terça-feira, 6 de setembro de 2016

Se tiverem cura para isto, pf, digam-me...

Há uns meses atrás ofereceram-me um cargo na empresa que, depois de muito ponderar, achei melhor declinar. Já não me via voltar "a um lugar parecido" onde já fui feliz. Embora as coisas não fossem como as tinha deixado, colocarem-me numa posição como uma tábua de salvação, deixou-me certa que não era aquilo que queria nesta fase da minha vida.
Pelo facto de ter sido feliz, não queria dizer que o voltasse a ser. Amadureci, cresci, passei a ser menos ingénua, a ter menos paciência. Confesso que agora até me acho um pouco mais arrogante, menos simpática - mecanismos de defesa que criei perante as adversidades laborais dos últimos anos. 
Mudar de cargo poderia impossibilitar a caminhada ando a tentar fazer. 
Quis o destino que, um mês após a minha recusa, acumulasse funções do cargo proposto com o meu trabalho. [As pessoas são tão complicadas e sob pressão nem se fala]. A somar a isto  delegaram-me a formação a pessoas que, mais tarde, se mostraram inadequadas ao cargo. Tem sido a mim que me têm pedido a avaliação do carácter, para definir se ficam ou não. Porque, se eu contasse quais têm sido os critérios de selecção dos candidatos [da qual não tenho qualquer responsabilidade] , iriam rir-se... 
[...]
Fui de férias, que não o foram verdadeiramente. Hoje em dia é impensável levantar-me cedo para tarefas que não há muito tempo faria com uma perna às costas. Já me pesa ter de me levantar todos os dias, antes das 6h da manhã, por trabalhar a uma hora do local de trabalho e já não conseguir ser ágil nos movimentos, tal é a exaustão. 
Juntaram-se novos problemas aos que têm aparecido desde Abril.  Sempre a somar a carga sobre as nossas costas. Temos andado numa má fase.
Gostava de ser quem fui há algum tempo atrás. Preciso de encontrar alguma forma de voltar a repor energias. Férias já não são coisa que baste.
Pensei em fazer algo motivador que não direccione a minha atenção somente para os problemas ou para o trabalho. Mas já nada me parece  motivar.

Às vezes pergunto-me se a carga de hormonas a que o meu corpo tem sido sujeito, com a finalidade de poder ser mãe, têm contribuído para a minha perda de destreza física e mental. 

Não queria deixar o trabalho até ter a situação da maternidade resolvida, mas se não encontrar uma motivação para conseguir o equilíbrio, pondero ter mesmo deixar o emprego. Mesmo que ele continue de baixa médica e eu esteja à beira de conhecer a terapêutica para uma doença que não imaginava que teria e me vai acompanhar o resto da vida. e todos os outros imbróglios de que não consigo desfazer.

Esta não sou eu. Tenho saudades de quem fui um dia.[e isto deixa-me ainda mais transtornada]
 

4 comentários:

  1. Gostava de ter as palavras certas para te dizer e dar algum conforto. Mas não tenho, infelizmente. Resta-me desejar que esta fase má passe depressa. Também já estive aí, numa fase parecida, e ainda estou a sair dela, mas estou. Encontrei nas caminhadas e na pintura (de livros de colorir para adultos, imagina!) um escape, uma forma de relaxar a mente e o corpo. Eu achava que não, mas tem resultado, porque esses são momentos só meus, onde me reencontro. Quem sabe não encontres algo que gostes de fazer e te ajude ajude a descontrair? Eu sei que não resolve os problemas mas pode ajudar a encontrares o equilíbrio de que falas.

    Um beijo e força! :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Camille

      Obrigada pelas tuas palavras. Usei as pinturas de livros de colorir quando fiz o ultimo tratamento, enquanto tinha de esperar resultados de analises.

      Para o meu dia a dia a técnica não serve, por estar sempre a ser solicitada. O problema tem sido exatamente esse. O trabalho aparecendo feito esta sempre tudo bem, para alguns...

      Ser tábua de salvação e deixar de ter vida própria esta a deixar-me saturada...

      Beijinho e obrigada

      Eliminar
  2. Força, muita Força para vocês!

    ResponderEliminar

Tens alguma coisa para dizer? Obrigada por partilhares! ;)