quarta-feira, 25 de julho de 2018

Sobre o amor na terceira idade [e outra história de família]


Quem nunca ouviu dizer que o amor não escolhe idade? E acreditamos verdadeiramente nisso?
Ou quando nos acontece, ou aos que nos são próximos, mudamos de opinião porque passamos a contar também com os preconceitos para a equação?
Quando escrevi este longo post, tinha lá implícito que, apesar de obviamente querer que o meu tio seja feliz, um pequeno preconceito associado envenena isso.
O conflito de emoções nem sempre nos faz aceitar as coisas tão bem quanto desejaríamos.
As pessoas na terceira idade não podem ser condenadas à solidão. é certo. Quando olhamos para o meu tio, achamos que ele já devia ter idade para ter juízo.
Mas, no fundo, custa-nos pensar que a pessoa que foi sua companheira durante anos, de repente,  veja o seu lugar tomado. Como se ficasse esquecida.
Passo a explicar com outra história.
O meu sogro vai a caminho dos noventa; para o ano, esperamos que os faça e com saúde. Ditou a vida que ficasse viúvo há quase dez anos e há dois  deixasse a casa dele e, durante o dia, frequentasse um Centro para idosos. Onde os idosos são tudo menos isso. Felizmente.
O centro promove muitas actividades e mantém pessoas como ele muito activas. Temos gostado muito que assim seja. Vemo-lo feliz. Vamos às festas como fazem os pais no final do ano lectivo dos filhos, só que ao contrário: os filhos vão ver os pais.
Sabemos que a sua atenção foi muito disputada entre duas senhoras lá do centro. Mas a má língua de uma, fez a outra ganhar a disputa. Cresceu a amizade. (Nós víamos isso assim, sem maldade; sabemos agora que há marotice da parte dela)
As funcionárias lá do centro resolveram fazer-lhes o casamento. vestiram os noivos. houve padre (a brincar) e tudo.
Mais tarde, ele avisou o meu marido que podíamos ver o vídeo. acho que foi para ver a nossa reacção.
Ainda não tínhamos tido oportunidade de ver e, anteontem, assistimos. e ficámos os dois calados. aquilo custou-nos aos dois.  
Eles não são dois meninos que estão a brincar de casamento para os restantes assistirem. Caiu-nos muito mal.
Acho que ele acedeu a fazer aquilo por ser muito brincalhão, mas nós já não conseguimos ver a situação dessa forma.
Vamos recebê-lo este fim-de-semana lá em casa. Já falámos no assunto entre nós e não vamos comentar nada.
Mas, de repente, sentimos que ele consentiu aquilo, mesmo vendo no casamento uma instituição sobre a qual não se deve fazer piada. Como ele defende isso!
Ficámos os dois em silêncio e sentimos que foi como se a sua verdadeira mulher deixasse de ser o grande amor da vida dele.
E o nosso conceito de amor ficou mesmo abalado. como se o amor não fosse para a vida toda...



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