domingo, 1 de maio de 2016

amor de uma mãe, devoção de um filho

Devo a minha mãe tudo o que sou hoje, ouço-o dizer quando as saudades lhe apertam, quando falamos de problemas de aprendizagem ou quando os pais desistem dos filhos.
Vocês falam de barriga cheia, aponta-me o dedo quando estou aborrecida com a minha mãe e comento com ele. Ele quase sempre está do lado da minha mãe. Porque na falta de mãe, adoptou a minha como algo parecido com isso.
Ele foi um milagre da Vida. Tão pouco devia ter conseguido ser concebido. Batizaram-no à pressa, já a temer o pior. Ninguém adivinharia o que ainda estava para vir.
A escola tornou-se um desafio. Ele simplesmente não conseguia aprender a ler e escrever. As letras baralhavam-se todas sob os seus olhos. A mãe fazia todos os esforços para que ele, ao menos, aprendesse o básico. Haveria de aprender um ofício, talvez eletricista; tomaria conta da loja de ferragens quando já estivessem reformados. Haveria de fazer dele um homem.
A mudança da professora primária, veio mudar algumas coisas que antes pareciam condenadas ao fracasso.
Diagnosticou-se a dislexia, e a mãe passou grande parte das noites a acompanhá-lo nos trabalhos de casa, aos pés da cama. Ela que estudara até à terceira Classe, via-se a acompanhar o filho em temas que desconhecia. Apesar das constantes dificuldades dele, nas línguas, ela tentou que ele nunca desistisse. Foi ela que nunca me fez desistir, relembra ele.
A mãe ainda conseguiu vê-lo licenciar-se em Engenharia.
A vida levou-o para longe da mãe mas, na sua doença, ele nunca a deixou só. Quis que ela tivesse os melhores cuidados, recusando que fosse deixada moribunda numa cama de hospital. Cuidou dela meses a fio, de dia e de noite. Ele era a única pessoa com quem ela jamais recusou falar durante a doença. Ele viu a vida dela ser soprada para longe. Viu o seu último suspiro.
Hoje, ele sente a mãe ao seu lado como um anjo que está a velar por ele.
Se não fosse a minha mãe, eu hoje não seria nada, foi ela que me fez acreditar que eu era capaz. foi ela que não me fez desistir.
À minha sogra devo o homem mais amoroso que conheço; se não fosse a sua mãe, dificilmente ele seria assim.

Feliz dia a todas as verdadeiras mães!


5 comentários:

  1. Também já não tenho mãe , perdi-a aos 18 anos . Ela morreu e eu fiquei com a minha mana de 14 meses nos braços , não foi nada fácil e ainda hoje sinto muitas saudades da minha mãe . Por isso compreendo bem que ele diga que há quem fale de barriga cheia :(((

    Beijinho e sim , as mães a sério lutam sempre pelos seus filhos .

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  2. Que grande senhora. Emocionei me. Talvez por si o teu marido seja também um homem de afetos. Feliz dia da mãe.

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  3. Comovente...uma grande mãe, sem dúvida.

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  4. Que bonito Alice, Uma grande mãe, uma bonita história. Beijinho

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  5. Maravilhoso. Muitos parabéns por ele se ter cruzado no teu caminho.

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