi o meu presente de aniversário, o pior que tive em muitos anos... deixei me andar, perdi-me de mim, dos que me são próximos, passei a odiar cada dia mais o meu trabalho.

A vida foi dando outros pontapés que nem merecem ser referidos. Fomos acudindo os nossos e esquecemos as nossas dores.

Julho veio e a médica que me acompanha em PMA voltou a chamar-me para avaliação. Acabei por fazer a citologia com ela e não  com o meu ginecologista, a quem recorro anualmente para os exames de rotina. Fui chamada a patologia ginecológica. Morri e nasci tantas vezes entre Julho e Outubro. Havia fortes indícios de cancro do colo do útero. Só conseguia lembrar-me de que as coisas más não acontecem só aos outros. O medo com que acordava todos os dias, fez-me ter uma crise de pânico ao ponto de me perder no hospital, de não saber onde estava. Concluiu-se que o meu organismo tinha reagido no combate o vírus e aparentemente tudo está bem. Sou chamada em Novembro para novo tratamento de fertilidade; a alta motivação da médica leva-nos a concordar que merecemos dar outra hipótese a nós próprios. Opta-se por outra técnica. Decido marcar férias, decido não ligar nenhuma ao trabalho. Resolvo não me enervar. Empenho-me em ter esperança.
As injeções recomeçam, as idas ao hospital quase todos os dias também. Conheço duas outras mulheres que tem histórias de vida complicadas. Ficamos amigas. Descubro pessoas cá da terra que, tal como eu, escondem o mesmo que eu. Encontramos-nos no hospital e comungando do mesmo problema, fazemo-nos desconhecidos.
Saio da sala de cirurgia, meio adormecida e a deixar cair lágrimas em cascata. Dói-me tudo, sinto medo, não quero assustar o marido que ne segura a mão e limpa as lágrimas. Dezoito óvulos retirados. No dia seguinte recebo a noticia que 13 estavam maduros e nove fecundaram. Ao quarto dia depois da punção já só restavam dois. No dia da transferência, sobrou apenas um... e havia a dúvida se poderia ser transferido pois sofri hiperestimulação ovarica e tinha liquido nos ovários. A ecografia e as boas análises hormonais levaram à decisão de transferir.
Passei dez dias a afagar a minha barriga, a pensar que o meu feijãozinho ia agarrar-se ao meu útero. Via nos olhos do meu marido a preocupação, o medo. A médica havia dito para eu descontrair e pensar em coisas boas enquanto me colocava a sementinha no útero. Pensei em todo o amor daquela concepção, em todo o amor que iria dar-lhe. Tive esperança. Até dois dias antes do dia do teste sanguíneo de gravidez. Comecei a ter hemorragias. Na urgência do hospital, não conseguiram ver nada. Inclusive o teste à urina deu negativo. Disseram-nos que fizéssemos o teste sanguineo no dia marcado.Chorámos tudo o que havia para chorar; abriu se uma chaga tão grande no peito que me joelhei no meio da casa e quase sufoquei de dor e tristeza. As hemorragias fortes e densas eram a evidência que algo estava muito mal.
Fomos de mãos dadas ao hospital, ouvir a médica dar o veredicto. Choramos na viagem ate lá, com a música de Mariza como fundo. Esta será a música que sempre me lembrará este momento de vida. Sentámo-nos em frente a médica e ficamos surpreendidos quando nos disse que o teste era muito baixinho mas positivo. Estive grávida. Possivelmente a gravidez seria não evolutiva dado o volume da hemorragia que estava a ter e o valor beta abaixo de 50. Seria sintoma de aborto. Estávamos prontos para o negativo e agora aquilo. Teria de repetir a beta hcg dentro de dois dias para garantir que seria zero. Dois dias depois volto ao hospital para constatar o zero. Mas não foi isso que aconteceu. A hormona da gravidez continua baixíssima mas mais alta que a primeira vez. Teria de voltar a fazer o teste mais tarde para controlar as complicações que pareciam avizinhar-se. A gravidez ectópica parecia ser uma realidade. Hoje foi o dia de voltar a fazer o teste. Para não faltar ao trabalho, fiz o teste sanguineo num laboratório fora do hospital. Pedi urgência, para depois poder reportá-lo à médica do hospital. Contei à analista que ia fazer o teste para me livrar do peso da gravidez ectópica. Esperava que fosse zero para ficar descansada. Passado duas horas recebo via email a dosagem do beta hcg. Abro. O valor sextuplicou. Nunca desejei tanto um zero como neste últimos dias... ligo ao hospital. Tenho de voltar lá. Isto não e normal. Tenho de voltar a fazer o teste sanguineo e desta vez já posso fazer uma ecografia que já se conseguirá ver algo. Volto ao hospital na véspera de Natal. Só espero que as noticias não sejam tão más quanto os valores estão a querer demonstrar. Não quero fazer uma cirurgia ou tratamento porque a situação possa ser dramática e as minhas trompas possam estar comprometidas com um embrião a desenvolver se lá. Só quero que tudo acabe depressa sem mais chagas no coração, sem mais lágrimas, nem dores nem cicatrizes, no corpo e na alma. Já só quero esquecer que isto aconteceu, quero seguir em frente. E a decisão de não voltar a tentar e desta vez, é definitiva. A violência psicológica que estamos a sofrer acaba com qualquer racionalidade que se queira ter. Como me disse a enfermeira na ultima recolha de sangue: cada um tem que atravessar o seu deserto.

