sábado, 27 de fevereiro de 2016

vai aqui uma grande tempestade

Aqui chove a potes. Durante a noite aconteceu o mesmo; tive um sono intermitente e dei conta da chuva.
Estou indecisa entre ficar na cama ou passar para a sala, acender a lareira e ficar a pensar na vida. De madrugada sonhei com aquela amiga que deixou de ser. No sonho, senti a indiferença de um encontro pós-ruptura e acordei deprimida. O assunto ficou arrumado e não me sinto arrependida disso. No sonho talvez fosse a tristeza a falar, já que não me dei um tempo para ficar triste. Fiquei aliviada. Deixei de me sentir tão cansada. Portanto era algo que me martirizava e deixou de acontecer.
 
Fevereiro tem sido um mês de resoluções radicais. Basicamente, deixei de fazer aquilo que me andava a fazer pouco feliz. Mas o caminho ainda não acabou. Ainda falta deixar o emprego. Tenho medo de o fazer. Tenho andado a adiar esta decisão, muito associada à questão de engravidar.
Preciso sair do emprego para ter uma vida mais calma. Para cuidar mais de mim. A única coisa boa que o emprego me dá, neste momento, é o salário a tempo e horas na conta. Tudo o resto é um grande sofrimento.
Ter medo de acontecimentos futuros deixa-me sem saber o que fazer. O medo paralisa.
Os acontecimentos desta semana adicionaram outros medos...

Já tinha uma grande parte das perguntas para fazer na minha cabeça. Iria ter as respostas que me levariam a decisão de não fazer mais nenhum tratamento de fertilidade. Achava eu. Não fiz as perguntas, porque ela me falou logo em obter respostas. Falou-me da urgência do tempo, do averiguar as causas inexplicáveis mais profundamente, de não desperdiçar a derradeira oportunidade.
Não lhe falei que tinha medo de fazer mais uma vez. Adiei a decisão para Maio, altura em que voltarei para saber os resultados das compatibilidades dos nossos cariótipos e das possibilidade de existirem trombofilias. Foram estes os exames que indicou que iria fazer agora. Os resultados vão demorar, uma vez que é necessária a intervenção de geneticista. Engravidar está a ser um processo cada vez mais cansativo quando, em situação normal, devia ser uma coisa prazeirosa. Se os exames não derem nenhuma anomalia, que problema vamos atacar? Ate lá, vou deixar este problema em suspenso, tentando não pensar muito nele. Quando falar nisto ao meu ginecologista, na consulta anual, sei que ele me vai incitar continuar a tentar. Ele está mortinho por fazer crianças virem ao mundo.

Ate agora tenho escondido esta situação de toda a gente do trabalho. Tenho usado dias de férias que agora já não tenho em abundância, para tratamentos e repousos. Esconder algo que me afeta o dia-a-dia de uma forma tão drástica, tem-me envelhecido, preocupado, criado uma ansiedade brutal. Tenho ponderado entre o esconder e enfrentar a cara de pena das pessoas. Eu só quero ter sossego e não ser penalizada de nenhuma forma. Eu sei que seria mais fácil se, com gravidez de três meses, eu tivesse de dizer ao meu patrão que estava grávida. Agora ter de dizer que estou a tentar engravidar e expor parte da minha vida íntima.... Não sei se terei suporte do patrão, ao contar uma coisa destas. Alguém que vê o cancro como mais uma doença... alguém que não dá valor a nada porque sempre teve tudo...
A lei dá-me o direito de faltar por este motivo, mas não sei se não terei de arcar com a falta de compreensão do patronato, porque temo não a ter. As justificações virão com o motivo de falta, e sei que quem as receber vai espalhar a notícia aos quatro ventos. Também não posso iniciar um tratamento, se assim o decidir, nestas condições de ansiedade em lugar de me sentir apoiada.
 
Anda para aqui uma grande confusão na minha cabeça. Não sou capaz de decidir nada, não sei que caminho tomar... Está tudo baralhado na minha cabeça.
 
Vai aliviar-me um bocadinho a cabeça ir com o meu amor pequenito [sobrinho] ao cinema. Vamos ver Zootropolis. Pelo menos, deixarão de pairar por aqui estas nuvens grossas, por umas horas.
Mas tenho de decidir estes problemas no emprego ou vai continuar a chover cá dentro, mesmo que a chuva cesse la fora.
 
 
 
 
 
 

4 comentários:

  1. Só irás ficar mais tranquila, quando tu própria tomares essas decisões. Mas espera, ouve-te e segue o teu instinto, ele normalmente está certo. Um beijinho.

    ResponderEliminar
  2. Ouve o teu coração Alice. Saberás então todas as respostas. Beijinho

    ResponderEliminar
  3. Olá Alice, obrigada por passares no meu cantinho :). Saber o que não queremos já é muitas vezes um passo de gigante. Mas a liberdade da escolha traz sempre as responsabilidades inerentes às decisões que tomamos e com elas o medo de que falas. Às vezes mais do que procurar a decisão certa, ajuda tentar imaginar o pior cenário da decisão tomada porque muitas vezes percebemos que até nem é assim tão mau como inicialmente equacionamos. Um beijinho

    ResponderEliminar
  4. Hoje em dia há cada vez mais problemas de infertilidade. No meu caso não senti esses olhares de pena propriamente dita. E tentar esconder os tratamentos é de facto muito desgastante. Pensa bem nisso e força! Dina.

    ResponderEliminar

Tens alguma coisa para dizer? Obrigada por partilhares! ;)