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A mostrar mensagens de Maio, 2016

não é fácil ser-se filho. nem feliz quando se é velho

Percebi há algum tempo que talvez ele não ame o pai da mesma forma que amou a mãe. Ainda dizem que os pais e as mães não terão preferências pelas suas crias. Se acontece os filhos preterirem um dos progenitores, porque não o contrário? Também já entendi que a irmã prefere o pai à mãe. Estou mais crente que seja uma das hipóteses seguintes: remorsos de ter sido uma ausente cuidadora da mãe ou o cheiro,ainda que nauseabundo, de dinheiro lhe continua a saber muito bem, que continua a desejar que caia na conta, sem que para isso veja deveres. 
Do lado dele sinto-lhe a falta de uma paciência (sintoma que nunca lhe julguei ver) para ouvir as repetições, vezes sem conta, de histórias passadas, de pedidos inusitados, de clamores a Deus do pai, que nos seus oitenta e quase sete, ainda se julga novo para ser visitado pela Morte. Consigo ler-lhe a pouca vontade de voltar à serra [um dia disse-me que queria ser sepultado junto da mãe, agora estranho-lhe este comportamento], numa obrigação de faz…

as pequenas coisas do amor

ser recebida à porta de casa, no regresso do trabalho, com um abraço e um ramo simples [mas muito bonito] de flores. simplesmente perfeito.
que amoroso foi o meu fim de tarde.

Blogues XY

Se é um vazio porque pesa tanto? Este é o título de um post de um blog, creio que seja masculino (concluído, por outros pequenos textos que lhe vou lendo e que entretanto vai subtraindo ). Pode ser visto aqui. Tem pequenas frases que me deixam a pensar. Esta foi uma delas.
Da lista de blogues que leio habitualmente, não tenho muitos que sejam masculinos. Mas há alguns muito bons. Melhores que os de muitas mulheres. E que nem sequer serão da área do jornalismo ou afins. Normalmente nem me atrevo a comentar ou não admitem comentários. Mas não deixam de estar entre as minhas preferências. Outro que descobri há pouco foi este este.
Se alguém tiver outras sugestões de leitura, existe uma caixa de comentários que eu amavelmente terei gosto em receber.

o amor vence tudo?

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são quase cinco da manhã. depois de ter andado mais de meia hora às voltas na cama, decidi levantar-me. para não pensar demais. as insónias dão para isso. a dor de cabeça da tarde de ontem ainda cá mora. beberico um chá de cidreira e ignoro a pilha de roupa para passar, que a insónia normalmente serve para aniquilar. o livro lido na manhã de ontem volta pela enésima vez à minha cabeça  e lá solto outra lágrima gorda. Ontem à tarde aconteceu o mesmo. ele não percebia os meus súbitos ataques de lágrimas antes de lhe contar a história. Também não foi muito conciliador depois. Há coisas que não me ponho a julgar só porque sim. Podem dizer-me que eu não tenho uma opinião formada sobre isto ou aquilo. São as crenças, as convicções, os sentimentos e o estado de espírito que nos levam a agir num determinado momento. Portanto não tenho o direito de julgar ninguém quando uma atitude como a morte medicamente assistida está decidida. Eu nunca estive numa situação idêntica, nunca foram postas à p…

não esperava por isto, não agora...

Tinha sabido da novidade no dia anterior  mas nunca imaginaria que, vinte e quatro horas depois, eu iria ser afectada, de uma forma que nunca supus acontecer. Podia ter saído daquela reunião e ir fumar um cigarro, gritar toda a agitação que me corroía as entranhas. Mas eu não fumo, e os gritos tive de contê-los; transformaram-se em lágrimas. Senti-me incapaz de por mão ao descontrole. Como podia, seis anos depois, estar tudo a acontecer de novo? Fervia por dentro e só me ocorreu vir aqui escrever o post anterior, para soltar o soluço que me tomava as palavras. Amanhã tenho uma decisão para tornar pública. Uma decisão que eu ainda não sei qual é. Já tive mais certezas, e à medida que o tempo passa elas vão transformando-se em esquissos esborratados. Talvez eu até possa ter a faca e o queijo na mão, mas tenho receio de que a faca não seja a mais apropriada para cortar uma fatia que eu possa levar a boca. Tenho medo de ser a única a não ser beneficiada numa mudança que nunca fui eu que…

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Se há dias em que tenho de chamar put@ à vida é hoje.
Quando achamos que a vida está a seguir lentamente pelo passeio, em zona segura, vem uma série de acontecimentos desgovernados, dos quais não temos responsabilidades nenhuma, e trucida-nos, Deixa-nos inconscientes, na escuridão, desmembrados, e sem socorro.
Há muito que tenho acreditado em copos meio-cheios, mas hoje tenho dificuldade nisso. Não aprecio vitimizações e sou mais do género de ajeitar as velas a favor do vento  - arranjo muitas vezes forças sei lá onde - mas hoje estou sem bússola.