Nesta minha travessia do deserto abandonou-me a fé. Será um Natal que jamais esquecerei, pelas piores razões. e se todos os dias, pensamos que isto não pode ficar pior, o dia nasce e prova-nos o contrário. Já só quero ficar bem, depressa, e sem mazelas. Seguir em frente. Não se deve insistir em seguir o mesmo caminho, quando já se verificou que leva a becos sem saída. Será o fim da nossa jornada.

[Ponderei bastante em escrever este post. Porque me faltava ânimo, coragem. Porque poderia parecer leviandade minha falar da dor que sinto Há tanta gente com problemas tão complicados que, quando os ouço, deixo-me ficar calada a pensar se não estarei a dramatizar, se não deveria dar graças por ser só assim. mas tenho de deixar a dor ser verbal, para depois seguir em frente e em paz.]

*não aprecio nada esta palavra, muito usada nesta zona do pais. Podia ter usado um palavrão-ultimamente, uso-os muito, para aliviar toda a revolta que sinto. Hoje uso esta em substituição de uma bem feia.

Comentários

  1. Emocionei-me ao ler o que escreveste...volto para te deixar algumas palavras com o tempo que mereces. Nunca percas a fé! Um abraço apertado. Volto depois.

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    1. Jardim de chuva Prateada,

      A fe esta perdida.As vezes as coisas não acontecem mesmo, por toda a fe que possamos ter...

      Acho que vou aceitando a ideia que nunca serei mãe. Admito que me julgava mais forte, estou a dar-me um pouco mais de tempo para superar isto do que julgava inicialmente necessário.

      E deixa me dizer-te que te admiro, por seres uma mãe coragem que me pareces ser. Desejo que as nuvens negras deixem de pairar por ai, e o sol rasgue os céus e faça da tua chuva prateada um lindo arco íris.

      Beijo e um excelente 2016, repleto de saúde e felicidade.

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    2. Neste momento e penso que é dificil nos colocarmos no lugar dos outros sem antes o ter sentido e passado pelo mesmo, talvez nesta altura as palavras não sejam o mais importante. Se estivesse aí ao pé de ti, simplesmente te daria um abraço. Não te culpes. Chora se tiveres de chorar, faz o luto que tiveres de fazer. Eu acho que devemos sempre fazer o luto das situações que nos feriram. Penso que só assim, consigamos seguir em frente, mais limpos e com as feridas saradas.
      Nunca te esqueças que a vida tem o dom de nos surpreender, e nem sempre é pela negativa.
      Às vezes temos mesmo de parar, esperar e deixar que a vida fluia como ela quiser que seja. Nós não a conseguimos controlar. Um abraço meu.

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    3. Jardim,

      Sim, neste momento sinto necessidade de fazer uma espécie de luto. Nem sempre tem sido fácil levantar me, mas tenho de obrigar me a reagir; mais devagarinho do que aquilo que me e habitual. Não tenho pena de mim, mas sinto me fraca e doida. Isto e daquelas coisas, que por muito controladora do meu tempo e da minha vida que eu seja me escapa flagrantemente diante dos olhos. Isto e a desorganização que a vida me parece impor, seja por que motivo for. Talvez seja a vida a obrigar me a mudar de rumo, a fazer me andar mais devagar, a fazer me sentar em lugar de correr, a pensar mais em mim e deixar os outros tropeçarem mais vezes, em lugar de lhes amparar as quedas.

