segunda-feira, 4 de abril de 2016

O mesmo assunto. outra vez...

Estou em contagem decrescente para saber o que hei-de fazer à minha vida. Bem sei que duas coisas muito boas não podem acontecer juntas. raramente acontecem. pelo menos comigo. Mas ainda assim, tento contrariar as leis do Universo, obrigá-lo a sair da sua rota habitual, e conseguir duas coisas muito boas em simultâneo. Ou não prescindir de uma para conseguir outra.

Esta semana tenho um exame médico para fazer, que levarei à consulta do próximo mês. Ou se vai ditar a derradeira decisão. Talvez nem seja precisa qualquer decisão, se o Universo considerar que quem dita as regras não sou eu, ou por muito que eu me esforce em re-escrevê-las...

Se me perguntarem se mantenho a ideia de desistir, neste momento, não tenho resposta. 
A semana passada, ao sair de casa, tive uma visualização de mim grávida como nunca havia tido. Diria que foi demasiado real e não apenas uma sombra de um sonho.Visualizei-me ao sair de casa com uma camisola às riscas azuis e uma barriga proeminente a conduzir para o trabalho. Dir-me-ão que já não estou boa da cabeça. Se calhar não. Ou perdi um medo qualquer que se pegava à minha alma que não me deixava ter esse tipo de visão tão nítida, como se conseguisse que o desejo se destacasse mais do que qualquer coisa que seja importante na minha vida. Não sei explicar.

Acho que, quando pensamos num grande projecto, o entusiasmo é tanto que não há medo que nos pare. Mas quando o projecto parece não acontecer, o medo começa a tomar conta de nós. Começamos a achar que não somos capazes, que nada acontece por acaso, que a Natureza é que sabe.

Quando, no fim-de-semana da Páscoa, o meu sobrinho fez questão de pedir à mãe que, logo pela manhã, fizesse as malas que a madrinha ia buscá-lo, tive um medo de não ser capaz de tratar dele. Iam ser dois dias e uma noite a adorar aquele rapaz. No entanto, sentia o medo a pairar sobre mim. Sentia que não seria capaz. Mas depois... depois, tudo foi mágico. Jogámos PS4 - ele fez questão que eu também o fizesse-, percorremos o jogo da Glória, pediu-me para fazer desenhos e que eu soletrasse letras para ele escrever frases. Procurámos vídeos de Judo em que ele me explicou as técnicas, ensinou-me umas palavras em Japonês. Eu ajudei-o a fazer um bolo de chocolate. Ele pediu para lamber a colher da massa do fundo da taça. Delirou a tomar banho na minha casa de banho. Acho que tem o mesmo gosto da madrinha em tomar banhos longos. Jantámos um dos pratos favoritos dele, ainda que eu não o soubesse. Contei-lhe a história da menina caracóis e os três ursos. Aconcheguei-lhe a roupa e vi-o a dormir. Vimos filmes da Lassie a preto e branco, já que há desenhos animados nos tempos que correm. Sabendo a minha profissão,  perguntou se podíamos fazer experiências. Fizemos umas quantas que ele delirou: encher balões recorrendo a bicarbonato de sódio e vinagre, ou fazer uma lâmpada de lava entre outras coisas. Quis levar bolo para o pai e a mãe provarem. Expliquei-lhe que fazer um bolo também era química.

Foi tudo tão bom. Foi tudo tão sereno, sem medos nem sobressaltos. Que me ajudou a superar o medo de não ser capaz. 

Foi-me dada também a oportunidade de fazer coisas que um dia sonhei fazer. Mesmo que o Universo possa querer continuar a conspirar contra nós, eu tive a oportunidade.



4 comentários:

  1. O instinto é sempre o nosso melhor guia :) Claro que és capaz :) Seja o que tiver de ser, está bem? Um abraço bom.

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  2. Se serias capaz? Claro que serias. Essa capacidade nasce connosco. É uma decisão difícil tendo em conta o que já sofreste e as desilusões por que já passaste e a decisão é sempre tua, mas encara como mais uma tentativa. Pelo menos não irias ficar a pensar que o podias ter feito e não fizeste. Beijinho Alice e muita força :)

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  3. Faz o que te manda o coração , o nosso coração é bem mais amigo que a nossa cabeça . Beijinhos

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  4. Penso que na vida, se ainda há oportunidade, muitas vezes vale a pena tentar, principalmente se acharmos que será mais fácil para nós no futuro viver com as consequências do que decidimos fazer do que com a dúvida de como seria se tivéssemos tentado. Se é uma oportunidade que a vida deu talvez não seja o universo a conspirar, talvez seja o caminho que nem sempre é direito....quem sabe ;). Um beijinho

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