o sofrimento da auto-avaliação
"Não são as coisas que acontecem connosco que nos fazem sofrer, mas o que nós dizemos a nós mesmos sobre essas coisas”.
(Epíteto)
Sempre tive dificuldade em socializar com as pessoas de uma forma geral, porque nem sempre sei, exactamente, quais são as regras comportamentais.
Nunca tive muitos amigos, sou muito selectiva nas pessoas com quem me dou e a quem faço confidências. Poucos mas confidências porque a maior parte das vezes não partilho nada sobre a minha vida. Isto não é arrogância, é a minha incapacidade de saber interagir.
Da mesma forma, não costumo meter-me na vida pessoal de ninguém, não faço perguntas sobre a vida pessoal delas, ouço quando me procuram para confidências e só manifesto o meu conselho se a pessoa mo pedir.
Assumo que não sou uma mulher bonita nem nunca serei, e considero que essa consciencialização me poderá ter criado, desde sempre, barreiras para a socialização.
Possivelmente também não serei uma pessoa interessante. Acho que o único que acha que o sou será o meu sobrinho de oito anos, que acha que eu sei tudo e me faz perguntas à espera de uma boa resposta.
Às vezes, não sei muito bem avaliar se estou a agir da melhor forma e, mais tarde, começo a fazer uma avaliação do meu comportamento, e quase sempre dou por mim a passar a pente fino cada atitude e, normalmente, a recriminar-me por cada uma delas.
Nunca sou assim no trabalho. Sou muito "terra à terra", sei como fazer, o que fazer e a forma de agir com cada um dos quais interajo. Há regras definidas, bem delineadas, umas por mim, outras pela empresa, as que considero que não devem ser ultrapassadas de forma nenhuma, e as que posso rever consoante a pessoa. Tomo decisões rápidas e quase sempre estrategicamente bem sucedidas. Não me sinto insegura sobre o meu comportamento. Sinto que sou boa naquilo. Talvez por isso continue com medo de mudar de emprego. De deixar de ser bem sucedida em algo. Talvez por isso, quando digo que sou uma pessoa muito tímida, no trabalho ninguém acredita. O meu patrão, então, ri-se-por eu me auto-qualificar de tímida.
Na vida pessoal, em situações novas, dou por mim a avaliar minuciosamente cada situação. Admito que talvez o faça mais frequentemente nas alturas que ando um bocadinho mais fragilizada.
A mais recente atitude tem a ver com a um email que enviei ontem; depois de o ter enviado [e de já ter verificado que não tive qualquer resposta] já estou aqui a montar mentalmente uma sala de tortura pela atitude, que agora avalio como exagerada (que até pode não ser). Estou aqui a remoer sobre o que escrevi. Na altura que o escrevi, não achei atrevido ou com demasiada familiaridade. Tenho estado aqui a pensar que pode ter sido interpretado assim.
Não me considero uma pessoa mal-educada, desrespeitosa ou até antipática. Assumo que, sou demasiado sincera, para o bem e para o mal. Neste caso fui sincera para o bem, teci elogios, agradeci e demonstrei a minha mais recente felicidade por uma tomada de decisão. Acabei por ser também mais descontraída na linguagem, fazendo algumas pequenas confidências. Possivelmente devia ter estado quieta. será que agi mal?
Daqui a pouco já terei a resposta pessoalmente. Se calhar, estou a fazer uma tempestade num copo de água Ou talvez não.
Estou sempre com receio de não ser uma pessoa socialmente correcta. Fico muitas vezes envergonhada com as minha atitudes espontâneas. Por achar que não fui recatada o suficiente.
Não te martirizes e tenta ter um pouco mais de confiança em ti própria. Estou certa que não tens razão para ser assim, pareces-me ser até bastante sensata. Dúvidas todos temos . Tudo vai correr bem ;)
ResponderEliminarGaja Maria,
ResponderEliminarAcho que na maior parte das vezes costumo ser sensata. As vezes não devia ser tanto.
A auto-estima é que não é coisa robusta por aqui.
Beijinho