      Sei que daqui a uns meses talvez veja isto de outra forma. Quero acreditar que sim, que consegui tirar uma lição apesar de toda a dor e fraqueza que sinto agora.

      Dou te razão. Devo deixar que a vida flui,e esperar.

      Obrigada pelas tuas palavras, pelo teu carinho, pelo teu abraço.

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  2. Alice

    Podemos ser sensíveis aos problemas dos outros, mas isso não invalida que soframos os nossos (ainda que nos pareçam menores). Falar/escrever pode ser uma forma de libertação. Li com todo o carinho e foi inevitável emocionar-me, fiquei com uma enorme vontade de te abraçar e dizer que vai correr tudo pelo melhor. Força.

    Um abraço enorme*

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    1. Canca

      As pessoas que me são próximas "acusam-me" de falar pouco das minhas coisas; sempre ultrapasse as coisas e evite contar o que me apoquentava porque, mesmo não sendo uma optimista,acabo por achar que o que de mau me acontece é sempre o que de melhor podia acontecer, no pior cenário. Nunca me dou muito tempo para viver as minhas "dores" para não pensar muito. E depois de muito tempo, acabo por desabar por não me dar o direito de verbalizar o que sinto, por não dar muita relevância ao acontecido. Andava a evitar falar/escrever sobre isto. Mas desta vez não fui capaz. Não me quis fazer de pobre coitada, como calculará. Apenas quis libertar esta dor que esta mais funda do que inicialmente reconheci.

      Beijinho, obrigada pelas tuas palavras. Excelente 2016 para ti, com todas as oportunidades para a felicidade.

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  3. Era suposto saber dizer algo que te fizesse sentir abraçada, minimamente confortada. Algo que te desse alento e esperança numa resolução da situação que menos vos doesse.
    Imagina que estou a dizê-lo, porque na verdade não sei bem o que dizer, sem ser dar-te um abraço forte e sussurrar um "estou aqui se precisares falar".

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    1. S.o.l,

      As vezes, os abraços sao mesmo o que mais conforta em alturas de dor. Eu também não saberia o que dizer... não há palavras que nos amenizem as dores da perda sejam elas quais forem. Um abraço e tanto! Mais do que alguém possa imaginar. Eu, que nem sou muito de contacto físico, permiti nos últimos dias alguns abraços de outros e que me confortaram tanto; as pessoas nem imaginam o poder de um abraço, segredar em simultâneo um " tudo ira passar", e sentir o aconchego genuíno de quem nos abraça.

      Obrigada pelas tuas palavras.

      Que a vida te sorria sempre, que 2016 seja repleta de muito sol e poucas nuvens.

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  4. Revi-me na tua história... Passei por tratamentos iguais, também fiz hiperestimulação, tive um positivo muito baixinho, que acabou por se revelar num aborto. Mas a minha história teve um final feliz, hoje o meu filho já tem 1 ano... Força para o que aí vem, nós aguentamos muito. Bjs

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    1. Sofia,

      Se bem vinda. Obrigada pelas tuas palavras.

      Sem duvida que aguentamos muito. Este foi o quarto tratamento. Aqui não aguentamos mais... isto tem sido uma violência psicologica atroz. Talvez porque are este ultimo tratamento não me tenha permitido viver a perda. Esta ainda me doi. Felizmente, a gravidez ectópica parece não se confirmar-os valores do beta estão a descer e a ecografia parece não indiciar algo nas trompas. Foi um aborto e em principio tera arrastado tudo, não parece haver nada residual no organismo. Ainda assim, volto novamente ao hospital na próxima semana, ansiando que seja desta o zero, para que finalmente deixe de pensar em complicações.

      Tu que já passasse por isto sabes que não há só histórias felizes como a tua. Não posso continuar a passar por esta violência física e psicológica, contrariando a natureza, sabendo que não tenho garantias que da próxima vez é que vai ser.

      Quando nem sequer consigo criopreservar embriões -algo que me aliviaria do sufoco de ter de começar do zero- o meu marido considera que e por demasiado em risco a minha vida. Quer queiramos quer não, estes tratamentos tem repercussões mais tarde. Insistir com algo que a natureza não nos concedeu parece estar a desafiar as suas leis.

