Avançar para o conteúdo principal

Nunca me tinha acontecido

Costuma dizer-se que dinheiro fácil, vento o trouxe, vento o levou.

Na segunda, ainda que cheia de pressa, resolvi parar ao final do dia num supermercado para comprar queijos frescos. Só gosto de uma determinada marca e costumam vir em pouca quantidade. Julguei que ia ser rápido. só queria aquilo.

Junto à entrada do supermercado - do lado de fora- há uma caixa multibanco. Ao passar junto, a máquina dizia repetidamente, alto e bom som: "Retire o seu dinheiro". Na minha correria, ao ouvir, pensei que  a máquina estivesse tolinha. Dou por mim a confirmar que alguém se tinha esquecido do dinheiro. Retirei-o. Nunca tal me tinha acontecido. 
Olhei à minha volta em busca de alguém com um comportamento de aflição. Nada. Recuei ao estacionamento. Nada. Vi dois senhores na cavaqueira ali perto do multibanco e perguntei-lhes se tinham dado conta de quem estaria ali para levantar dinheiro e expliquei. Sabiam apenas que era uma mulher e que tinha entrado no supermercado.

Comecei a achar que ter aquele dinheiro na mão me estava a dar problemas incompatíveis com a minha pressa. Queria devolvê-lo; ainda me acalmaram os senhores dizendo que, e não fosse eu, era outra pessoa a ficar com ele.
Estava a entrar no supermercado, quando vejo uma senhora atrapalhada, a questionar quem estava no multibanco se tinha visto dinheiro esquecido. Ao ouvir a conversa, e depois de verificar que o dinheiro era dela, devolvi-lhe as duas notas dez euros.

Custava-me ficar com o dinheiro que não era meu. É óbvio que o dinheiro sendo perdido, não traz nome para ser devolvido. Mas se nos importarmos em casos como estes, acho que arranjamos maneira de os resolver.

Iria ficar de mal com a minha consciência. Mas acredito que haveria quem não tivesse esse problema.

Comentários

  1. De louvar, Alice! A maior parte das pessoas não o faria, infelizmente!
    Um grande beijinho! É bom saber que num mundo onde os valores se perderam ainda há quem os mantenha!!

    ResponderEliminar
  2. Já me aconteceu, mas felizmente a pessoa vinha logo atrás à procura.

    ResponderEliminar
  3. A maioria das pessoas pirava-se do local o quanto antes guardando o dinheiro. És linda Alice :)

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Tens alguma coisa para dizer? Obrigada por partilhares! ;)

Mensagens populares deste blogue

Jardim de Chuva Prateada

hoje em dia, as pessoas têm muitos amigos no facebook. é onde têm mais amigos. Se,de repente, essa pessoa deixar de colocar posts ou likes, não mostrar as suas selfies, os amigos vão preocupar-se com isso? se calhar não. acho que impera por lá a inveja, não a preocupação... Acho que os blogues são bem mais que isso. As pessoas não são sempre felizes; quando querem, mostram a vida que realmente vivem. E, às vezes, a amizade nasce, quando nos identificamos com essa pessoa. [Bem sei que há por aí gente com mais imaginação do que vida própria.] Há cerca de dois anos, uma pessoa frequente no meu blogue, deixou de escrever no blogue dela e nunca respondeu a emails que varias pessoas "chegadas" lhe haviam enviado, inclusive eu. tinha-me deixado um apelo no seu blogue, a que depois respondi e nunca mais tive resposta. ainda hoje tenho o seu blogue na minha de lista de leituras, para o caso dela voltar. mantenho a esperança que nada tenha acontecido. Agora volto a preocupar-me com a…

ironias

O meu marido conseguiu saber/sentir primeiro que eu o que e uma epidural...
(ouvimos sempre falar de epidural aquando dos partos mas afinal, não serve apenas nesses casos)

das minhas fragilidades. tenho coisas para contar, mas hoje "roubo" palavras a outros

O momento de escrever o que Maio me trouxe e me levou, vai chegar. falarei sobre isso, quando me sentir com os pés mais perto da terra e menos de cabeça para baixo. Sem os dramatismos com que agora vejo os acontecimentos.Maio trouxe e levou. A minha vida continua um novelo com muitas pontas e poucos fins à vista. tenho de falar nisso. Porquê? porque preciso. só não sei por que ponta começar.

Enquanto as minhas palavras não saem, gostei das de outrem, que não hesitei em roubar, sem pedir licença, mas dando os devidos créditos.

Tantas palavras te disse hoje,
mas as mais frágeis reservo-as
para o dia em que te encontrar.[Deste blogue]