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dos últimos de Janeiro

 


 
 
 
Está a ser fim-de-semana de serra. A quase duzentos quilómetros de casa. sei que há quem me inveje estas viagens para a calmaria, para longe do bulício da cidades. Talvez se eu viesse como turista gozasse de outro estado de alma que não o de uma de dona-de-casa em casa alheia, para os deveres de limpar, passar e cozinhar. La fora paira um nevoeiro sebastianista e aproveito estar ao borralho para pensar e para escrever.
 
Dado que nos últimos meses as coisas mudaram bastante, passamos cá o fim-de-semana todo e não apenas o domingo. A chegada logo no sábado de manha fez-me ganhar vontade de matar tempo na cabeleireira a uns escassos quilómetros daqui. já que agora o tempo sobeja, guardo esse tempo para mim. meia dúzia de euros - um pouco mais - pinto e corto, e enquanto espero ouço as coscuvilhices onde não posso - nem quero - participar por não conhecer os intervenientes da narrativa, entre v's e b's todos trocados. algo que me aflige um pouco. mas a carteira agradece e eu saio da clausura, já que gosto pouco dos escrutínios dos habitués do café da terra. Não o vejo como lugar conveniente para frequentar. Já sou um falatório na terra só por verem os tapetes a arejar, as janelas escancaradas e a roupa no estendal. sabem que cá estou mesmo sem me verem. E falam disso...
 
Voltando ao salão de beleza...ontem, regressei com uns vinte centímetros de cabelo a menos. porque precisava mudar. necessitava  de dar o mote à transformação que preciso dar à minha vida.
 
O marido ficou de queixo caído, literalmente, pela mudança. há vinte anos que não tinha o cabelo tão curto. já passaram vinte e quatro horas sobre o sucedido, e ele continua sem saber se gosta ou não. Ele diz que eu pareço uma garota, por isso, ainda não decidiu se gosta. Eu cá gosto e não perco oportunidade de me ver ao espelho. Gosto tanto daquilo que vejo reflectido. Isso é um bom princípio para o que se anda a desenhar na minha cabeça.
 
Ainda não tomei a decisão se vou fazer mais um tratamento de fertilidade. Ele não concorda porque ainda está tanto sofrimento presente, por nada estar garantido. Mas deixa a decisão comigo, que me apoiará, decida eu o que decidir. Essa é uma das decisões de Fevereiro que estou a guardar para tomar lá para o final do mês, quando a consulta acontecer. Quando já algumas das medidas que penso implementar estiverem a decorrer. Sei que quando lá chegar vou saber o que fazer. Cortar o cabelo de uma forma radical foi só o  primeiro pequeno pulo para a reviravolta que estou a desenhar na minha cabeça.
 
Já disse que sou avessa a mudanças? Comecei ontem a contrariar a minha aversão. Não! Durante todo o mês de Janeiro fiz alguns croquis na minha cabeça. Ontem foi só o lado visível de uma das minhas decisões. Começo com o gosto de me ver ao espelho, mesmo que, amanhã, a cara dos outros me diga que eu tomei uma decisão idiota. Esperem, que isto é só o início.


(o corte e muito semelhante ao da imagem.)

Comentários

  1. Eu estou numa época de completas mudanças! Doi mas é preciso.

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  2. Fizeste muito bem, faz bem mudar e se o corte é esse, adoro, há um ano tive o meu assim :))

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  3. Como se costuma dizer: quem muda, Deus ajuda! Espero que Fevereiro seja assim um mês cheio de boas mudanças! Tudo de bom!

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  4. Também já tive esse corte de cabelo mas sem franja e ADORO :)
    Só que o meu cabelo é indomável e nunca andava penteadinha :P

    Alice... se não fizermos diferente não podemos esperar resultados diferentes!
    Beijinho e abraço.

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  5. O meu corte de tantos anos :D
    Adoro!
    Boa sorte para a tua decisão, seja ela qual for ;)
    Beso

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  6. Ja eu gosto de mudancas, aflige-me mais estagnar. Por isso, passo a vida a fazer mil uma travessuras ao meu cabelo. Agora esta curto e loiro, vamos la ver daqui uns meses como vai estar :P

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  7. eu gosto de mudanças :) as vezes fazem muito bem à alma :)
    No momento saberás a decisão acertada :)

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