Avançar para o conteúdo principal

Podia ter sido assaltada...

O espaço aéreo da nossa casa é muito frequentado por aviões militares, já que perto existe uma Base Aérea. De vez em quando, devem existir treinos militares também durante a noite. Parece que os aviões estão a poisar no nosso telhado. 

Eu, tendo o sono leve, acordo aflita e tendo acordá-lo sem grande sucesso. Ele diz, isto é um avião, vá dorme! e vira-se para o lado.

Esta noite, eu devia estar a  ter um pesadelo, e acabei por acordar com o barulho que parecia uma broca na parede do nosso quarto. Aflita, tentei ver se parava entretanto. Comecei a assustar-me, pois parecia cada vez mais intenso. Pensei: Será que estão a  tentar roubar os carros da garagem? 
Desço as escadas e nada. Volto ao quarto e volto a ouvir o som de perfuração na parede. 
Pensei que fosse da lâmpada do candeeiro ou do telemóvel. Não era. Nem um, nem outro.

Começo a ficar um pouco em pânico porque aquilo parecia estar a agravar-se. Chamo-o e tento que ele acorde. Sem sucesso. Insisto e ele responde monossílabos. 
Mas tu não estás a ouvir? Parece que estão a furar a nossa parede. Ele ergue a cabeça e responde: está bem.

Finalmente, consigo perceber de onde vem o barulho. Abro a gaveta da mesinha de cabeceira e encontro a máquina de aparar a barba , em dias de preguiça -,  a trabalhar dentro de uma gaveta vazia. Supostamente teria ficado sem pilhas quando a usou e não desligou.  Por qualquer razão, começou a trabalhar durante a noite. A gaveta estando vazia, e a máquina tendo saído do estojo, ampliou o som. 
Soltei umas quantas gargalhadas pela parvoíce da situação. Caramba, cheguei a estar com o coração bem acelerado.
Esta manhã, ele só se lembrava de me ter visto em pé, a rir.

Se fosse um assalto, os ladrões bem podiam esvaziar a casa e sequestrarem-me, que o sonolento do meu marido não daria por nada.

[Há uns tempos atrás a campainha da entrada também tocava sozinha; demorámos uns bons tempos a descobrir que era humidade no botão do intercomunicador. Sempre que íamos à porta, deixava de tocar.]


Comentários

  1. Pois eu já fui mesmo assaltada e ele também não deu por nada. Eu porque, na altura, não tendo ainda as Minis, dormia de tampões nos ouvidos, dado que ele ressona muito, não dei conta. Ele porque pode cair a casa abaixo que não dá conta.

    ResponderEliminar
  2. Eu já fui assaltada enquanto dormia, o que me faz uma confusão enorme pois tenho o sono muito leve... Depois disse andei aí uns dois meses que nem sequer conseguia dormir. Ia dando em doida...

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Tens alguma coisa para dizer? Obrigada por partilhares! ;)

Mensagens populares deste blogue

Jardim de Chuva Prateada

hoje em dia, as pessoas têm muitos amigos no facebook. é onde têm mais amigos. Se,de repente, essa pessoa deixar de colocar posts ou likes, não mostrar as suas selfies, os amigos vão preocupar-se com isso? se calhar não. acho que impera por lá a inveja, não a preocupação... Acho que os blogues são bem mais que isso. As pessoas não são sempre felizes; quando querem, mostram a vida que realmente vivem. E, às vezes, a amizade nasce, quando nos identificamos com essa pessoa. [Bem sei que há por aí gente com mais imaginação do que vida própria.] Há cerca de dois anos, uma pessoa frequente no meu blogue, deixou de escrever no blogue dela e nunca respondeu a emails que varias pessoas "chegadas" lhe haviam enviado, inclusive eu. tinha-me deixado um apelo no seu blogue, a que depois respondi e nunca mais tive resposta. ainda hoje tenho o seu blogue na minha de lista de leituras, para o caso dela voltar. mantenho a esperança que nada tenha acontecido. Agora volto a preocupar-me com a…

ironias

O meu marido conseguiu saber/sentir primeiro que eu o que e uma epidural...
(ouvimos sempre falar de epidural aquando dos partos mas afinal, não serve apenas nesses casos)

das minhas fragilidades. tenho coisas para contar, mas hoje "roubo" palavras a outros

O momento de escrever o que Maio me trouxe e me levou, vai chegar. falarei sobre isso, quando me sentir com os pés mais perto da terra e menos de cabeça para baixo. Sem os dramatismos com que agora vejo os acontecimentos.Maio trouxe e levou. A minha vida continua um novelo com muitas pontas e poucos fins à vista. tenho de falar nisso. Porquê? porque preciso. só não sei por que ponta começar.

Enquanto as minhas palavras não saem, gostei das de outrem, que não hesitei em roubar, sem pedir licença, mas dando os devidos créditos.

Tantas palavras te disse hoje,
mas as mais frágeis reservo-as
para o dia em que te encontrar.[Deste blogue]