terça-feira, 5 de abril de 2016

afectos

Emociono-me sempre que um filho, já maduro, beija as faces do seu pai. Isso acontece na empresa onde trabalho e lá em casa também. O meu irmão cumprimenta sempre o meu pai com dois beijos na face.
Curiosamente o meu marido, sendo uma pessoa muito mais afectuosa que qualquer um dos outros que falei, cumprimenta o pai com um aperto de mão e o pai logo o puxa para si, num caloroso abraço.
Não são poucas as vezes que vejo o meu marido e o pai em brincadeiras de miúdos. O meu sogro, já a caminho dos noventa, juntamente com o seu filho mais novo fazem uma parelha de miuditos. isto não acontece com nenhum dos outros dois filhos.
Acho terno quando o meu sogro lhe afaga a nuca e o meu marido lhe diga: Pai, dá-me mimos. [Agora enquanto escrevo isto, não consigo evitar que os olhos fiquem marejados].
O meu marido não se inibe de demonstrar afecto seja onde for. Parece um gato sempre a pedir mimo.
No outro dia, falávamos da escolha dos outros quanto aos nomes para crianças. Comentávamos que nós gostávamos de determinados nomes, muito tempo antes de eles estarem na moda. Sempre tivemos apenas um nome para rapaz - que agora já não poderia ser, pois o meu irmão antecipou-se com o meu sobrinho. Mas ao longo do tempo, fomos mudando os nomes de menina, deixando um nome de lado, sempre que ele passava a estar na moda.
Perguntei-lhe se houvesse a oportunidade de ainda virmos a ter filhos, se tinha preferência (eu sabia que tinha). Nas circunstâncias actuais, ele disse que isso seria irrelevante. Minutos mais tarde, acabou por confessar que gostaria que fosse uma filha. Muito.
Perguntei-lhe o porquê, sorrindo pensando que sabia a resposta, mas fiquei surpreendida: Gostaria que fosse uma menina, porque as meninas são muito mais de dar mimos que os rapazes. E eu gostaria de ser um pai com muitos miminhos.
É difícil conter as lágrimas. O meu rapaz, a caminho dos quarenta e dois, continua a ser um miúdo com muito afecto para dar e receber. Ele é o rapaz mais mimalho que eu conheço.

7 comentários:

  1. E isso é tão bom e tão raro nos dias que correm .
    Beijinhos

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    1. carla capricho,


      Não sei se é raro, mas acho bonito.
      os afectos que o meu marido teve em casa fez dele um homem extremamente afectuoso. Tenho pena de não ser como ele. há quem diga que opostos se atraem.

      bjs

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  2. Olá, Alice.
    Dar e receber carinhos sem medos. Há muita gente no mundo que não sabe o bom que é.
    ;)
    abç

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    1. Carmen,

      obrigada pela visita.

      Nem sempre toda as pessoas estão dispostas a manifestar afecto. mas as que manifestam sem medo, são amorosas.

      bjs

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  3. Quando soube que ía ter a 2ª menina, na eco, eu fiquei desiludida e o meu marido, na altura, disse ao médico que queria ter mesmo uma menina, porque tinha a experiência da primeira que era muito meiga.

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    1. Maria do Mundo,

      O meu pai queria uma menina- porque tinha irmão homens. Mas eu não sou muito meiga... o meu irmão é muito mais. Acho que a meiguice se aprende com a manifestação de carinho, sem medos, dos nossos pais. O amor aprende-se.
      A vossa filha será um exemplo do vosso amor de pais. :)

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  4. Tão bom Alice. Também acho que é raro ver os homens e até mulheres a manifestar desinibidamente a necessidade de afeto e mimos. E são tão bons. beijinhos

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