      As vezes, temos de parar. Não e desistir, e analisar as probabilidades. E face as minhas tentativas nos últimos sete anos, parece me pouco provável conseguir ser mãe; nem a ciência consegue ajudar.

      Fico sempre feliz que alguém consiga concretizar o seu sonho de ser mãe. Ainda bem que conseguiste. Isso e motivação para quem acaba de saber que sofre de infertilidade, e conhece casos de sucesso como o teu.

      Beijinho e feliz 2016

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  5. não consigo, nem sei o que possa dizer, pois a tua dor é enorme, e não tenho como ameniza-la.
    deixo-te um beijinho e muita força. e que o tempo ajude a curar, a sarar essas feridas.... és forte e vais dar a volta por cima.

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    1. Anita,

      Obrigada pelas tuas palavras.

      Dizem que o tempo cura tudo. Eu e tu sabemos que não cura, mas sabemos que ajuda a amenizar.ainda vives a dor da tua perda. Ainda doi, mas todos os dias a dor parecera menos profunda. As boas recordações ajudam a que a ferida sangre menos.
      Que vivas a tua gravidez feliz. Aproveita bem. Deve ser um momento fantastico, mesmo já não sendo a primeira.

      Beijinho e bom 2016, com esse rebento a caminho.

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  6. O teu afastamento daqui era-me suspeito. E aquela ideia de "hei-de enviar-lhe um mail" ia e vindo, ao sabor dos dias. Queria enviar, mas havia algo que me dizia que se estavas afastada, era porque precisavas do teu tempo, do teu espaço, do teu isolamento. Ler este desabafo deixou-me de coração apertado. O mail que já poderia ter enviado não faria diferença, mas levava-te este abraço que tenho sempre para ti, e mantenho a esperança que um dia possa ser ao vivo.
    Não posso imaginar o que tens vivido. Nem por sombras. Mas imagino a dor e angústia. A vontade de desistir, fruto de tanto cansaço, desilusões, baldes de água fria a cada pequena esperança renovada. Mas o pouco que conheço da tua alma, sei que a tua tenacidade, força e perseverança é mais forte. E que vais lutar pelo teu sonho enquanto for possível, por mais ténue que seja a esperança.
    Um grande e apertado abraço. Estou aqui, pela sombra, quando precisares de um ombro para falar, chorar, gritar.

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    1. Pandora,

      Obrigada pelas palavras. Desta vez não há perseverança nem força a aparecer tão rápido quanto desejo. Resta-me o tempo. Esse que dizem que cura tudo. Não cura, mas ajuda a não lembrar...

      Beijinho

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  7. Oh Alice, nem sei o que dizer, fiquei muito emocionada com as tuas palavras. Não vivi essa dor pessoalmente mas acompanhei várias de muito perto e sei que é muito difícil de suportar. Mas tu és forte e vai superar tudo isso. Um grande e forte abraço e que as notícias sejam boas no dia 24.

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    1. Gaja Maria,

      Já uma vez escreveste sobre isso. Acredito que tenhas uma ideia muito próxima daquilo que se sente.

      Julgava-me mais forte. Hoje sinto-me fraca, mas diz a experiencia que tudo passa, menos a cicatriz que ca fica...

      As noticias recebidas encaminham para que o melhor dentro do pior esteja a acontecer.

      Beijinho

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  8. Deitar para fora ajuda a ultrapassar a dor, de resto não tenho palavras Alice...
    Que Deus Menino esteja contigo no dia 24/12/2015

    Um forte abraço

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    1. Maria C.,

      Não e muito habitual falar de coisas com este nível de intimidade. Em Abril não o fiz. Fui capaz de saltar a dor sem falar no assunto. Fiz de conta que não tinha acontecido. Mas desta vez não fui capaz... a dor e demasiado forte...

      Felizmente os últimos exames evidenciam o melhor dentro dos piores cenários iniciais. Volto a 30, para encerrar este capitulo da minha vida.

      Obrigada pelas tuas palavras. Beijinho.

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  9. Só para deixar um abraço e um beijinho cheio de força!