Soul

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A música é boa, para quem gostar de soul (e quem não for apreciador, também gostará, certamente). O vídeo não tem uma ideia original, mas não deixa de ter a sua carga de sensualidade. Aprecio o jogo, confesso. :)
Se gostarem, podem sempre encontrar outros temas. Tudo em bom, na minha perspectiva.
Boa sexta-feira (treze)!


[Myles Sanko, So hard to stop]

deveria ser diferente?

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Grande parte da vida, tentei ser para o meu pai a filha especial que ele queria que eu fosse. Um dia, desisti de querer ser. Por mais que tentasse, nunca era o suficiente. Grande parte da vida, tentei provar a minha mãe que eu não era simplesmente feita com os defeitos do meu pai. Continuo sem conseguir. Está o meu irmão mais parecido com o meu pai que eu. Talvez a minha personalidade tenha sido modelada entre estes dois pólos. Esta guerra fez de mim alguém que se sentiu diferente dos demais. Mas acho que só nestes últimos tempos me tenho apercebido disso. A começar pela noite em que voltei a ver os meus amigos da escola primária. Algo me impele a defender os mais fracos. A alegrar os mais tristes. A cuidar dos mais frágeis. Algo me empurra para compromissos que nem deviam ser os meus. Acredito que as pessoas duvidem quando afirmo que não tenho inveja de quem consiga ter filhos, que fique grávida. Se eu acho que merecia o mesmo, porque hei-de desejar aos outros o que estou a passar?…
Eu que sempre achei que podemos fazer a diferença na vida dos outros, fiquei a pensar se alguma vez as pessoas darão conta.

acho que tive uma recaída (no vício)

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Quando era mais nova, lembro-me de devorar tudo o que era filme e série da época, que passavam na TV. Era uma consumidora inveterada e só existiam dois canais! Agora com tanta oferta mal  ligo a caixa que mudou o mundo. Não sou aficcionada de séries e só vou estando por dentro das coisas porque vou lendo, por aqui e por ali. Eu sei que há muita gente que deita um olho clinico nos filmes, e desmonta todo um cenário, apontando tudo o que está mal e o que não faz sentido. Para mim, a área cinematográfica, tal como a musical é apenas prazer puro, diversão, entretenimento, deleite. Pouco me importa que esteja mal realizado, se eu começar a ver e gostar, porque deixarei de ver só porque um crítico não gostou? Sou um bocado do contra, já se percebeu! Outrora era capaz de me deitar tardíssimo, pregada à televisão. Hoje em dia, o sono chega rápido mas as manhãs começam ainda o sol não tem nascido. Depois de uma fase de devorar livros, nestes últimos dois meses, comecei a aproveitar as madru…

maravilhosa, eu acho

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[Frances, Grow]

obrigada!

Acabei de verificar que atingi as 100000 visitas. Pelo menos, desde que o contador foi acionado.

Obrigada aos que fazem gosto em me aturar, mesmo aos que eu não tenha a mínima ideia de quem sejam.

Agradecida pela vossa companhia e paciência.

amor de uma mãe, devoção de um filho

Devo a minha mãe tudo o que sou hoje, ouço-o dizer quando as saudades lhe apertam, quando falamos de problemas de aprendizagem ou quando os pais desistem dos filhos. Vocês falam de barriga cheia, aponta-me o dedo quando estou aborrecida com a minha mãe e comento com ele. Ele quase sempre está do lado da minha mãe. Porque na falta de mãe, adoptou a minha como algo parecido com isso. Ele foi um milagre da Vida. Tão pouco devia ter conseguido ser concebido. Batizaram-no à pressa, já a temer o pior. Ninguém adivinharia o que ainda estava para vir. A escola tornou-se um desafio. Ele simplesmente não conseguia aprender a ler e escrever. As letras baralhavam-se todas sob os seus olhos. A mãe fazia todos os esforços para que ele, ao menos, aprendesse o básico. Haveria de aprender um ofício, talvez eletricista; tomaria conta da loja de ferragens quando já estivessem reformados. Haveria de fazer dele um homem. A mudança da professora primária, veio mudar algumas coisas que antes pareciam conde…