quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

não gosto destas reviravoltas

No ano passado, antes de saber que ia fazer o tratamento de fertilidade - o tal que, inicialmente, tínhamos decidido não fazer -comecei a mentalizar-me que devia mesmo de arranjar um novo emprego. Com menos viagens, mais perto de casa, com outras responsabilidades e noutro ramo. Tinha decidido fazê-lo até ao final de 2015. Comecei a enviar curriculos, para anúncios onde me via a trabalhar. Não é fácil mudar de um sitio com algumas regalias bastante aliciantes, mas eu achava que o devia fazer, mesmo ficando [provisoriamente] a  perder. Para bem da minha saúde mental, para ter mais tempo para mim e para as minhas coisas. Não é fácil mudar de cavalo para burro, mas estava disposta a isso. 

Veio o tratamento, e a minha esperança foi tanta na gravidez, que decidi adiar o plano de mudar de emprego. Deixei isso para segundo plano. Resolvi esperar para ver o que dava o tratamento. 

O tratamento teve o fim conhecido e a ideia de mudar de emprego voltou mais forte que nunca (isto é uma fonte de stress, ainda mais para quem a mania do perfeccionismo como eu). Ando a trabalhar nesta ideia de mudança desde os últimos dias de Dezembro.

Está decidida a mudança de emprego para o primeiro trimestre deste ano. Arranje ou não emprego. O meu marido diz que apoia a decisão, mas para pensar bem. Não me lançar à bruta. Este mas para ele significa que eu devia arranjar uma rede para suportar a minha queda, isto é, um novo emprego e não sair de mãos a abanar. Afinal largar o emprego sem outro suporte é não ter direito a nada.

Ontem isso estava mais interiorizado em mim - eu que sou avessa às mudanças, preciso de forte motivação para a interiorização. Ontem foi o dia em que chegou lá a casa a carta para nova consulta no hospital. Ida em Fevereiro. Para fechar o processo anterior. Para pensar num novo tratamento, se eu estiver em condições físicas, já que em menos de um anos seriam três punções. Faltar ao trabalho. Justificar as ausências. Sofrer. Perder. Mas já está decidido que não vou sujeitar-me a mais nenhum sofrimento deste tipo. Não sou capaz. Embora o bicho da incerteza e do medo more cá e me derrube muitas vezes, tenho que por em prática estas duas decisões. Custa-me. Não gosto de ser uma perdedora, mas desta vez tem que ser. Admitir a derrota. Perder, para talvez um dia voltar a ganhar.

Caraças, porque é tudo tão difícil?

Admiro pessoas que não demoram muito tempo a tomar decisões. Não vacilam e atiram-se para a frente. Eu, até para decidir um corte radical de cabelo, ando cheia de indecisões. Só consigo ser decidida no aspecto profissional. 

5 comentários:

  1. Admirir a derrota não faz de ti uma perdedora. Depois que assumir a realidade para ganhar forças e enfrentar o futuro. Seja ele qual for. Sem nunca perder a esperança

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  2. Tens que ter esperança que vais sair a ganhar das duas decisões. Uma irmã de uma amiga está agora de 13 semanas, à 10º tentativa. Vale mais tarde que nunca. Há histórias com finais felizes. E pensamentos positivos atraem coisas positivas.

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  3. Fé! Em TI! Fé! Na VIDA!
    Beijinho grande, Alice!

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  4. admitir uma derrota não é sinonimo de sair vencida :):) Um dia o teu dia vai chegar :)

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  5. Se é isso que queres porque te sentes derrotada? Se não tens a certeza vai á luta, como dizem ás três é de vez. Se estás mesmo decidida segue em frente e jamais olhes para trás. Beijinho e muita força :)

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