domingo, 8 de maio de 2016

deveria ser diferente?


                                               

     Tudo é uma questão de escolha ...:
Grande parte da vida, tentei ser para o meu pai a filha especial que ele queria que eu fosse. Um dia, desisti de querer ser. Por mais que tentasse, nunca era o suficiente.
Grande parte da vida, tentei provar a minha mãe que eu não era simplesmente feita com os defeitos do meu pai. Continuo sem conseguir. Está o meu irmão mais parecido com o meu pai que eu.
Talvez a minha personalidade tenha sido modelada entre estes dois pólos.
Esta guerra fez de mim alguém que se sentiu diferente dos demais. Mas acho que só nestes últimos tempos me tenho apercebido disso. A começar pela noite em que voltei a ver os meus amigos da escola primária.
Algo me impele a defender os mais fracos. A alegrar os mais tristes. A cuidar dos mais frágeis. Algo me empurra para compromissos que nem deviam ser os meus. Acredito que as pessoas duvidem quando afirmo que não tenho inveja de quem consiga ter filhos, que fique grávida. Se eu acho que merecia o mesmo, porque hei-de desejar aos outros o que estou a passar? sinto outras coisas (em relação a mim mesma, não aos outros), mas não a inveja.
No outro dia, em resposta a um mail em que eu felicitava a pessoa por mais um ano de vida, tendo-a "conhecido" há tão pouco, ela se surpreendia como me tinha dado ao trabalho de ir procurar a sua data de nascimento e escrever-lhe. Não sei. Acredito apenas que devemos fazer a diferença na vida de alguém, mesmo que ela não nos conheça. Acho que devemos contribuir um bocadinho para a felicidade dos outros, ainda mais, quando achamos que ela precisa.
Durante o ano passado, resolvi fazer uma oferta personalizada a cada uma das minhas colegas, no dia do seu aniversário. Foi bonito ver a felicidade e a surpresa nos seus rostos. Fez de cada um daqueles dias, um dia diferente. Pelo menos para mim, foi. Não sinto que perdi o meu tempo a preparar aquilo tudo, apesar de me ter faltado para as minhas coisas.
Muitos são os momentos em que acredito que tudo tem a sua razão de ser, essa força que me impele a ser diferente. Sou censurada demasiadas vezes por não guardar rancor, por me esquecer demasiado depressa do mal que me fizeram, por ser demasiado prestável, por usar de simpatia com que não merece. Sem proveito próprio. Por isso nunca serei rica.
Bem sei que as pessoas não mudam, por todo o bem que lhes possam fazer, mas se eu não fosse assim seria muito mais amargurada do que sou. Talvez a vida me tenha dado este propósito. Sei lá...
Durante alguns anos liguei ao sogro e aos meus cunhados a lembrar-lhes o aniversário do meu marido, porque nunca se lembram. Hoje, em dia, já não o faço porque acho que já deviam ter aprendido, ainda mais que o Facebook lhes facilita a vida... e eles continuam a esquecer-se.
Afinal, talvez eu só queira que as pessoas percebam que o dia em que vieram ao mundo foi importante. Será importante para alguém. É bom quando nos sentimos especiais, porque não fazer os outros sentirem-se assim? Dá trabalho, pois dá.
Obviamente também me esqueço de aniversários, ultimamente mais vezes.
 E quando, no outro dia, lia que alguém oferecia fotos emolduradas aos seus amigos, por trás escrevia-lhes frases, e que ate ao momento ninguém as tinha descoberto, achei que, há por aí mais gente a querer fazer a diferença, pela positiva. Eu achei maravilhoso!
Talvez por eu ser diferente - vão chamar-me masoquista, bem sei - ando a pensar escrever uma carta a a esta minha "amiga", no dia em que ela fizer 40, daqui a dez dias. Será boa ideia? Desde que achei que era o fim, ela apenas me enviou uma SMS. Nunca mais nos falámos.não perdeu o habito, nem percebeu que não era um bom veiculo de comunicação isto das sms.Quase ao final do dia do meu aniversário - era sempre a primeira a felicitar-me logo apos a meia-noite - recebi-a; também vi nela uma despedida e magoa, como se a culpa fosse minha. Uma SMS, que deve ter ponderado todo o dia se ma havia de enviar. Escreverei a carta entretanto e quando chegar o dia de colocar no correio, logo verei se o farei. Estarei a seguir o conselho: não  deixes nada por dizer. Não deixes nada por fazer.
Ficarei tranquila.
A felicidade é tão efémera. é como areia seca a fugir por entre os dedos. como a vida.
Não interessa se mais tarde recebamos alguma coisa em troca. Nem podemos esperar isso. Mas podemos sempre, mas sempre, fazer a diferença. Basta querer. Mesmo que nunca ninguém dê por isso. Mesmo que não possamos mudar o mundo.



7 comentários:

  1. Faz aquilo que tens vontade fazer. E mesmo que não possamos mudar o mundo, faz sempre aquilo que te faz sentir melhor. Mesmo com as decepções próprias da vida, não deixo de acreditar que aquilo que semeamos é aquilo que colheremos mais tarde. :)

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    1. Jardim,

      Não sei se a vida me tem dado coisas boas, mas não me tem dado uma cruz que eu não possa carregar. Não sei se algum dia colheres espinhos em lugar de Rosas, mas nem vale a pena pensar nisso...

      O que tiver de ser, ser a.

      Beijinho.

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  2. És uma pessoa bonita Alice e claro, se te faz feliz veres os outros felizes porque não?
    Se te apetece escrever a tal carta, deves fazê-lo, o resto não importa. Beijinho

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    1. Gaja Maria,

      Obrigada. Agora fiquei sem palavras...

      Sim, deverei escrever. Ela tera bom remédio, ou lê ou deita fora.
      Beijinho

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  3. Alice, admiro (e julgo que partilho, um pouco pelo menos!) a tua doçura e forma limpa de ver o mundo. A vida ensinou-me duas coisas (contraditórias) uma é que devemos fazer o que temos vontade, a outra é que devemos valoizar-nos, por isso já me acontceu várias vezes estar na tua indecisão! Acho que vais fazer o que o teu coração manda! Protege-te, pormo-nos em primeiro lugar não é egoísmo é auto-estima (pareço um livro de auto-ajuda :P)
    Abraço (desta chata) :P

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    1. Canção,

      Por ondas tu?fechaste a casa e foste embora?😉

      Fiquei sem saber o que dizer. Obrigada pelas tuas palavras.

      E não és chata nenhuma. De onde tiraste essa ideia?

      Beijinho

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  4. Alice, tenho a certeza que apesar da surpresa a pessoa adotou o Mail. No mínimo ficou embevecida. Concordo com tudo o que disseste menos numa. Às vezes este bem que fazes pode fazer uma mudança na vida de pessoa. Também modelamos comportamentos através dos nossos. A diferença pode é não ser suficientemente grande para a vermos. Em relação à amiga acho que acima de tudo deves seguir o que o teu coração te diz porque ele é grande e sabe o que faz. Um beijinho

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