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  10. Alice ... não há palavras para suficientes para te reconfortar ... já uma vez te disse que a vida te vai sorrir ... tu és uma mulher de valente ... apenas te deixo um beijinho muito muito grande e um abraço bem apertadinho <3

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    1. Ângela,

      A minha vida não sao apenas tristezas; também me sorri. Tenho um companheiro que e o melhor que poderia ter. Isso e uma bênção. Quanto a fertilidade não sei se a vida me sorrira. Não há finais felizes para todos os casais que sofrem deste problema, mas há que seguir em frente. Neste momento só quero isso.

      Obrigada pelas tuas palavras.

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  11. Passei por uma gravidez não evolutiva. A minha filha mais velha foi gerada entre injecções que dava a mim própria e intimidade com hora marcada. Sofri horrores, passei o meu deserto, mas decidi não desistir, apenas não insistir mais. Quando já nada esperava engravidei. Foi uma gravidez cheia de medos, cheia de sustos e muito vigiada. Quase que não aproveitei o estado de graça, tal era o medo. O parto foi horrendo, por cesariana, com ela já em risco de vida. 15 meses volvidos, sem qualquer tratamento, sem qualquer estimulação ovárica (a que estava já então disposta a voltar) engravidei da minha filha mais nova. Não sei se isto te serve de conforto, mas eu acredito que os milagres acontecem. Conheço mais ou menos a tua dor. Hoje, 11 anos volvidos vivo feliz com duas meninas que são os meus olhos. Não desistas nunca. Deixa apenas de insistir.

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    1. Maria do Mundo,

      A tua ultima frase diz tudo. Vou deixar de insistir. Já deixamos de o fazer.

      Desistir não e possível. Afinal não vou precaver-me. Há sete anos que não tomo precauções para evitar uma gravidez. Não o vou fazer agora. Nem faz sentido.acho que me chamasse a razão. Não e desistir. E deixar de insistir. Isso sim.

      Gostei de ter lido o teu testemunho. Há muitos casais que contam histórias semelhantes a tua. Inexplicavelmente a gravidez acontece. E o que faz com que isso aconteça naturalmente? Não sei.

      Infelizmente, mai acontece a todos os casais, mas eu gostaria muito que acontecesse. Se acontecesse, talvez visse todas estas provações como pequenos obstáculos no caminho. Agora vejo como buracos enormes onde fico enfiada...

      Obrigada pelas tuas palavras de alento

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  12. E eu que quero tanto dizer-te alguma coisa, não consigo. Trago-te no pensamento há dias. Muitos dias.
    Recebe o meu abraço cheio de carinho.
    Estou aqui.
    Coragem, querida!

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    1. Dear Daisy,

      Infelizmente sei que tens uma ideia muito aproximada do que sinto.

      Obrigada pelo teu abraço e palavras.

      Beijinho

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  13. Vim aqi ter através do blog da JCP e ao ler este post emocionei-me, muito.
    Não quero dizer para tentar mais uma e outra vez, quando eu sei bem a dor e o cansaço que nos leva a dizer basta.
    Sei bem o que é viver mês a mês, com mais um não. Conheço a violência no corpo e na alma. Se há alguns anos me dissessem que iria ter três filhos, pedia-lhes para não serem cruéis.
    Apenas quero deixar um abraço amigo, de quem percebe a dor e que não a conhecendo espera que a vid lhe sorria.
    Nany

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    1. Nany,

      Li o teu comentário antes de o publicar e resolvi ir ler textos teus ao teu blogue. Alguns dos mais antigos fizeram me chorar.

      Sabes bem o que e passar por tudo isto. Obviamente que nem todos sentimos da mesma maneira, mas sei ler a dor onde ela existe.

      Ainda bem que a persistência e a coragem te levou ao teu objetivo. Que depois foi mais que ultrapassado. Por aqui estamos demasiado debilitados para voltar a tentar...

      Beijinho grande e obrigada pelo teu carinho


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  14. É entre lágrimas e soluços que te deixo uma palavra: esperança! Nunca a percam dentro de vocês! Desejo infinitamente que o deserto já tenha sido atravessado e que o oásis vos apareça sorrateiramente! Beijinhos no coração <3 Sara

    ResponderEliminar
  15. bem que texto... é impossível não ficar triste com a tua dor. Eu acredito que um dia o teu vai chegar... ainda vais ter muitos motivos para ser feliz vais ver :):) Não percas a fé, a esperança.

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